David Franson, diretor regional de Projeções de Mercado da Boeing para a América Latina e Caribe (Foto: Ana Azevedo/M&E).
David Franson, diretor regional de Projeções de Mercado da Boeing para a América Latina e Caribe (Ana Azevedo/M&E).

SÃO PAULO – Como parte do seu relatório de Perspectivas de Mercado, a Boeing projeta que a América Latina tenha acréscimo de 2.240 novas aeronaves até 2041, em função da alta na demanda pelo serviço de transporte aéreo. O dado foi compartilhado por David Franson, diretor regional de Projeções de Mercado para a América Latina e Caribe da Boeing, durante um encontro realizado em São Paulo, nesta quarta-feira (19).

A afirmação se dá a partir da análise de dados da região, que marca índices de recuperação em relação ao ano de 2019. Conforme a empresa, dos 85% de novas aeronaves que a América Latina terá, o Brasil será responsável por 30% da demanda.

“As companhias aéreas mostraram, durante a pandemia, que sabem trabalhar com a inflação”

Segundo David, a modernização das frotas considera o fator da sustentabilidade e em meio a um cenário de inflação mundial, o executivo apontou que este não será um empecilho para o processo de troca dos aviões. As trocas de aeronaves estão sendo feitas por modelos mais econômicos, como o 737 MAX, 787 Dreamliner e 777X.

“As novas aeronaves são mais sustentáveis e queimam de 10% a 15% menos combustível do que as versões anteriores, o que faz com que estejamos mais próximos do objetivo de voar com emissão neutra de carbono. As companhias aéreas mostraram, durante a pandemia, que sabem trabalhar com a inflação e além disso, o preço não é o único aspecto que compõe o fator de decisão para aquisição. Quando falamos em viagens, também analisamos a infraestrutura e serviço”, explica.

Recuperação na América Latina

Conforme projeção da Boeing, até 2041, o tráfego de passageiros na região deve crescer 4,4% ao ano na América Latina. A demanda por serviços comerciais de pós-venda, incluindo manutenção e reparo, deve movimentar US$ 135 bilhões e a frota de cargueiros na região deve crescer quase 50% e atingir 160 aviões, de acordo com as tendências globais de demanda de carga aérea de longo prazo.

David também aponta que a taxa de substituição de aeronaves é mais baixa do que a de expansão, ficando em 40% e 60% respectivamente. Entre os anos de 2012 e 2022, foram abertos mais 500 novos aeroportos na região, representando mais de 200 pares de cidades conectadas. Além disso, 230 pares de terminais aéreos dobraram sua capacidade de assentos, apesar da pandemia.

“A América Latina tem apresentado forte recuperação nas viagens aéreas, principalmente nos mercados domésticos”

Em termos de tráfego aéreo há também, previsão de alta na variação por mercado combinado, com a América do Sul em evidência com 4,9%, índice que considera o volume de 2020 a 2041. O ranking contém ainda: América Central e do Norte (3,3%); América do Sul e Europa (3,1%); América Central e Europa (3,1%); América do Norte e do Sul (4,2%); América Central (3,1); e América Central e do Sul (5%).

É interessante ressaltar, que dado ao crescimento as transportadoras da região vão precisar de 118 mil novos funcionários de aviação, incluindo 35 mil pilotos, 35 mil técnicos e 48 mil membros da tripulação de cabine nas próximas duas décadas, conforme a Boeing. “A América Latina tem apresentado forte recuperação nas viagens aéreas, principalmente nos mercados domésticos, com as companhias aéreas da região usando com sucesso frotas de corredor único para voos de curta distância e expandindo suas redes globais”, finaliza.