São Paulo
Índice analisou 84 cidades e aponta os mercados com maior potencial para novos projetos nos segmentos econômico, médio e alto padrão (Magnific)

São Paulo não lidera todos os segmentos do mercado imobiliário brasileiro. De acordo com o Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), Fortaleza é a cidade com maior atratividade para novos projetos de padrão econômico, enquanto São Paulo lidera no médio padrão e Brasília aparece na primeira posição entre os imóveis de alto padrão.

Os dados são referentes ao segundo trimestre de 2026 e fazem parte do IDI Brasil, elaborado pelo ecossistema Sienge e CV CRM, com metodologia do Grupo Prospecta e parceria da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O levantamento analisou 84 cidades brasileiras.

O índice considera fatores como procura direta por imóveis, dinâmica econômica, oferta de terceiros e potencial para novos lançamentos. A proposta é identificar os mercados com maior capacidade de absorção de novos empreendimentos a partir do comportamento dos compradores.

Segundo Gabriela Torres, gerente executiva de Dados e Inteligência do Ecossistema Sienge, os movimentos fora das capitais também chamam atenção no levantamento.

Fortaleza lidera demanda por imóveis econômicos

Fortaleza, São Paulo ou Brasília? Veja onde está a maior demanda por imóveis no Brasil em 2026
No segmento econômico, destinado a famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 12 mil e imóveis com valores entre R$ 115 mil e R$ 575 mil, Fortaleza aparece na primeira posição, com nota 0,868 (Magnific)

A capital cearense mantém a liderança pelo quarto trimestre consecutivo. São Paulo, com 0,839, e Curitiba, com 0,827, completam as três primeiras posições.

As dez cidades mais atrativas para projetos de padrão econômico são:

  1. Fortaleza (CE) — 0,868
  2. São Paulo (SP) — 0,839
  3. Curitiba (PR) — 0,827
  4. Goiânia (GO) — 0,816
  5. Recife (PE) — 0,766
  6. Salvador (BA) — 0,706
  7. Brasília (DF) — 0,702
  8. Belo Horizonte (MG) — 0,654
  9. Rio de Janeiro (RJ) — 0,650
  10. Aracaju (SE) — 0,634

O topo do ranking permanece estável nos últimos trimestres, com Fortaleza, São Paulo e Curitiba nas primeiras posições.

Apesar disso, o levantamento identifica mudanças entre outros mercados. Em Santa Catarina, Florianópolis caiu da 12ª para a 21ª posição no padrão econômico, em meio à redução da velocidade de vendas de novos lançamentos.

Chapecó fez o movimento contrário e subiu da 28ª para a 18ª posição. Joinville também avançou, passando do 29º para o 19º lugar. Nos dois casos, o avanço foi associado à aceleração das vendas.

São Paulo lidera no médio padrão

No mercado de médio padrão, destinado a famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 24 mil e imóveis entre R$ 575 mil e R$ 811 mil, São Paulo ocupa a liderança nacional, com nota 0,832.

Curitiba e Goiânia aparecem na sequência.

As dez cidades mais atrativas para novos projetos de médio padrão são:

  1. São Paulo (SP) — 0,832
  2. Curitiba (PR) — 0,771
  3. Goiânia (GO) — 0,758
  4. Recife (PE) — 0,714
  5. Brasília (DF) — 0,692
  6. Maringá (PR) — 0,688
  7. Fortaleza (CE) — 0,668
  8. Itajaí (SC) — 0,660
  9. Belo Horizonte (MG) — 0,657
  10. Rio de Janeiro (RJ) — 0,638

Recife foi um dos destaques do trimestre. A cidade saltou da 15ª para a quarta colocação no ranking.

De acordo com o IDI Brasil, Recife foi a única capital a avançar nos três segmentos analisados. No médio padrão, o movimento foi associado principalmente à aceleração das vendas de lançamentos com mais de 12 meses, sinalizando maior absorção do estoque disponível.

