
SANTOS – A indústria global de cruzeiros deve atingir 37,2 milhões de passageiros na temporada 2025/2026 e ampliar sua capacidade nos próximos anos com a entrada de 75 novos navios até 2036, o que representa aumento estimado de 32% na oferta mundial de leitos. O crescimento ocorre em meio a investimentos bilionários das companhias marítimas, enquanto o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais que limitam sua participação nesse mercado. Os dados foram apresentados neste sábado (14), durante o Cruise 360 Brasil, realizado em Santos (SP).
De acordo com a Clia Brasil, associação internacional que representa a indústria de cruzeiros, a expectativa é de continuidade do crescimento da demanda global. A projeção do setor é que o volume de passageiros ultrapasse 40 milhões nos próximos ciclos, impulsionado pela ampliação da frota e pela diversificação de produtos e destinos.
Segundo Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil, a expansão da indústria exige maior capacidade de distribuição e reforça o papel das agências de viagens na venda de cruzeiros.
“Estamos fechando os números do ano passado e a expectativa é atingir 37 milhões e 200 mil cruzeiristas. O crescimento continua forte e exige cada vez mais capacidade da indústria”, afirmou.
Expansão da frota e investimentos

A ampliação da frota é um dos principais motores do crescimento do setor. Atualmente, a indústria reúne mais de 300 navios em operação, que somam cerca de 651 mil leitos disponíveis. Somente neste ano, 13 novos navios entrarão em operação, acrescentando aproximadamente 27 mil leitos à capacidade global. O investimento previsto para essas embarcações é de cerca de US$ 9 bilhões.
No horizonte de longo prazo, o planejamento das companhias prevê 75 novos navios até 2036, o que deve adicionar aproximadamente 200 mil novos leitos à frota mundial. Para Ferraz, esse crescimento reforça a importância do canal de distribuição formado pelas agências de viagens.
“Vocês vão ajudar a preencher essas cabines. Pelo menos dois milhões de novos passageiros por ano precisarão embarcar, e grande parte passa pelas agências”, disse durante apresentação a profissionais do setor.
Brasil enfrenta entraves estruturais

Apesar da expansão global da indústria, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para ampliar sua participação no mercado de cruzeiros. Entre os principais obstáculos apontados pelo setor estão custos operacionais elevados, infraestrutura portuária limitada e entraves regulatórios.
Segundo Ferraz, operar no país pode ser até 50% mais caro do que a média mundial, fator que reduz a competitividade do destino frente a outras regiões. “A gente tem falta de infraestrutura adequada, custos altos de operação e uma regulação que às vezes demora para se atualizar”, afirmou.
Entre os exemplos citados estão processos burocráticos para obtenção de vistos de tripulantes estrangeiros, ainda realizados de forma manual, além de questões relacionadas à segurança jurídica e à sazonalidade das operações.
Participação brasileira ainda é limitada

Os números da indústria indicam espaço para expansão do país no setor. Na última temporada, 93 navios operaram na América do Sul, mas apenas 43 incluíram o Brasil em seus itinerários. Segundo Ferraz, a diferença demonstra que o país poderia atrair mais embarcações caso resolva gargalos estruturais e avance na competitividade.
“O Brasil é um belo destino, mas precisamos resolver alguns pontos para sermos mais competitivos”, disse.
Mesmo com participação menor na operação regional, o país mantém relevância no mercado global tanto como origem quanto como destino de cruzeiristas. De acordo com a Clia, cerca de 750 mil brasileiros embarcam em cruzeiros todos os anos em diferentes regiões do mundo, enquanto mais de 100 mil argentinos visitam o Brasil em navios durante uma temporada.
“A gente sabe o que precisa ser feito. Se apertar os botões certos na hora certa, o Brasil pode atrair muito mais navios”, afirmou Ferraz.







