
Começou a contagem regressiva para a 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas, evento anual que tem como objetivo reunir líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações para combater as mudanças do clima. Belém, capital do Pará, foi escolhida para sediar o evento, marcado para o período de 10 a 21 de novembro.
Trata-se de uma grande oportunidade para o Brasil reafirmar seu papel de liderança nas negociações sobre o tema, além de permitir a demonstração de seus esforços em áreas como energias renováveis, biocombustíveis e agricultura de baixo carbono, e de reforçar sua atuação histórica em processos multilaterais, como na Eco-92 e na Rio+20.
Para a capital paraense, ser a sede da COP30 significa a possibilidade de dar mais visibilidade a sua história, cultura, economia e turismo, além de enfatizar a importância estratégica como uma das maiores cidades da Amazônia e porta de entrada para a região.
Belém já recebeu, entre recursos do Orçamento Geral da União, do BNDES e de Itaipu, mais de R$ 4,7 bilhões de investimentos do governo federal para atender à crescente demanda com a realização do evento. Isso inclui obras, melhorias nas áreas de transporte, alojamento e infraestrutura urbana, com reformas significativas nas vias públicas, expansão e modernização dos sistemas de saneamento básico e abastecimento de água.
“As obras serão um verdadeiro legado para a população, como as de macrodrenagem, que trazem mais qualidade de vida para áreas mais carentes de saneamento básico, por exemplo. Além disso, um evento desta magnitude aumenta a visibilidade da cidade como um todo para o mundo, movimentando o turismo, que já dobrou somente no primeiro semestre de 2024 e gera emprego, renda e muda a vida das pessoas”, destacou em nota o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia.
Construção de novas estruturas
Mais de 30 obras estão em andamento. “Estamos dotando de infraestrutura uma cidade maravilhosa que vai ter um grande legado”, afirmou Correia. Na área de saneamento, está em curso a revitalização das bacias do Tucunduba, Una e Tamandaré, com intervenções em 13 canais, um dos quais já entregue totalmente reconstruído no dia 6 de janeiro: o Canal da Timbó, no bairro do Marco, a primeira grande obra concluída para a COP 30.
“Essa entrega representa mais do que uma obra de infraestrutura. Ela simboliza um compromisso do Governo do Pará com o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da nossa população [500 mil pessoas]. Ao revitalizar essas áreas, estamos devolvendo dignidade e promovendo a saúde pública, além de preparar Belém para receber o mundo na COP 30. Este é um marco que reflete o nosso esforço contínuo em garantir que cada cidadão tenha acesso a serviços básicos de qualidade, e viva em uma cidade mais justa e inclusiva”, assegurou Hana Ghassan, vice-governadora do Pará e presidente do Comitê Estadual da COP 30
No dia 12 de janeiro, a primeira etapa da obra de saneamento do Canal da Gentil Bittencourt foi entregue, marcando os 409 anos de fundação da capital paraense.
Com relação a vias públicas, a importante avenida Visconde de Souza Franco registra 51% de obras concluídas da Nova Doca, e a Almirante Tamandaré, 47%. “O Governo do Pará segue avançando no maior programa de macrodrenagem da história de Belém. São obras de extrema importância, pois trazem um resultado positivo imediato na melhoria da qualidade de vida da população. Além da infraestrutura e mobilidade, investimento em saneamento garante mais dignidade para as pessoas que eram afetadas pelos alagamentos, perdendo muitos dos seus bens materiais por conta disso”, disse o secretário de Estado de Obras Públicas, Ruy Cabral.
Setor hoteleiro
Para receber os 60 mil visitantes durante a COP30, o governo estadual trabalha em conjunto com os governos federal e municipal, e a iniciativa privada, implementando soluções para aumentar o número de leitos e atender à demanda do evento. Atualmente, a capital paraense conta com cerca de 18 mil leitos de hotel. Número que, para atender a demanda, precisa mais que dobrar.
