Instabilidade na demanda mundial para viajar aos EUA já reflete o impacto de instabilidade global
Instabilidade da demanda internacional para o destino EUA (Freepix)

As incertezas derivadas das políticas e dos anúncios econômicos do governo americano começam a afetar a intenção de viagem aos Estados Unidos, segundo análise realizada pelo Mabrian, a plataforma global de inteligência turística, que integra o The Data Appeal Company – Almawave Group.

Mabrian analisou o comportamento da demanda de voos para os EUA através do Índice de Cotação de Buscas de Voos (ICBV), que indica o grau de interesse dos mercados para visitar os Estados Unidos a partir das tendências das buscas de voos e independentemente das reservas confirmadas. Os dados indicam que o interesse global em 2025 está mudando, e mostram variações significativas entre as regiões.

A análise de milhões de buscas de voos realizada entre janeiro e março de 2025, para viajar aos EUA a partir dos dez principais mercados emissores (Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, México, Brasil, Índia, Japão, Coréia do Sul e China) já indica a instabilidade da demanda internacional para o destino. O ICBV revela que a intenção de viagem da Europa, América e Ásia está mudando, enquanto outros mercados são mais resilientes.

Sinais de tensão na demanda europeia

A evolução do ICBV dos países da União Europeia, o Reino Unido e mercados chave como a Alemanha, França e Itália reflete que o interesse por viajar aos EUA está diminuindo, especialmente depois da posse do presidente Donald Trump em janeiro de 2025, uma tendência que deve ser monitorada especialmente diante da nova implementação de tarifas.

A intenção de viagem dos 27 países da UE aos EUA caiu -0,4 ponto percentual em relação ao mesmo período em 2024, o que coloca o Índice em 5,4% no fim de março. Isto indica que os EUA concentram 5,4% de todas as buscas aéreas realizadas pelos países da UE27 no período analisado.

A demanda britânica foi afetada no início de 2025, mas começa a recuperar-se, superando os níveis do ano passado. Alemanha e Itália registraram quedas próximas a -1% em comparação com 2024, o que reflete a uma crescente incerteza entre os viajantes. Por outro lado, a intenção de viagem da Espanha aos Estados Unidos se manteve estável durante o primeiro trimestre de 2025.

“Estes dados demonstram a sensibilidade dos mercados europeus aos acontecimentos geopolíticos em outros continentes”, explica Carlos Cendra, diretor de Marketing e Comunicação do Mabrian. “Embora seja evidente que a demanda turística sempre mostra capacidade de resiliência, as mudanças repentinas nas políticas governamentais, ou endurecimento de critérios de entrada ao país, projeta uma imagem dos Estados Unidos como um destino menos amigável e isso pode influir na intenção de viagem a curto e médio prazo”.

Tendências divergentes na América e Ásia

O estudo identifica três cenários regionais diferentes para a intenção de viagem na América e Ásia. Japão e Brasil mostram uma tendência de queda na demanda inspiracional.

A intenção de viagem dos brasileiros para visitar os EUA se situa em 8%, depois de ter diminuído uma média de -1,2 % em comparação com 2024. De fato, o número total de passageiros brasileiros que reservaram um voo para viajar aos EUA entre fevereiro e março de 2025 diminuiu um -15 % em comparação com o ano passado.

Por sua vez, o ÍCBV do mercado japonês para viajar aos Estados Unidos nos próximos seis meses, está 4,1 %, abaixo das cifras do ano passado e não mostra sinais de recuperação para nas próximas semanas.

“Os dados sobre a evolução semanal da demanda inspiracional aos EUA para os próximos seis meses refletem que os viajantes dos principais mercados emissores têm menores níveis de confiança ao considerar os Estados Unidos entre os destinos aos que viajar nos próximos seis meses”, indica Cendra. “Isto está gerando dois efeitos: ciclos de planejamento e reserva mais curtos, que favorecem as reservas de última hora; e uma atitude de espera e expectativa que desalenta as reservas realizadas com muita antecipação”.

Outros importantes mercados emissores asiáticos para os EUA, como a China e Coréia do Sul, mostraram um aumento na intenção de viagem, com um crescimento de +1,5 e +1,4 pontos percentuais em média por semana, respectivamente. Desde janeiro de 2025, o Índice de Cotação da China (9,1 %) e Coréia do Sul (6,7 %) superaram, semana a semana e de forma consistente os níveis de 2024.

Mirko Lalli, CEO do The Data Appeal Company, comentou: “A intenção de viagem e as tendências de reserva no período posterior ao anúncio das tarifas refletem claramente uma maior volatilidade e incerteza. Embora março mostrou sinais de recuperação em comparação com fevereiro, as perspectivas continuam sendo muito imprevisíveis, já que estão estreitamente vinculadas às mudanças nas políticas internacionais e à percepção que os viajantes têm da estabilidade global.