
JOÃO PESSOA — A jornada de compra de uma viagem mudou e, para o Google, ela quase sempre começa com uma busca. Durante a Convenção de Vendas da CVC, executivos da empresa apresentaram dados sobre comportamento digital e defenderam que as agências físicas ainda têm papel central na decisão do consumidor, desde que consigam se posicionar corretamente no ambiente online.
“Quando falamos que uma empresa é digital, não estamos falando apenas de ter um e-commerce”, disse Fabio Celeri, executivo do Google, durante a apresentação. “Uma empresa realmente digital consegue estar exatamente onde o consumidor está.”
Segundo ele, o comportamento do brasileiro na internet mudou rapidamente nos últimos anos, impulsionado principalmente pelo celular e pelo uso crescente de inteligência artificial. As pesquisas feitas no Google estão mais longas e detalhadas do que antes. Em alguns casos, o número de palavras usadas nas buscas quadruplicou no último ano. O motivo é simples: as pessoas passaram a pesquisar de outras formas.
“Elas buscam por voz, por imagem e começam a estabelecer uma espécie de diálogo com as plataformas”, explicou o executivo.
Esse movimento também está ligado ao acesso massivo ao smartphone no país. Hoje, a maioria das pesquisas acontece diretamente pelo celular, o que muda completamente a forma como os consumidores procuram informações.
“O comportamento do consumidor é previsivelmente imprevisível. Cada pessoa faz uma jornada diferente até decidir uma viagem.”
900 milhões de buscas por viagens
Na sequência da apresentação, Ivan Bassani, também executivo do Google, trouxe um número que chamou a atenção da plateia formada por agentes de viagens: 900 milhões de buscas relacionadas a turismo feitas por brasileiros em apenas um ano. Para ele, esse volume representa uma oportunidade clara para o setor.
“Esse número não é só um número. É praticamente um tsunami”, disse Bassani. “Nosso objetivo é entender esse consumidor e surfar essa onda, levando todo esse tráfego para dentro das lojas.”
A vitrine digital das agências
Um dos principais pontos da apresentação foi o papel do Google Business Profile, ferramenta que reúne informações das empresas nas buscas e no Google Maps. Para Bassani, muitas agências ainda tratam esse espaço como um simples cadastro online, quando na verdade ele funciona como a primeira impressão da loja.
“Antes de o cliente pisar na loja, ele viu o perfil de vocês no Google”, afirmou.
Segundo dados apresentados pelo executivo, três em cada quatro consumidores encontram negócios desse tipo por meio da plataforma. Quando o perfil está completo, com fotos atualizadas, avaliações respondidas e informações claras, os resultados podem ser significativos.
“Perfis bem estruturados podem gerar até cinco vezes mais visualizações e aumentar em até 50% as chances de fechar uma venda”, disse.
O peso das avaliações
Outro fator considerado decisivo são os comentários de clientes. Bassani explicou que as avaliações funcionam como uma espécie de recomendação pública, capaz de influenciar diretamente a escolha do consumidor.
“Duas em cada três pessoas tomam decisões com base em avaliações online”, afirmou.
Por isso, responder comentários, elogios ou críticas passou a ser parte da estratégia de presença digital das agências.
Intenção + conveniência
A combinação entre busca no Google e conversa direta pelo WhatsApp também foi citada como um dos caminhos mais rápidos para transformar interesse em venda. Segundo os executivos, o processo pode ser simples: o consumidor pesquisa um destino, encontra a loja no Google e inicia uma conversa imediata.
“Estamos unindo intenção e conveniência”, explicou Bassani.
Na prática, a lógica é clara: o cliente demonstra interesse na busca e, poucos segundos depois, pode estar falando diretamente com um agente de viagens.
O novo jogo do turismo
Para os executivos do Google, o futuro do turismo não depende apenas da presença online, mas da capacidade de integrar diferentes canais. A busca continua sendo o ponto de partida, mas a venda pode acontecer em qualquer lugar.
“O turismo dos próximos anos será dominado por quem dominar a conveniência”, concluiu Bassani.
E, nesse cenário, o digital deixa de ser apenas uma vitrine e passa a funcionar como porta de entrada para a experiência dentro da loja.
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