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Suspeitos estariam supostamente ligados ao tráfico de cocaína de São Paulo para Europa (Divulgação/GRU Airport)

A Polícia Federal deflagrou as operações Além Mares e Kokainlieferung para investigar o suposto envolvimento de funcionários terceirizados do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em um esquema de transporte internacional de cocaína. As investigações têm como ponto de partida apreensões da droga realizadas anteriormente nos aeroportos de Lisboa, em Portugal, e de Frankfurt, na Alemanha.

As ações foram divulgadas pela Polícia Federal na segunda-feira (7) e tiveram como foco o cumprimento de ordens judiciais dentro do Aeroporto de Guarulhos, principal terminal aéreo do Brasil e maior porta de entrada e saída de passageiros internacionais do país.

Segundo a corporação, as duas operações apuram a participação de trabalhadores terceirizados que atuariam na logística necessária para o envio da droga em voos internacionais com destino à Europa. A investigação ainda está em andamento e busca reunir provas sobre a atuação dos suspeitos e eventuais conexões com organizações criminosas voltadas ao tráfico internacional de entorpecentes.

A primeira ação, denominada Operação Além Mares, cumpre mandados de busca e apreensão e medidas cautelares diversas da prisão autorizadas pela Justiça Federal. De acordo com a Polícia Federal, as investigações apontam o suposto envolvimento de três funcionários terceirizados que trabalham no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

As medidas cautelares determinadas pela Justiça não foram detalhadas pela corporação. Esse tipo de decisão pode incluir restrições de acesso a determinados locais, proibição de contato entre investigados, comparecimento periódico à Justiça e outras determinações previstas na legislação processual penal, sem que haja decretação de prisão preventiva.

Paralelamente, a Polícia Federal também executa a Operação Kokainlieferung, que igualmente cumpre mandados de busca e apreensão e medidas cautelares. Segundo a corporação, essa operação tem como alvo um dos três investigados. Os outros dois suspeitos já se encontram presos em razão do envolvimento em outras investigações conduzidas pela própria Polícia Federal relacionadas ao tráfico internacional de drogas.

Até o momento, a corporação não divulga os nomes dos investigados nem informa as empresas terceirizadas para as quais eles prestariam serviços. Também não foram divulgados detalhes sobre a forma como a cocaína teria sido inserida nas aeronaves ou nas bagagens destinadas aos voos internacionais.

Investigações começaram após apreensões na Europa

As investigações têm origem em apreensões realizadas anteriormente pelas autoridades nos aeroportos de Lisboa e Frankfurt. Segundo a Polícia Federal, a identificação dessas ocorrências permitiu o avanço das apurações no Brasil para identificar possíveis responsáveis pela logística do envio da droga a partir do Aeroporto de Guarulhos. A corporação também não informa a quantidade de cocaína apreendida nem as datas das ocorrências que deram origem às investigações.

O nome da operação Além Mares faz referência ao transporte internacional da droga para outros países. Já Kokainlieferung, expressão em alemão, pode ser traduzida como “entrega de cocaína”, em referência ao destino de uma das remessas investigadas.

O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, é o principal hub internacional da aviação brasileira. O terminal concentra voos para dezenas de destinos na América, Europa, África e Oriente Médio, além de receber milhões de passageiros por ano e movimentar grande volume de cargas internacionais. Pelas características da operação e pelo intenso fluxo de pessoas, bagagens e mercadorias, o aeroporto mantém atuação permanente de órgãos de fiscalização, entre eles Polícia Federal, Receita Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura e autoridades aeroportuárias.

A Polícia Federal realiza de forma contínua ações de inteligência e fiscalização voltadas ao combate aos crimes transnacionais praticados em aeroportos, especialmente tráfico internacional de drogas, contrabando, descaminho, imigração irregular e uso de documentos falsificados.

Nos últimos anos, diversas operações conduzidas pela corporação resultaram na identificação de organizações criminosas que utilizavam funcionários terceirizados, prestadores de serviço ou integrantes de empresas que atuam na área operacional dos aeroportos para facilitar o envio de drogas ao exterior. Segundo a PF, esses grupos criminosos buscam explorar o conhecimento operacional de pessoas que possuem acesso a áreas restritas dos terminais aeroportuários.

As investigações procuram identificar tanto os responsáveis pela inserção da droga na cadeia logística quanto eventuais financiadores e integrantes das organizações criminosas envolvidas. No caso das operações Além Mares e Kokainlieferung, a Polícia Federal informa apenas que os mandados foram cumpridos no Aeroporto Internacional de São Paulo e que as investigações permanecem em andamento.

Até o momento, a corporação não divulga novas informações sobre possíveis prisões, apreensões de materiais ou valores relacionados às diligências. Os investigados terão assegurado o direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento do processo, conforme prevê a legislação brasileira.

*Com informações de Aeroin.