Museu do Amanhã comemora 10 anos com entrada grátis e estreia de exposição
“Oceano – O Mundo é Um Arquipélago” estreia em 17 de dezembro, quarta-feira, compondo as celebrações de uma década de existência do museu mais visitado do Brasil (Albert Andrade/Museu do Amanhã)

Há dez anos, em 17 de dezembro de 2015, na Praça Mauá, Zona Portuária do Rio, surgia a curiosa estrutura branca, projetada por Santiago Calatrava, cujo formato até hoje inspira a imaginação de cariocas e turistas. Hoje, após uma década, o Museu do Amanhã se consolidou como referência mundial, tendo atraído mais de 8 milhões de visitantes. Nesta quarta-feira (17), o aniversariante abre suas portas para a cidade que o acolheu, convidando a todos para celebrar sua trajetória, com entrada gratuita durante todo o dia.

O Diretor do Museu, Cristiano Vasconcelos, destaca que esse marco é uma amostra do acolhimento que o museu recebeu por parte dos brasileiros e dos tantos turistas estrangeiros que aportaram. Ele antecipa que no dia 17 haverá a estreia de uma programação especial, que seguirá ao longo de 2026. “Muito nos orgulha o fato de sermos um museu popular, frequentado por pessoas de todas as classes sociais, e por sermos a primeira experiência museal de muita gente”, completa.

Na ocasião do aniversário, o Museu do Amanhã apresenta gratuitamente ao público o resultado da primeira etapa da renovação de sua exposição permanente. Substituindo o espaço anteriormente conhecido como “Antropoceno” pela sala intitulada “Onde Estamos?”, a área revitalizada apresenta um novo vídeo instalação, assinado pelo diretor Estevão Ciavatta Pantoja e oferece uma experiência imersiva sobre o tempo presente. A curadoria é de Fabio Scarano, Liana Brazil e Luís Roberto Oliveira.

Nova exposição: “Oceano – O Mundo é um Arquipélago”

Museu do Amanhã comemora 10 anos com entrada grátis e estreia de exposição
o Museu do Amanhã apresenta gratuitamente ao público o resultado da primeira etapa da renovação de sua exposição permanente: Onde Estamos? (Michel Almeida/Museu do Amanhã)

Um dos destaques do aniversário do Museu do Amanhã é a estreia da exposição temporária “Oceano – O Mundo é um Arquipélago”. A mostra se desenvolve a partir dos eixos “Memória”, “Atenção” e “Antecipação”, alinhados aos Sete Princípios da Cultura Oceânica da UNESCO, que afirmam a existência de um único oceano global até sua influência decisiva no clima, na habitabilidade da Terra e na diversidade de ecossistemas.

Esses princípios se materializam nas salas expositivas:

  • Mergulho: O público inicia a jornada em um ambiente que busca reativar no público memórias de origem e imersão. A sala é quase toda escura, com luz e imagem das águas vinda do alto, para dar a sensação de se estar embaixo d’água;
  • Vida: O público encontra desde organismos microscópicos até espécies gigantes, como o esqueleto de orca de sete metros, cedido à exposição pelo Museu Nacional , suspenso no salão principal acompanhado por projeções mapeadas da espécie;
  • Borda: O oceano é apresentado em estrutura no teto da sala como um sistema atento, sensível às pressões humanas, cujas respostas, como a elevação do nível do mar, revelam sua inteligência e agência ecológica;
  • Arquipélago: reúne obras contemporâneas que exploram as conexões culturais, simbólicas e afetivas com o mar, entendido como “hidrovia que nos une” em escala planetária;
  • Naufrágio: apresenta um ambiente de instabilidade em que palavras emergem e desaparecem na espuma projetada sobre o piso, representando comportamentos coletivos que precisamos abandonar para construirmos futuros mais sustentáveis;
  • Travessia, esforço coletivo: encerra o circuito com a metáfora de que navegar por outros futuros é um gesto necessariamente compartilhado.

A ideia nasce de uma premissa fundamental: a de que a vida, em todas as suas formas, é inteligente e que essa inteligência se manifesta também nas profundezas marinhas. A mostra revisita o oceano como origem da nossa existência, recuperando memórias imersivas que nos conectam ao momento em que os primeiros organismos transformaram o planeta e produziram o ar que respiramos. A jornada convida o visitante a experimentar essa ancestralidade por meio de ambientes sensoriais que simulam luz, textura e movimento das águas. Patrocinada pela Repsol e apoiada pela Fundação Grupo Boticário, a entrada gratuita é um presente oferecido por Santander, Shell, Vale, Motiva, IBM, TAG e Engie.