“A hotelaria de Belém está a pleno vapor. Todos os hotéis estão passando por reformas para atender a COP30. Porém, o principal desafio ainda é aumentar a quantidade de leitos existentes”, explicou o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará (ABIH-PA), Antônio Santiago. O executivo estima que, com inaugurações previstas, a capacidade chegue a 22 mil leitos até o evento.
A instalação de hotéis de luxo, como os da franquia Tivoli, no antigo prédio da Receita Federal, e Vila Galé, na área portuária de Belém, de frente para a Baía do Guajará, também fazem parte dos planos de ampliação.
“Além de atender à COP30, esses novos hotéis impulsionam o turismo e fortalecem o Pará como um destino internacional. Estamos criando estruturas permanentes, que vão transformar a economia e a imagem da região”, destacou Lucas Vieira, secretário-adjunto de Turismo.
Através de parcerias com as plataformas Booking.com e Airbnb, o Governo do Pará planeja tornar as hospedagens temporárias em permanentes. Outra medida para aumentar a quantidade de leitos é a utilização de navios-hotel como alternativa de hospedagem aos participantes da Conferência.
“Essa iniciativa reforça nosso compromisso em oferecer soluções logísticas eficientes e sustentáveis, alinhadas à importância de sediar um evento de relevância global, como este. Além disso, o Terminal se tornará um legado para o desenvolvimento do turismo e das conexões hidroviárias da região, fortalecendo a integração e a economia local”, garantiu Josenir Nascimento, presidente da Companhia de Portos e Hidrovias do Pará.
Também há o investimento na adaptação de 17 escolas públicas, como um hostel, e na Vila COP 30, que será transformada em centro administrativo posteriormente.
Pontos Turísticos
Em novembro do ano passado foi iniciada a intervenção sanitária do Complexo do Ver-o-Peso que prevê a instalação de um sistema de saneamento com mais de 4 km de rede de esgotamento sanitário, para coleta e tratamento adequado dos esgotos dos imóveis e estabelecimentos comerciais, beneficiando diretamente quem mora e trabalha no maior complexo de feira livre e mercados da América Latina.
“O principal cartão-postal da cidade não poderia ficar de fora das ações do Governo do Pará, que prepara Belém para receber a COP 30. Com quase 400 anos de história, esta é a primeira vez que o Ver-o-Peso receberá um sistema de saneamento. Serão mais de 60 mil cidadãos e cidadãs beneficiados com a melhoria na qualidade de vida”, destacou Adler Silveira, secretário de Estado de Infraestrutura e Logística.
Como parte dos investimentos em projetos urbanísticos está o Parque da Cidade, com 73% das obras concluídas, no espaço do antigo Aeroporto Brigadeiro Protásio. “O espaço também será um legado cultural, ambiental e turístico para a população”, ressaltou Bruno Chagas, secretário-adjunto de Cultura e membro do Comitê Estadual da COP 30.
Já o Porto Futuro II, atingiu 61% de conclusão, sendo uma das referências locais de valorização da cultura popular, do patrimônio imaterial, da história amazônica, das experiências gastronômicas e da biodiversidade do Pará, contendo o Museu das Amazônias e o Parque de Bioeconomia. “O Centro de Bioeconomia será um polo de conhecimento, valorizando a biodiversidade amazônica e impulsionando soluções sustentáveis, que conectam tradição e inovação”, informou Raul Protázio Romão, secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Transporte
Entre a capital e o município de Marituba, o viaduto da Alça Viária, com 720 metros de extensão, foi restaurado em dezembro passado. Já o sistema do BRT Metropolitano terá ônibus mais modernos e com baixa emissão de gases de efeito estufa, e também com ônibus elétricos, sendo seis deles entregues dia 9 de janeiro.
Outras obras de preparação para a COP 30 incluem a ampliação da Rua da Marinha e reestruturação de mais oito vias, como as avenidas Duque de Caxias, Visconde de Souza Franco e Tamandaré, facilitando a mobilidade e reduzindo congestionamentos.