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Brasília lidera o mercado de alto padrão

No alto padrão, destinado a famílias com renda superior a R$ 24 mil e imóveis a partir de R$ 811 mil, Brasília aparece na liderança, com nota 0,875.

São Paulo ocupa a segunda posição, com 0,858, seguida por Fortaleza, com 0,813.

As dez cidades mais atrativas para projetos de alto padrão são:

  1. Brasília (DF) — 0,875
  2. São Paulo (SP) — 0,858
  3. Fortaleza (CE) — 0,813
  4. Goiânia (GO) — 0,775
  5. Rio de Janeiro (RJ) — 0,761
  6. Curitiba (PR) — 0,718
  7. Recife (PE) — 0,669
  8. Florianópolis (SC) — 0,664
  9. Porto Belo (SC) — 0,638
  10. Itajaí (SC) — 0,609

Brasília e São Paulo mantêm as duas primeiras posições no segmento. Recife novamente aparece entre os mercados que avançaram, sendo a única capital a melhorar sua colocação nos três padrões avaliados.

O interior de São Paulo também ganhou espaço no alto padrão. Sorocaba e Ribeirão Preto entraram no Top 20 nacional e se juntaram a Jundiaí e Campinas.

Com isso, quatro cidades do interior paulista passaram a figurar entre as 20 primeiras posições do ranking nacional de alto padrão.

Demanda varia dentro da própria cidade de São Paulo

O levantamento também analisou a demanda imobiliária dentro da capital paulista, dividindo o município entre as zonas Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro.

Os dados mostram que a demanda varia de acordo com o padrão do imóvel. A Zona Oeste se destaca nos segmentos econômico e médio, enquanto a Zona Sul lidera no alto padrão.

No padrão econômico, a Zona Oeste ocupa a primeira posição. Entre os fatores considerados estão a dinâmica econômica e a baixa oferta de imóveis usados. Apesar da redução na procura ativa, a região registrou aumento no ritmo de vendas de novos lançamentos.

No médio padrão, a Zona Oeste mantém a liderança há oito trimestres consecutivos. O resultado é sustentado pela procura direta e pela velocidade de venda dos imóveis disponíveis.

No alto padrão, a região ocupa a segunda posição. A queda na velocidade de vendas de novos lançamentos foi compensada pela procura ativa e pela dinâmica econômica, que permanece no nível máximo da escala utilizada pelo índice.

A Zona Sul concentra seu desempenho no alto padrão. A região lidera o segmento há quatro trimestres consecutivos e apresenta quatro dos seis indicadores no nível máximo, incluindo a demanda direta.

No médio padrão, a Zona Sul aparece em segundo lugar, com influência da aceleração nas vendas de novos lançamentos. No segmento econômico, ocupa a terceira posição.

A Zona Leste, por sua vez, apresenta um mercado sustentado principalmente pela procura dos compradores. No padrão econômico, fica em segundo lugar, favorecida pela demanda direta no nível máximo da escala.

A região, porém, enfrenta dificuldades na velocidade de venda de novos lançamentos. No médio padrão e no alto padrão, ocupa a terceira posição.

Na Zona Norte, os dados indicam sinais de recuperação, especialmente nas vendas de imóveis que já estão disponíveis no mercado. Ao mesmo tempo, a região perdeu ritmo nos novos lançamentos.

A Zona Norte ocupa a quarta posição no padrão econômico e a quinta no alto padrão.

O Centro apresenta os indicadores mais baixos entre as regiões analisadas. A área aparece na última colocação no padrão econômico, fica em quarto lugar no médio padrão e também apresenta desempenho inferior no alto padrão.

O resultado do IDI Brasil mostra que a demanda imobiliária não está concentrada em um único mercado. Enquanto Fortaleza mantém a liderança no segmento econômico, São Paulo se destaca no médio padrão e Brasília lidera entre os imóveis de maior valor. Fora das capitais, cidades como Chapecó, Joinville, Sorocaba e Ribeirão Preto também aparecem entre os mercados que ganharam espaço no trimestre.

Com informações de Exame.