
O aumento dos acidentes com escorpiões no Brasil também chega ao radar do turismo, principalmente em viagens para destinos de natureza, áreas rurais, hotéis-fazenda, campings e hospedagens próximas a ambientes com vegetação. Um estudo realizado por pesquisadores do Instituto Butantan, da Universidade de São Paulo (USP), do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo identificou mais de 1,7 milhão de acidentes com escorpiões e 1.230 mortes no país entre 2012 e 2024. Minas Gerais, São Paulo e Bahia estão entre os estados que concentram as áreas de maior risco.
O levantamento analisou os 5.570 municípios brasileiros e apontou crescimento de 349% nos registros de acidentes provocados por escorpiões ao longo do período estudado. O cenário chama atenção para viajantes que circulam por regiões de maior ocorrência, especialmente durante períodos de temperaturas mais altas, quando os animais tendem a aparecer com maior frequência.
Para o turismo, a recomendação não é evitar destinos, mas incorporar medidas de prevenção à rotina de viagens, sobretudo quando o roteiro inclui contato com áreas naturais, trilhas, propriedades rurais ou hospedagens onde o acesso ao ambiente externo é maior.
Escorpiões no turismo exigem atenção em viagens de natureza
O Ministério da Saúde explica que os escorpiões são aracnídeos encontrados principalmente em regiões tropicais e subtropicais. No Brasil, o aumento da incidência de acidentes está relacionado, entre outros fatores, à elevação das temperaturas e da umidade. O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie de maior preocupação para a saúde pública, devido ao potencial de gravidade do envenenamento e à capacidade de adaptação ao ambiente urbano.
Esse comportamento faz com que o risco não esteja restrito a áreas de mata ou locais afastados dos centros urbanos. Escorpiões podem ocupar redes de esgoto, tubulações, ralos, caixas de fiação e outros espaços que ofereçam abrigo, água e alimento. Para o viajante, isso significa que cuidados básicos também devem ser adotados dentro de hotéis, pousadas, casas de temporada, campings e outros meios de hospedagem.
Em setembro de 2026, o Instituto Butantan voltou a alertar para o aumento da presença de escorpiões durante os períodos de temperaturas mais elevadas. Segundo informações divulgadas pelo instituto, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os animais costumam ser encontrados com maior frequência entre setembro e fevereiro. No Norte e no Nordeste, onde as temperaturas permanecem elevadas durante grande parte do ano, a ocorrência pode ser registrada ao longo de todos os meses.
Minas Gerais, São Paulo e Bahia concentram áreas de atenção

Os três estados também possuem forte presença no turismo brasileiro e reúnem diferentes modalidades de viagem. Minas Gerais concentra destinos históricos, serras, cachoeiras e propriedades rurais. São Paulo combina áreas urbanas com regiões de Mata Atlântica, estâncias e destinos de natureza. Já a Bahia possui destinos de praia, áreas de conservação, regiões de interior e roteiros de ecoturismo.
A presença do animal, portanto, não significa que um destino turístico específico seja inseguro. O risco depende das condições locais, ambientais e de infraestrutura. A própria adaptação do escorpião ao ambiente urbano amplia a possibilidade de encontro em diferentes contextos.
Viagens para áreas naturais pedem cuidados adicionais

O cuidado começa antes mesmo de sair para uma atividade. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda que viajantes em regiões onde há escorpiões verifiquem roupas e calçados antes de utilizá-los, especialmente quando esses itens ficaram fora durante a noite. A orientação também inclui o uso de roupas que protejam braços e pernas em áreas com presença conhecida desses animais.
O Parque Nacional de Big Bend, nos Estados Unidos, também orienta visitantes que acampam ou passam a noite ao ar livre a verificar roupas, calçados e equipamentos que tenham permanecido fora durante a noite. A recomendação faz parte das orientações de segurança do próprio parque para visitantes. No Brasil, o Instituto Butantan recomenda ainda manter ralos protegidos por telas, evitar o acúmulo de materiais de construção e lixo e controlar a presença de baratas, que servem de alimento para os escorpiões.
Hotéis, pousadas e campings também entram no alerta
A prevenção também envolve os meios de hospedagem. Em locais cercados por vegetação, propriedades rurais ou áreas de conservação, medidas de manutenção podem reduzir as condições que favorecem a presença dos animais. O Ministério da Saúde recomenda evitar o acúmulo de entulho e manter ambientes limpos, enquanto o Instituto Butantan destaca a importância de telas em ralos e do controle de insetos que servem como alimento para os escorpiões.
Locais dentro das residências que podem servir de abrigo, como sapatos, roupas deixadas no chão, frestas, móveis encostados nas paredes e ralos sem proteção. Para quem viaja, a orientação pode ser incorporada à chegada ao meio de hospedagem: conferir calçados antes de colocá-los, evitar deixar roupas no chão e observar locais escuros ou pouco movimentados.
O alerta ocorre em um momento em que viagens associadas à natureza continuam fazendo parte da oferta turística brasileira. O Ministério do Turismo destaca trilhas, cachoeiras, observação de vida silvestre e experiências em áreas naturais entre as atividades ligadas ao turismo de natureza.
Levantamento da Rede de Inteligência de Mercado no Turismo, vinculada ao Ministério do Turismo, também aponta interesse dos brasileiros por diferentes modalidades de viagem. Turismo de aventura aparece com 11% de interesse na pesquisa, enquanto o ecoturismo registra 4%. Entre os destinos avaliados estão Chapada dos Veadeiros, Pantanal, Jalapão, Bonito, Ilha Grande e Fernando de Noronha. A presença de escorpiões em determinadas regiões, portanto, não inviabiliza o turismo de natureza. O ponto central é a informação ao viajante e a adoção de medidas preventivas, principalmente em períodos de maior ocorrência.
O que fazer em caso de picada
Caso ocorra uma picada durante uma viagem, o Ministério da Saúde orienta lavar o local com água e sabão e procurar atendimento médico imediatamente. O serviço de saúde deve avaliar a necessidade de tratamento específico, inclusive a utilização de soro antiescorpiônico quando indicada.
O Instituto Butantan também alerta contra práticas caseiras como fazer torniquete, tentar sugar o veneno ou aplicar substâncias sobre o local da picada. A recomendação é buscar atendimento médico e, se for possível fazer isso sem colocar outra pessoa em risco, levar o animal ou uma fotografia para auxiliar na identificação.







