
O turismo de neve deixou de ser exceção e passou a ocupar espaço relevante no radar do viajante brasileiro. Impulsionadas pelo inverno no hemisfério norte e pelo apelo de experiências que combinam paisagens extremas, esportes e adrenalina, as viagens para destinos gelados vêm crescendo e exigindo um nível maior de preparo, financeiro, físico e logístico.
Dados da Braztoa indicam que 27% das operadoras brasileiras diversificaram, em 2025, a oferta de produtos ligados à neve, acompanhando uma demanda que não para de avançar. No cenário internacional, o movimento é semelhante. Um levantamento da Organização Mundial do Turismo (UNWTO) aponta que a temporada 2023/2024 registrou 366 milhões de visitas às estações de esqui ao redor do mundo, consolidando o turismo de inverno como um mercado em expansão.
A expectativa para a temporada 2025/2026 é positiva, especialmente para roteiros que envolvem esportes e atividades em ambientes extremos. Mas o crescimento vem acompanhado de novos desafios. Diferentemente de uma viagem convencional, experiências na neve exigem atenção às normas locais, escolha criteriosa de operadores e, em muitos casos, preparo físico adequado.
Atividades como esqui fora de pista, trilhas em gelo e caminhadas em regiões de altitude demandam planejamento detalhado, que inclui entendimento do grau técnico, duração dos deslocamentos e riscos envolvidos. Informar familiares ou amigos sobre o roteiro também é uma medida simples, mas fundamental em situações de emergência.
Em destinos de inverno, segurança não é detalhe. Muitos países adotam regras rígidas para acesso a áreas montanhosas, controle de riscos e certificação obrigatória de guias. Para montanhismo em neve e alta montanha, a recomendação é buscar profissionais credenciados por entidades internacionais, como a UIAGM. Já atividades aquáticas em regiões frias exigem o cumprimento de protocolos de organizações como a PADI.
O equipamento adequado é outro fator decisivo. Roupas térmicas, camadas impermeáveis, botas específicas, adesivos de aquecimento corporal e kits básicos de primeiros socorros fazem parte do checklist de quem se aventura em ambientes gelados. Em áreas remotas, essa preparação ajuda a lidar com mudanças bruscas de clima, baixa visibilidade e risco de avalanches, situações que podem levar autoridades a interditar regiões inteiras.
O seguro-viagem internacional com cobertura específica para esportes de inverno deixou de ser opcional. Planos tradicionais, na maioria dos casos, não cobrem acidentes em modalidades como esqui ou snowboard, o que pode gerar custos elevados em caso de atendimento médico ou resgate.
A logística financeira também merece atenção. Regiões de montanha costumam ter vilas pequenas, conectividade limitada e menor aceitação de cartões. Diversificar o acesso ao dinheiro é essencial, combinando moeda estrangeira em espécie com cartão pré-pago internacional, que funciona como débito e costuma ter melhor aceitação em hotéis, restaurantes e serviços locais. Ter dinheiro em papel segue sendo importante para estabelecimentos menores ou situações emergenciais.
A conectividade, por sua vez, pode falhar em áreas afastadas ou em altitudes elevadas. O uso de eSIM internacional surge como alternativa para manter comunicação, acessar mapas, serviços de emergência e informações em tempo real, mesmo onde o Wi-Fi não chega.
“Quando o viajante se prepara com antecedência e adota medidas práticas que complementam o planejamento, aproveita melhor o destino e viaja com muito mais segurança”, afirma Jorge Arbex, diretor do Grupo Travelex Confidence.







