
O Mercado & Eventos (M&E) oficializou o lançamento do inédito “Prêmio M&E – Trajetória & Legado no Turismo”, iniciativa que visa eternizar os nomes que moldaram a história da atividade no país. A entrega dos troféus ocorrerá durante a Abav Expo 2026, em um coquetel exclusivo no estande do veículo.
Com caráter não competitivo e definição a cargo do Conselho Editorial do M&E, a premiação conta com o patrocínio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA).
Presidente da FBHA e diretor da CNC, Alexandre Sampaio conversou com exclusividade com o M&E. Na entrevista a seguir, o executivo detalha as prioridades do setor, como a urgência de preservar a capacidade de contratar, além de analisar os impactos da reforma tributária, os custos operacionais e os rumos do turismo para 2027.

Entrevista com Alexandre Sampaio
M&E – A CNC e a FBHA são as patrocinadoras oficiais do Prêmio M&E Trajetória e Legado no Turismo. Por que é tão importante reconhecer o trabalho daqueles que fazem o turismo evoluir no nosso país?
ALEXANDRE SAMPAIO – O turismo é construído por pessoas que abriram caminhos, enfrentaram desafios, inovaram e contribuíram para o desenvolvimento do setor. Reconhecer essas trajetórias é preservar a memória do turismo brasileiro e oferecer referências para as novas gerações. Por isso, a CNC e a FBHA têm satisfação em apoiar o Prêmio M&E – Trajetória & Legado no Turismo, que valoriza profissionais que contribuíram para a evolução, a profissionalização e o fortalecimento do setor
M&E – O ano de 2026 trouxe muitas discussões. Dentre os pleitos trabalhados pela FBHA, quais tiveram avanço, vitória, e entraves? O que merece ser ressaltado como ponto de atenção e que terá grande impacto no turismo?
ALEXANDRE SAMPAIO – O ano ainda não terminou, mas nossa participação na discussão da regulamentação da reforma tributária tem sido decisiva para assegurar os 40% de redução das alíquotas de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) aplicáveis aos serviços de hotelaria e aos restaurantes, no regime específico previsto na Lei Complementar nº 214/2025. Essa conquista está no texto da lei, mas precisa ser preservada na regulamentação infralegal e no funcionamento do Comitê Gestor do IBS, pois é ali que se define se o benefício chega, na prática, ao caixa das empresas. Esse é o principal ponto de atenção para o turismo.
Não conseguimos avançar para uma sistemática adequada de cobrança de direitos autorais no meios de hospedagem, que segue como um custo relevante e sem contrapartida para o setor. E creio que a regulamentação das plataformas de hospedagem será o grande desafio daqui para frente, diante do crescimento acelerado da locação por temporada no Rio de Janeiro, a exemplo do que já ocorreu em São Paulo.
Obtivemos, no Rio Grande do Sul, o reconhecimento de que o hotel não pode ser tarifado como se cada apartamento fosse uma residência independente para efeito de tarifa de água, o que foi uma vitória local que evitou abrir um precedente que poderia refletir nacionalmente.
M&E – Olhando para a segunda metade de 2026 e o planejamento para 2027, onde estão as maiores oportunidades de crescimento — no turismo doméstico, no corporativo ou em eventos? E como a inflação do setor e as tarifas aéreas continuam impactando a taxa de ocupação?
ALEXANDRE SAMPAIO: O calendário eleitoral traz incerteza no curto prazo, mas nosso planejamento não depende do resultado das urnas. Independentemente de quem vença, acreditamos que o corporativo deve continuar crescendo nas regiões agrícolas e nas cidades com grandes investimentosnos setores industrial, de mineração, de geração de energia e de tecnologia. Os eventos são e continuarão sendo fundamentais e, para captá-los, precisamos de mais centros de convenções e de uma política consistente de atração de eventos internacionais.
Quanto aos custos, a preocupação não é apenas com a inflação ao consumidor: energia, água e saneamento, alimentos e folha de pagamento pressionam a diária média muito mais do que o hóspede percebe, e boa parte desses insumos é regulada. As tarifas aéreas seguem como gargalo para o turismo doméstico, e o avanço da aviação regional é condição para destravar destinos fora do eixo tradicional.

M&E – Entre discussões de redução de jornada de trabalho e o custo da mão de obra, qual é a prioridade número um da FBHA junto ao Congresso e ao Governo Federal para garantir que o turismo continue contratando e expandindo em 2027?
ALEXANDRE SAMPAIO: A prioridade número um é uma só: preservar a capacidade de contratar. E isso passa, antes de tudo, por uma tributação compatível com a realidade de setores intensivos em mão de obra e com baixa apropriação de créditos, como turismo, hospedagem, alimentação e serviços.
A mesma lógica deve orientar as discussões sobre jornada e escala de trabalho. O setor não é contrário à evolução das relações de trabalho, mas qualquer mudança precisa considerar o impacto sobre o custo da contratação e sobre a sustentabilidade dos empregos formais. Reduzir jornada sem discutir como compensar o aumento do custo do trabalho pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado: menos empregos formais e mais informalidade.
Em seguida vem o patamar da taxa básica de juros: no nível atual, novos investimentos e empreendimentos só se viabilizam para grupos estrangeiros ou empresas muito capitalizadas. Também precisamos preservar o Sistema S, fundamental para a qualificação dos trabalhadores. O que a FBHA defende é um ambiente em que seja possível investir, empreender e, principalmente, continuar contratando.
M&E – A FBHA manifestou forte preocupação com o reajuste de comissões por grandes plataformas de reserva, como a Booking, ao mesmo tempo em que cobra regras mais isonômicas para o aluguel por temporada. Como a entidade pretende avançar na regulação dessas plataformas digitais no Conselho Nacional de Turismo para proteger as margens dos hotéis e pousadas?
ALEXANDRE SAMPAIO – Não só manifestamos preocupação como encaminhamos, em parceria com o FOHB, o assunto ao CADE e ao Ministério Público Federal. O ponto central é a assimetria na relação entre plataformas e meios de hospedagem: reajustes unilaterais de comissão, cláusulas de paridade tarifária e critérios pouco transparentes de ranqueamento afetam diretamente a margem de hotéis e pousadas, sobretudo dos independentes e de pequeno porte.
No âmbito do Conselho Nacional de Turismo vamos dar notícia de nossa atuação, assim como propor que o Ministério do Turismo tenha papel mais ativo na busca de um entendimento entre as partes.
Em relação às plataformas digitais, defendemos isonomia regulatória: quem hospeda com habitualidade e finalidade econômica deve cumprir as mesmas obrigações exigidas dos meios de hospedagem, como: cadastro no Cadastur, registro de hóspedes, segurança contra incêndio, licenciamento sanitário e recolhimento de tributos. Não pedimos a proibição de ninguém; pedimos regras iguais para quem exerce a mesma atividade.







