
RIO DE JANEIRO – A 82ª Assembleia Geral Anual (AGM) da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) chegou ao fim nesta segunda-feira (8), no Windsor Oceânico Hotel, na Barra da Tijuca. O evento reuniu cerca de 1.500 representantes da indústria aérea, autoridades governamentais e profissionais de imprensa de diversos países, e marcou o retorno do maior evento da aviação mundial ao Brasil após 27 anos, com o Grupo LATAM Airlines como anfitrião.
O tom dominante do encerramento foi o de cautela diante de um cenário macroeconômico adverso. O diretor-geral da IATA, Willie Walsh, alertou que as companhias aéreas enfrentam mais um ano difícil, apesar de uma demanda de passageiros ainda resiliente. Os preços do combustível de aviação devem subir 70% em relação ao ano anterior, acrescentando US$ 100 bilhões à conta coletiva do setor, enquanto os lucros líquidos devem cair de US$ 45 bilhões em 2025 para US$ 23 bilhões em 2026.
Walsh não poupou críticas. O diretor-geral acusou os fabricantes de motores de “exploração”, ao obterem lucros elevados à custa das companhias aéreas. Também criticou com dureza a proposta do governo brasileiro de aplicar um IVA de 26,5% sobre passagens aéreas, afirmando que isso adicionaria US$ 195 ao valor médio de uma passagem internacional de US$ 740 e poderia eliminar até 3,6 milhões de viagens internacionais ao ano. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, estava presente na sala durante o discurso.
Sobre sustentabilidade, o cenário também preocupa. Walsh foi enfático ao admitir que o setor não tem caminho para cumprir a meta intermediária da ICAO de redução de 5% nas emissões até 2030, e pediu um diálogo urgente para construir um cronograma revisado e realista. Quanto ao SAF, a produção em 2026 deve permanecer em 2,4 milhões de toneladas, apenas 0,8% da demanda total, enquanto as exigências europeias de uso do combustível sustentável elevam os custos sem aumentar a oferta.
O evento foi também palco de uma despedida simbólica. Walsh anunciou que deixará a direção-geral da IATA em poucas semanas para assumir o cargo de CEO da IndiGo, companhia aérea de baixo custo indiana. Ele encerrou seu último discurso como líder da entidade com uma nota de esperança: “Enquanto as forças do conflito e da divisão parecem tornar nosso mundo mais perigoso a cada dia, a aviação torna o mundo um lugar melhor ao aproximar as pessoas.”
A escolha do Rio de Janeiro como sede reafirmou a posição do Brasil no centro do debate global da aviação. A aviação já sustenta 2,1% do PIB do país e 1,9 milhão de empregos, segundo a IATA. A próxima edição da AGM ainda não teve sua sede anunciada.
Veja a cobertura completa da 82a AGM da IATA:
- Roberto Alvo assume presidência do Conselho e reforça agenda global para a aviação
- IATA amplia operações de carga na América Latina e prepara nova etapa para o Brasil em 2027
- Iata reúne líderes globais da aviação no Rio para discutir crescimento, sustentabilidade e inovação
- Iata e Icao ampliam cooperação para acelerar uso de combustível sustentável na aviação
- IATA reúne 32 entidades para ampliar oferta de créditos de carbono elegíveis ao CORSIA até 2027
- IATA revela: conflito no Oriente Médio e preços elevados de combustível reduzem em 50% a lucratividade das aéreas
- IATA revela desafios que mantêm executivos da aviação em alerta em 2026: de conflitos armados a passageiros indisciplinados
- Willie Walsh, da IATA, faz alerta sobre crise na aviação e diz que lucro das aéreas vai despencar pela metade em 2026
- IATA amplia monitoramento da experiência dos passageiros e inclui Virgin Atlantic em programa global em 2026
- IATA lança campanha global e revela que 1 em cada 10 admite pegar malas durante evacuações
- Latam vence prêmio global após multiplicar número de mulheres na manutenção aeronáutica em 2026
- Xiamen receberá principal encontro global da aviação em 2027 organizado pela IATA
- Vencedores do Prêmio de Diversidade e destaca avanço da inclusão no setor aéreo
- IATA alerta para custo bilionário da crise na indústria aérea e reforça pressão por mais eficiência dos fabricantes em 2026
- Brasil pode produzir cinco vezes mais SAF que o mundo inteiro em 2026
- Durante encontro, Brasil apresenta avanços da aviação e reforça aposta em combustível sustentável
























