
Após uma temporada de ajustes, o mercado brasileiro de cruzeiros volta a crescer. O presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, falou sobre a expectativa para a temporada 2026/2027, os desafios do setor, a expansão para novos destinos e o potencial de crescimento do Brasil no mercado mundial de cruzeiros.
Confira abaixo a entrevista exclusiva do Mercado & Eventos com o presidente da Clia
M&E – O que esperar da temporada 2026/2027?
Marco Ferraz – A temporada começa em 31 de outubro e segue até 4 de abril. Teremos oito navios operados por três companhias, totalizando uma oferta de 830 mil leitos. Mesmo com um período operacional um pouco mais curto, conseguimos ampliar essa oferta graças ao aumento da disponibilidade de minicruzeiros, que vêm se consolidando como um dos pilares da estratégia das armadoras no Brasil.
M&E – Como foi o desempenho da temporada 2025/2026?
MF – O balanço oficial ainda está sendo consolidado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mas a expectativa é que o impacto econômico e a geração de empregos tenham sofrido retração semelhante à redução de cerca de 26% na oferta de navios. Tivemos ocupação elevada e, considerando que foram ofertados 674 mil leitos, imaginamos que essa capacidade tenha sido praticamente toda ocupada. O balanço final também vai considerar a operação de fretamento dos navios durante a COP30, em Belém, que movimentou um volume expressivo de passageiros.
M&E – Como o Brasil está posicionado no mercado mundial de cruzeiros?
MF – O Brasil ocupa a oitava posição mundial, com cerca de 780 mil cruzeiristas. Ao mesmo tempo, nossa taxa de penetração é de apenas 0,35% da população, enquanto nos Estados Unidos ela chega a 6% e, em mercados como Alemanha, Inglaterra e Austrália, fica entre 3% e 3,5%. Isso mostra que ainda somos um mercado pequeno, mas com enorme potencial de crescimento.
M&E – Para a Clia, o que é necessário para que esse crescimento aconteça?
MF – Precisamos de investimentos em infraestrutura e de avanços na questão tributária. Também enfrentamos o desafio da sazonalidade. Um terminal de passageiros precisa manter custos durante doze meses, mas opera efetivamente apenas cinco ou seis meses por ano. Grande parte do tempo ele permanece fechado e acaba sendo subutilizado.
M&E – Quais são os principais projetos estratégicos da Clia para os próximos anos?
MF – Um dos principais projetos é a transferência do terminal de Santos para uma nova área com três berços exclusivos, eliminando a concorrência com a operação de cargas. Também acompanhamos a consolidação de Balneário Camboriú, que completa dez anos de maturação e agora inicia operações de embarque. Além disso, existem iniciativas em Itajaí, Maceió, Vitória, Penha e na expansão da Baía da Ilha Grande, abrangendo Araçatiba e Paratimirim.
M&E – Existem planos para ampliar a presença em outras regiões do país?
MF – Sim. Estamos olhando para o potencial de crescimento do Norte e do Nordeste, com foco em destinos como Recife, Natal, Fortaleza, São Luís, Barreirinhas, Tutóia e também a região amazônica.
M&E – Como a Clia observa o cenário global da indústria de cruzeiros?
MF – A indústria tem cerca de 80 novos navios encomendados para a próxima década, em investimentos superiores a 70 bilhões de dólares. A recuperação pós-pandemia já superou os patamares anteriores a 2020. Também observamos tendências como o crescimento das viagens multigeracionais, dos casamentos e eventos corporativos realizados a bordo e das viagens individuais.
M&E – O comportamento do consumidor também mudou?
MF – Sim. Existe uma antecipação cada vez maior nas compras. Hoje existem cruzeiros vendidos com até três anos de antecedência que já estão completamente lotados.
M&E – Qual é o papel dos agentes de viagens nesse cenário?
MF – A capacitação técnica é o diferencial competitivo. Com uma taxa de fidelidade superior a 80%, o trabalho do agente é fazer o melhor match entre o perfil do cliente e a ampla oferta de roteiros disponíveis.
M&E – Qual é o impacto dos cruzeiros para os destinos?
MF – O cruzeiro atua como um indutor de turismo. Cerca de 82% dos passageiros demonstram interesse em retornar aos destinos visitados. O cruzeiro funciona como uma degustação do destino. Depois, muitos passageiros retornam para conhecer o local com mais profundidade.
Edição Cruzeiros 2026 do M&E já está no ar!
A edição especial Cruzeiros 2026 do Mercado & Eventos já está disponível e reúne, em mais de 160 páginas, um panorama completo da indústria de cruzeiros, com entrevistas exclusivas, análises de mercado, dados inéditos, tendências, novidades sobre navios e destinos, além de reportagens especiais sobre a temporada 2026/2027. A publicação traz conteúdos essenciais para agentes de viagens e profissionais do turismo que desejam se atualizar e identificar novas oportunidades de negócios. Leia a revista completa e confira todos os conteúdos AQUI.