A exposição “Oceano – O Mundo é um Arquipélago” tem curadoria de Fabio Scarano, Camila Oliveira e Caetana Lara Resende e se junta a outras 60 já realizadas nestes dez anos. Entre elas, estão grandes marcos da história do Museu do Amanhã como “Amazônia” (2022), de Sebastião Salgado; “O Poeta Voador: Santos Dumont” (2016), que apresentou uma réplica do avião 14 Bis; “Coronaceno: Reflexões em Tempos de Pandemia” (2021); e, em 2025, “Claudia Andujar e Seu Universo”, um recorte da obra de Claudia Andujar em diálogo com outros artistas, e “Água Pantanal Fogo”, de Lalo de Almeida e Luciano Candisani.

Um museu sobre futuros

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Uma premissa do Museu é o diálogo constante com o território da Pequena África, onde se encontra (Divulgação/Embratur)

Além da intensa agenda cultural, o Museu do Amanhã também foi movimentado ao longo desses dez anos por mais de mil atividades públicas que alcançaram cerca de 50 mil participantes diretos e por programas educativos contínuos que impactaram mais de 27 mil pessoas. Paralelamente, recebeu autoridades e personalidades de renome mundial em eventos como os do G20 e como o Prêmio Earthshot Prize, concedido pelo Príncipe William, do Reino Unido.

Com forte atuação na agenda climática, se tornou a sede de diversos projetos científicos, em destaque a Cátedra Unesco de Alfabetização de Futuros , liderada pelo curador da instituição, o professor e ecólogo Fabio Scarano, considerado um dos cem cientistas mais relevantes do Brasil. A Cátedra tem papel estratégico na formação de capacidades para imaginar, antecipar e construir futuros desejáveis, conectando ciência, educação e cultura em iniciativas voltadas para os grandes desafios do século XXI. Outro destaque é o Mulheres na Ciência e na Inovação, que visa a equidade de gênero na produção científica e tecnológica.

Uma premissa do Museu é o diálogo constante com o território da Pequena África, onde se encontra. Por isso, desenvolve o Vizinhos do Amanhã, que se configura por uma série de projetos como o coral Uma Só Voz, formado pela população de rua da região, e o Entre Museus, que leva estudantes matriculados nas escolas próximas para um passeio pelos museus do centro do Rio. No dia 17, será inaugurada mais uma iniciativa relacionada ao território: uma instalação artística em forma de banco de praça, composta por azulejos produzidos por alunos das escolas públicas da região.

E do chão da Pequena África, o Museu partiu para voos internacionais. Seu caráter disruptivo o tornou uma referência mundial, inspirando outros museus e institutos de ciência e cultura ao redor do planeta. Hoje, é parte fundamental do FORMS (Futures-Oriented Museum Synergies), uma rede global de museus orientados para o futuro dentro da qual articula parcerias e trocas de experiências culturais, acadêmicas, e artísticas. Entre os membros do grupo, estão o museu Futurium, de Berlim, e o Museum Of The Future, de Dubai, ambos fundados após 2015.

O empresário Ricardo Piquet se envolveu diretamente com o Museu desde sua concepção e acompanhou cada etapa de seu projeto de construção. Após a inauguração, já na diretoria-geral do IDG (Instituto de Desenvolvimento e Gestão), a Organização Social que gere o Museu, ele esteve à frente de um modelo de gestão inovador, garantindo a sustentabilidade financeira do espaço por meio de uma receita mista, fruto da captação de recursos via Lei Rouanet, aportes pontuais da Prefeitura do Rio, patrocínios, locação para eventos e bilheteria.

O Diretor-Geral relembra da alegria das grandes estreias e da superação da pandemia da covid-19, momento desafiador, que fez a instituição fechar as portas. Quando o Museu do Amanhã foi inaugurado, o compromisso de Piquet foi de ir além foi assumido, por meio da cooperação e diversas expressões da inteligência e cultura como forças de transformação social. “Hoje somos referência internacional em museus voltados para o futuro, com projetos que aproximam a população da comunidade científica e inspiram a construção de amanhãs mais sustentáveis. Cada projeto é um compromisso com o presente e um investimento nos futuros que desejamos”, completa.