
Poucos nomes estão tão diretamente ligados à história do turismo brasileiro quanto Guilherme Paulus. Ao longo de mais de cinco décadas no setor, o empresário passou por diferentes segmentos da indústria de viagens e esteve à frente de movimentos que ajudaram a ampliar o acesso dos brasileiros ao turismo. Fundador da CVC, empresário da hotelaria e da aviação e participante de entidades representativas do setor, Paulus construiu uma trajetória que se confunde com parte da própria evolução do turismo nacional.
É por essa contribuição de longo prazo que Guilherme Paulus recebe o Prêmio M&E – Trajetória & Legado no Turismo, na categoria Legado de Excelência. A homenagem reconhece não apenas os negócios construídos pelo empresário, mas a capacidade de transformar ideias em produtos, destinos e experiências que permaneceram relevantes para o mercado. E a inovação.
De estagiário da IBM ao turismo
A história de Paulus no turismo começou quase por acaso. Antes de ingressar no setor, passou pela IBM e, ainda jovem, trabalhava e estudava. Em 1971, chegou à Faro Turismo, experiência que seria determinante para os rumos de sua carreira. Foi ali que entrou em contato com a operação de viagens e começou a entender um mercado que, naquele momento, ainda era bastante restrito.
Na década de 1970, viajar para o exterior era uma realidade principalmente para consumidores de maior poder aquisitivo. Os roteiros disponíveis eram mais limitados e o turismo de massa ainda dava seus primeiros passos no Brasil. Na Faro, Paulus teve contato com operações internacionais, câmbio e circuitos para destinos como Europa, Nova York e Los Angeles.
Foi também nesse período que conheceu Carlos Vicente Cerchiari, então político do ABC Paulista. O encontro durante uma viagem abriu caminho para uma sociedade que mudaria definitivamente a trajetória de Paulus, e o próprio mercado brasileiro de viagens.
Aos 23 anos, em 1972, os dois fundaram em Santo André a CVC, inicialmente uma pequena agência de viagens. O nome veio das iniciais de Carlos Vicente Cerchiari, com o “V” também associado por Paulus à ideia de vitória. Poucos anos depois, Cerchiari deixou a sociedade, e Paulus passou a conduzir sozinho o negócio.
Uma nova forma de vender viagens
O crescimento da CVC foi acompanhado por uma estratégia que ajudou a modificar o perfil do consumidor brasileiro de viagens. A empresa passou a trabalhar com excursões e pacotes que reuniam transporte, hospedagem, traslados e outros serviços, criando alternativas mais acessíveis para públicos que até então tinham pouca relação com o turismo.
A operação começou com viagens rodoviárias e, posteriormente, avançou para o transporte aéreo e os cruzeiros. A CVC também ampliou sua presença por meio de lojas, franquias e parcerias com agentes de viagens. Ao longo desse processo, destinos brasileiros ganharam espaço nas prateleiras e nos catálogos da operadora, contribuindo para a popularização de lugares como Porto Seguro, Gramado e o Pantanal.
Mais do que fazer a empresa crescer, a trajetória de Paulus ajudou a consolidar uma lógica de turismo de maior escala no País: transformar a viagem em um produto organizado, acessível e comercializável para diferentes perfis de brasileiros.
A CVC se tornou uma das maiores empresas do setor e, em 2009, Paulus participou da operação que levou o fundo Carlyle Group à companhia. A transação marcou uma nova etapa da empresa e posteriormente abriu caminho para sua chegada ao mercado de capitais.
Do turismo de viagens à hotelaria e à aviação
A atuação de Guilherme Paulus, no entanto, nunca ficou restrita à operação de viagens. Em 2005, fundou a GJP Hotels & Resorts, ampliando sua presença para a hotelaria. Antes disso, já havia investido no segmento, inclusive com a aquisição de um hotel em Gramado. A rede chegou a reunir hotéis e resorts em importantes destinos brasileiros.
Outro capítulo importante foi a aquisição da Webjet, em 2006. A companhia aérea cresceu até alcançar posição de destaque no mercado brasileiro e acabou vendida à Gol em 2011.
