
O grupo Latam divulgou na última quarta-feira (12) os resultados do terceiro trimestre de 2025, registrando mais um período de forte desempenho operacional aliado à disciplina financeira. O lucro líquido somou US$ 379 milhões, alta de 25,8% na comparação com o mesmo período de 2024, enquanto o grupo transportou 22,9 milhões de passageiros no trimestre.
Na manhã desta segunda-feira (17), o CEO da empresa no Brasil, Jerome Cadier, comentou os números em uma coletiva e abriu o encontro reforçando que a Latam está “colhendo os frutos de investimentos consistentes feitos antes mesmo da pandemia e do chapter 11”.
Segundo ele, esse movimento colocou a companhia “numa posição muito sólida com o passageiro corporativo” e possibilitou uma expansão de malha “bastante rentável” no país.
A capacidade consolidada cresceu 9,3% em relação ao ano anterior, mantendo fator de ocupação de 85,4%. O avanço veio principalmente do mercado doméstico brasileiro, onde a Latam inaugurou seis novas rotas no período, além do bom desempenho das operações internacionais.
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As receitas operacionais atingiram US$ 3,856 bilhões, alta de 17,3%. As receitas de passageiros cresceram 18,5% e a divisão de cargas avançou 6,3%. O EBITDAR ajustado chegou a US$ 1,150 bilhão.
Cadier destacou que a evolução operacional é sustentada pelo foco em pontualidade, frota moderna e melhoria contínua do atendimento. Ele lembrou que a Latam Brasil segue entre as companhias mais pontuais do mundo, segundo o ranking Cirium, e foi reconhecida como a mais pontual do país pela Anac neste ano. “Nosso serviço no dia a dia, nossa pontualidade, isso não mudou e não vai mudar”, afirmou.
O CEO também ressaltou investimentos em frota, como aeronaves de nova geração e retrofit de cabines, além da criação da categoria premium comfort nos widebodies. Citou ainda o avanço no NPS, que chegou a 55 pontos. “Esse número estava em torno de 15 há três ou quatro anos. É fruto de muito treinamento e melhorias no atendimento”, disse. Ele mencionou ainda prêmios recentes, como o Skytrax de melhor companhia da América do Sul pelo sexto ano seguido.
O fortalecimento da marca entre viajantes corporativos aparece nos dados: segundo a Abracorp, a Latam atingiu 40% de participação em receitas no segmento no primeiro semestre. “É difícil ver uma combinação de fatores melhor: serviço, atendimento, foco no corporativo, crescimento rentável e expansão sustentável da frota e da rede”, resumiu Cadier.
Essa expansão é visível na malha: antes da pandemia, a Latam atendia 44 aeroportos no Brasil; até o fim deste ano serão 59, e chegará a 63 no primeiro semestre de 2026, mesmo antes da entrada dos novos jatos da Embraer. Entre as novidades anunciadas estão Guarulhos–Uberaba, Guarulhos–Juiz de Fora, Brasília–Campina Grande e Guarulhos–Caldas Novas, além de três rotas internacionais: Guarulhos–Amsterdã (abril), Guarulhos–Bruxelas (junho) e Guarulhos–Cidade do Cabo (setembro).
O CFO do grupo, Ricardo Bottas, reforçou ainda que os resultados “demonstram a consistência da estratégia da Latam”, combinando eficiência financeira, expansão sustentável e foco no cliente. Ele lembrou que o grupo executou mais uma etapa de seu programa de recompra de ações, equivalente a 3,4% dos papéis em circulação – somando US$ 403 milhões em aquisições no trimestre.
Bottas detalhou ainda o acordo firmado com a Embraer para a compra de até 74 jatos E195-E2, sendo 24 pedidos firmes. Doze aeronaves chegam já no último trimestre de 2026 e as outras doze ao longo de 2027. “Prevemos a oportunidade de abrir até 35 novos destinos com esses 24 aviões iniciais, ampliando nossa conectividade regional”, disse o executivo.
Em relação ao desempenho operacional, o CFO destacou o crescimento de 12% na capacidade doméstica no Brasil e aumento de 2,2 pontos percentuais no fator de ocupação. Na operação internacional, houve alta de 11% na capacidade e estabilidade no load factor.
As receitas consolidaram 3,9 bilhões de dólares no trimestre, com destaque para o aumento de 18,5% nas receitas de passageiros. Bottas ressaltou o avanço de 15% nas receitas com produtos premium, reflexo direto dos investimentos em cabine, serviço e experiência do cliente.
Do lado dos custos, a Latam registrou crescimento alinhado à expansão da capacidade, beneficiado por um cenário de combustíveis mais estável. Também destacou o refinanciamento de um bond que tinha vencimento em 2029, agora estendido até 2031. “Hoje, não temos nenhuma dívida material vencendo antes de 2030, o que fortalece muito a estrutura de capital do grupo”, afirmou.
A geração de caixa operacional ajustada somou US$ 859 milhões, contribuindo para manter a liquidez em US$ 3,6 bilhões, equivalente a 25,8% da receita anual. O endividamento líquido ajustado encerrou o trimestre em 1,5 vez o EBITDA. “Seguimos operando consistentemente abaixo do limite de duas vezes previsto em nossa política financeira”, completou Bottas.
Com os resultados acima do previsto, o grupo revisou para cima suas projeções. O EBITDAR ajustado para 2025 passou para o intervalo entre US$ 4,00 e US$ 4,10 bilhões. A projeção de receita total subiu para entre US$ 14,4 e US$ 14,5 bilhões.
Outro ponto aprovado pelos acionistas foi o cancelamento de 5% das ações em tesouraria após dois programas de recompra, reduzindo o número total de papéis em circulação para 574,2 bilhões.
Por fim, Bottas reiterou a prioridade da Latam em manter custos controlados e liquidez estável. “A combinação de crescimento de margem, preservação de custos por passageiro e expansão com disciplina financeira reforça a resiliência da companhia”, concluiu.






