A Belotur lançou em setembro deste ano um novo produto turístico; o Cachaçatur. Trata-se de um roteiro da cachaça – assim como o do vinho realizado na Argentina e o do Whisky na Escócia -; com a participação de instituições do setor; bares; alambiques e lojas de Belo Horizonte. O MERCADO & EVENTOS conversou com o presidente da instituição; Júlio Pires; sobre os preparativos do novo projeto e sobre o funcionamento da instituição; que completou 30 anos.
O cachaçatur busca valorizar a cachaça artesanal mineira; patrimônio líquido de Belo Horizonte; e promete movimentar o turismo de lazer da região; que tem sua principal força no turismo de eventos. Quanto aos novos projetos e projeções de mercado; Júlio declarou que até o dia 30 de outubro – quando será encerrada a licitação do novo projeto de marketing – não será possível afirmar números nem especificar quais são os novos projetos da empresa.
Mercado & Eventos – Belo Horizonte lançou o Cachaçatur no dia 13 de setembro e o material de divulgação foi distribuído há poucas semanas nos bares; lojas e alambiques participantes. O projeto ainda é recente; quais são as expectativas de benefício para o mercado de turismo?
Júlio Pires – A nossa expectativa é a seguinte; nós estamos oferecendo um produto novo para o mercado de turismo; que é o Cachaçatur. Foi preciso formatar os atrativos que a cidade já possuía; adequá-los para o turismo; garantindo o mínimo de qualidade; comprometimento; quantidade e variedade; exatamente para poder se apresentar como produto novo de entretenimento.
M&E – Quais foram os principais preparativos para colocar o roteiro em prática?
Júlio Pires – Foram estabelecidas parcerias com diversas entidades; com o pessoal vinculado à cachaça. Nós chegamos consensualmente aos requisitos mínimos para que o Cachaçatur fosse implantado. Muitos estabelecimentos; por exemplo; não tinham cartão de crédito e isso é fundamental. A questão do coquetel também é muito importante; como forma alternativa de consumo do produto. A associação do projeto com a culinária é bem marcante; com os pratos mineiros preparados com cachaça. Também trabalhamos em termos de qualificação de funcionários. Muita gente foi mobilizada; foi uma ação conjunta.
M&E – Vocês vêm realizando uma pesquisa junto aos consumidores da nova rota nos estabelecimentos participantes. Quando ela vai ficar pronta e como vai funcionar?
Júlio Pires – Nós precisamos saber se o projeto vai dar certo ou não. Lógico que vai dar certo; mas precisamos medir o quão certo vai dar. A pesquisa vai averiguar o movimento nos bares regularmente; a cada 45 dias; e busca saber; entre outras coisas; a origem do cliente; o grau de satisfação e sugestões; com o objetivo de acompanhar o processo para depois fazer uma evolução. Nós vamos manter o projeto como está por seis meses e depois vamos revisar; fazer uma avaliação; reforçar um aspecto ou outro.
M&E – Serão feitas parcerias com hotéis e agências para divulgar o produto para quem visita Belo Horizonte. Vocês já fizeram contato com essas agências? Como está o processo e como será desenvolvido?
Júlio Pires – Nós estamos fazendo uma divulgação nos postos de atendimento; nos eventos que participamos; nos hotéis. Então esse é o primeiro momento. O segundo é o de articular com as empresas; desde aquelas que estão comprometidas com eventos. Algumas já nos procuraram com a intenção de oferecer esse produto ao cliente e é nesse ponto que queremos chegar. Porém; ainda não há uma parceria consolidada; por se tratar de um produto novo. Por enquanto; o forte de Belo Horizonte é o turismo de negócios. Primeiro é necessário que o roteiro da cachaça fique conhecido. Não tenho dúvida de que o projeto vai dar certo; porque a qualidade do serviço é muito boa. Os restaurantes vêm inovando bastante com petiscos e pratos novos. O roteiro parte de um patamar comum para todos; que é garantir a qualidade do atendimento e do produto oferecido. Daí para frente; cada restaurante usa sua criatividade e potencialidades; o que é um complemento para o projeto.
M&E – A Belotur completou 30 anos; o senhor poderia fazer um balanço dessa trajetória?
Júlio Pires – Há 30 anos a Belotur já mostrava o lado ousado dos mineiros. Ela atuava como uma empresa de eventos; mas logo passou a trabalhar para o mercado de turismo. Nós fomos uma das primeiras cidades a ter um guia turístico; há vinte e alguns anos. Associando o turismo de negócios ao de lazer; a cidade cresceu. O mercado está mais receptivo e fechamos diversas parcerias. O Cachaçatur; por exemplo; faz parte de um roteiro da ABIH de Belo Horizonte; o Mais Um Dia.
M&E – Vocês tem outros projetos em andamento ou estão estudando algum? Qual é a proporção de aumento do fluxo de turistas esperada com a realização de novos projetos?
Júlio Pires – Ainda não temos como precisar números nem indicar quais são os novos projetos até o dia 30 de outubro; com a implantação da licitação do plano de marketing. Mas devemos lançar uns seis produtos turísticos. O que é muito importante para a Belotur agora é a consolidação de parcerias comerciais e institucionais; ter todos os atores da cadeia unidos pelo mesmo objetivo. O Cachaçatur é um exemplo disso; já nasceu aceito por todos e com todos trabalhando junto por ele. O que demandou muitas reuniões e conversas; se fosse uma relação de hierarquia; se apenas quiséssemos impor nosso ponto de vista aos participantes; seria mais fácil; mas foi uma combinação do produto e da governança simultaneamente.