A trajetória empresarial passou, assim, por diferentes elos da cadeia: agenciamento, operação, transporte rodoviário, aviação, cruzeiros e hotelaria. Em cada etapa, Paulus esteve ligado à criação ou expansão de produtos voltados ao turismo de lazer.
Um legado que também passa pelas entidades do setor
A contribuição de Guilherme Paulus também ultrapassou os negócios. Ao longo da carreira, participou de entidades e fóruns de representação do turismo, incluindo o Conselho Nacional de Turismo, a Abav Nacional e o São Paulo Convention & Visitors Bureau.
Essa dimensão institucional ajuda a explicar a escolha da categoria Legado de Excelência. A trajetória não está apenas nos empreendimentos que criou ou nas empresas que comandou, mas também na participação em uma indústria formada por diferentes atores: agentes de viagens, operadores, hotéis, companhias aéreas, destinos, entidades e poder público.



É uma visão que o próprio empresário destaca ao falar sobre o reconhecimento do M&E. Para Paulus, a construção do turismo brasileiro nunca foi resultado de uma única pessoa, mas de uma cadeia de profissionais e instituições que, ao longo das décadas, contribuíram para a evolução do setor.
“Receber prêmio é reconhecimento de que alguma coisa boa você fez. É a imprensa que divulga o turismo e fala com os empresários do setor, o que valoriza cada dia mais a profissão do agente de viagem. As entidades que nós temos como a Abav, o Sindetur, a Embratur e o MTur vem de encontro, e o CVB também. Já tive o prazer de ser presidente em São Paulo junto com o Toni, e tudo isso é uma união. Uma andorinha só não faz verão. Agradeço a Deus, meus amigos e a imprensa por tudo. Agradeço ao M&E, Roy, Rosa e todos voces, que tem o dom de divulgar e construir nosso setor”.
Ao revisitar a própria carreira, Paulus também destaca o quanto sua trajetória foi construída a partir de encontros, oportunidades e transformações que aconteceram dentro do próprio mercado.
“Começar com 17 anos como estagiário da IBM, jamais imaginava uma trajetória no turismo. Depois entrei na Faro Turismo, com o Dr. Mario, e aprendi muito. Aprendi muito com muita gente e conhecendo o mundo e isso é uma dádiva”.
Uma trajetória que se tornou referência
O que faz de Guilherme Paulus um nome associado ao legado do turismo brasileiro é justamente a extensão dessa trajetória. Ele começou como jovem profissional, entrou no mercado de viagens em um momento em que o turismo ainda era restrito a uma parcela pequena da população e, ao longo das décadas, participou da transformação desse cenário, democratizando, de fato, as viagens e o setor.
Sua atuação ajudou a aproximar o turismo do consumidor brasileiro, ampliar a comercialização de destinos, profissionalizar produtos e conectar diferentes segmentos da cadeia.
Hoje, mesmo olhando para trás, Paulus enxerga a evolução do turismo como um processo coletivo e contínuo.
“Tenho uma trajetória longa com o turismo e isso é gratificante. Conheci muita coisa e isso me ajudou a transformar um turismo forte. A vida te gera complementos. Se a gente lembrar Graham Bell inventou o telefone e Steve Jobs, o celular, foi uma evolução. E acho que é isso que eu contribui, na evolução do setor. As entidades também promovem essas inovações e evolução. E eu tive o dom de conseguir transformar essa minha habilidade e vontade de promover o acesso as viagens aos brasileiros e desenvolver produtos e destinos e isso é algo que muito me orgulha”, completou.
É nessa perspectiva que o Prêmio M&E – Trajetória & Legado no Turismo reconhece Guilherme Paulus. Mais do que uma empresa ou um negócio específico, sua trajetória representa diferentes momentos da evolução do turismo brasileiro, e uma carreira que ajudou a levar a atividade a uma escala que, na década de 1970, ainda parecia distante.
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A entrega do prêmio será realizada durante a Abav Expo 2026, em coquetel no estande do M&E. A iniciativa não é competitiva e não envolve inscrições ou votação: os homenageados são escolhidos pelo Conselho Editorial do Mercado & Eventos a partir de suas trajetórias e contribuições para o desenvolvimento do turismo brasileiro.







