
As principais companhias de cruzeiros anunciaram nesta quarta-feira (3), em Brasília, que a temporada 2025/2026 terá redução de 20% na oferta de leitos no Brasil, passando de 860 mil para 674 mil. O anúncio foi feito durante o 7º Fórum Clia Brasil, realizado na sede da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Executivos da Clia Global, Clia Brasil, Costa Cruzeiros, MSC Cruzeiros, Norwegian Cruise Line e Royal Caribbean atribuíram a retração a custos elevados, entraves regulatórios e falta de infraestrutura portuária.
Bud Darr, presidente da Clia Global, afirmou que o país reúne condições para ser competitivo, mas ainda perde espaço para destinos mais preparados. “O potencial é enorme, mas o custo e a insegurança regulatória tornam os itinerários menos viáveis. O Brasil tem tudo, mas precisa organizar o ecossistema”, disse.
Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil, explicou que a redução já afeta destinos turísticos. “A temporada passada foi próxima do recorde, mas agora teremos menos portos atendidos e menos turistas. O setor sente na pele a falta de infraestrutura, os altos custos e a insegurança jurídica”, afirmou.
A temporada está prevista para começar em outubro de 2025, com o primeiro navio atracando em Salvador, e seguirá até abril de 2026. Serão 674 mil leitos disponíveis. Segundo Adrian Ursilli, diretor-geral da MSC no Brasil, a procura continua alta.
“Os navios estiveram praticamente lotados. O problema não é de demanda, mas de competitividade”, declarou.
Estela Farina, da Norwegian, e Renata Lazari, da Royal Caribbean, confirmaram que as marcas não têm planos de operar cabotagem no país, mas mantêm escalas e cruzeiros de luxo.
“O Brasil concorre com outros mercados. Precisamos torná-lo mais acessível e favorável aos negócios”, disse Lazari.
Dario Rustico, presidente da Costa Cruzeiros para as Américas, alertou que o país já perdeu outras oportunidades. “Quando o mercado abre espaço e não há reação, a indústria se move para outros destinos. É isso que está acontecendo”, afirmou.
Além dos desafios locais, os executivos destacaram avanços em sustentabilidade, como redução de desperdício de alimentos, reaproveitamento de água e adaptação das frotas para novos combustíveis. A avaliação conjunta é que a agenda ambiental deixou de ser diferencial e tornou-se requisito básico para a operação.
*O M&E viaja com proteção da GTA e apoio da Shift Mobilidade.







