Receita da indústria aéreas deve atingir 1 trilhão de dólares neste ano de 2024 (Banco de imagens Pexels/Joël Super)(
Preço do petróleo dispara com guerra e aumenta risco de passagens aéreas mais caras e menos voos (Banco de imagens Pexels/Joël Super)

A escalada da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou forte turbulência no mercado global nesta semana. O preço do petróleo disparou, derrubando ações de companhias aéreas e aumentando os temores de passagens mais caras e possível redução na oferta de voos.

Os preços do petróleo subiram mais de 15%, atingindo níveis que não eram vistos desde 2022. Em determinado momento, os futuros do Brent Crude Oil chegaram a avançar até 29%, impulsionados por cortes na oferta de produtores e pelo receio de interrupções prolongadas nas rotas marítimas.

Leia também: Conflito no Oriente Médio provoca maior caos aéreo global desde a Covid-19

Para o setor aéreo, a alta do petróleo representa um risco direto, já que o combustível é um dos principais custos operacionais das companhias.

Ações de companhias aéreas caem em todo o mundo

O impacto da alta do petróleo foi imediato nas bolsas internacionais. Na Ásia, ações da Korean Air caíram 8,6%, enquanto a Air New Zealand perdeu 7,8% e a Cathay Pacific recuou cerca de 5%.

Na Europa, o movimento também foi negativo. Papéis da Air France-KLM, da International Airlines Group e da Lufthansa Group registraram quedas entre 4% e 6% nas primeiras horas de negociação da segunda-feira (09)

Nos Estados Unidos, as principais companhias aéreas também apresentaram desvalorização próxima de 4% no pré-mercado.

Preço das passagens já começa a subir

Além da queda nas ações, o aumento nos custos já começa a impactar o preço das passagens. Dados do Google Flights mostram que um voo direto entre Seul e Londres operado pela Korean Air saltou de US$ 564 para US$ 4.359 em apenas sete dias.

Especialistas alertam que a tendência pode afetar a demanda por viagens, especialmente no turismo de lazer.

Segundo Lorraine Tan, diretora de pesquisa de ações para a Ásia da Morningstar, os custos mais altos podem levar consumidores e empresas a reduzirem deslocamentos.

“A demanda por viagens pode diminuir à medida que os custos se tornam proibitivos para turistas de lazer e empresas passam a limitar viagens corporativas diante das incertezas econômicas”, afirmou.

Combustível pesa no orçamento das companhias aéreas

O combustível representa normalmente entre 20% e 25% das despesas operacionais das companhias aéreas, ficando atrás apenas da mão de obra.

Com a disparada do petróleo, o impacto pode ser ainda maior no querosene de aviação. Subhas Menon, diretor da Association of Asia Pacific Airlines, explica que o aumento no combustível pode ser desproporcional.

“Se o petróleo bruto sobe 20%, o combustível de aviação pode subir várias vezes mais, já que ele se torna ainda mais escasso”, disse.

Cancelamentos de voos e rotas mais longas

A guerra no Oriente Médio também já afeta diretamente a operação das companhias aéreas. Desde 28 de fevereiro, mais de 37 mil voos de e para a região foram cancelados, segundo dados da Cirium.

Com o espaço aéreo restrito, muitas companhias estão sendo obrigadas a desviar rotas, transportar combustível adicional ou realizar paradas extras para reabastecimento, o que aumenta ainda mais os custos.

Grandes transportadoras da região, como Emirates, Qatar Airways e Etihad Airways, desempenham papel central na conectividade entre Europa, Ásia e Oceania, transportando grande parte dos passageiros nessas rotas.

Setor pode enfrentar cenário crítico

Analistas do Deutsche Bank alertam que, caso a crise se prolongue, o impacto pode ser severo para o setor.

Em um cenário mais extremo, companhias aéreas poderiam ser obrigadas a manter milhares de aeronaves em solo por conta do aumento dos custos e das restrições operacionais.

O banco lembra que um cenário semelhante ocorreu em 2005, quando o aumento no preço do combustível após os furacões Katrina e Rita levou companhias como Delta Air Lines e Northwest Airlines a entrarem em recuperação judicial.

Se a instabilidade no Oriente Médio continuar pressionando os preços do petróleo, analistas avaliam que os efeitos poderão se refletir no turismo global ao longo de 2026, com passagens mais caras e possível redução no número de viagens.

Com informações da CNN