Capacitação
O Governo do Pará criou o Programa Capacita COP 30, que oferece 64 cursos de qualificação ligados às áreas de turismo, infraestrutura e serviços. O Programa já contabiliza 4,5 mil trabalhadores capacitados.
“O Capacita COP 30 é mais do que um programa de qualificação profissional. É uma iniciativa estratégica, que reflete nosso compromisso em preparar o Pará para receber um evento de magnitude global. Com a capacitação, estamos não apenas assegurando o sucesso da COP 30, mas também deixando um legado duradouro de desenvolvimento humano, profissional e econômico aos paraenses”, afirma a vice-governadora Hana Ghassan.
Expectativa
A COP30 é o reflexo do potencial da capital para se tornar um centro de referência internacional, quando se fala em ações para conter a mudança do clima. Para o economista Alex André, o impacto no turismo, com a presença de representantes de governos, empresas e ONGs, vai estimular o setor como um todo, estimulando, inclusive, a geração de empregos. “A COP30 será um reforço de imagem para o Governo Federal tentar melhorar a percepção internacional do Brasil no ponto de vista sustentável, atraindo investidores estrangeiros focados nessa transição energética na chamada economia verde. Assim, o Brasil terá uma chance de se posicionar como protagonista nas discussões sobre mudanças climáticas. As novas tecnologias envolvendo transição energética necessitam”, pontuou.
RUMO A BELÉM
Belém do Pará é uma cidade que se destaca por sua história, cultura, economia e sua imersão na Amazônia. Com uma população de 1,3 milhão de habitantes, Belém se apresenta como um polo regional, com grande importância econômica para o estado e para a Região Norte, atuando como um centro comercial e logístico da produção da Amazônia para todo Brasil e o exterior.
Sua localização à beira do Rio Amazonas, faz de Belém um ponto estratégico para o comércio de produtos como açaí, guaraná, castanha-do-pará, cacau e peixe, e de iguarias típicas da culinária paraense, como o pato no tucupi, a maniçoba e o tacacá. A feira do Ver-o-Peso, uma das maiores da América Latina com quase 400 anos de história, é um exemplo da vitalidade da gastronomia local e da importância cultural de Belém.
A capital também se destaca por sua rica diversidade cultural, com influência de comunidades indígenas, negras, da colonização portuguesa e dos imigrantes, possibilitando a imersão nas tradições e costumes da Amazônia. O Círio de Nazaré, maior festa religiosa do Brasil, é uma das manifestações culturais mais significativas da cidade.
A natureza exuberante da Amazônia se reflete ainda nas áreas verdes de Belém, como o Parque Ambiental do Utinga, que é um refúgio para quem deseja conhecer a fauna e flora da região.
No campo da infraestrutura, o Aeroporto Internacional de Belém é um ponto chave para o turismo e para o desenvolvimento econômico da cidade. Com um fluxo de 3 milhões de pessoas por ano, o aeroporto conecta Belém a destinos nacionais e internacionais, facilitando a chegada de turistas e investidores que têm na cidade uma porta de entrada para o restante da Amazônia e suas inúmeras oportunidades econômicas e naturais.
Além de sua relevância econômica e cultural, Belém tem se tornado um destino turístico promissor, principalmente agora, com a COP30. A capital paraense possui diversos atrativos turísticos. Conheça alguns:
Theatro da Paz
Fundado em 16 de fevereiro de 1878, durante o chamado Ciclo da Borracha, o espaço cultural está localizado na Praça da República, Centro Histórico da capital paraense. Além de ser o primeiro teatro de ópera da Amazônia e um dos primeiros teatros líricos do Brasil, o Theatro da Paz é considerado um teatro-monumento e patrimônio histórico pelo IPHAN. Em 2021 foi premiado pelo site Trip Savvy na categoria “Melhor local para amantes da cultura” do concurso “Escolha do Editor 2021”, como um dos melhores lugares para se visitar a nível global.
Forte do Presépio
A Amazônia teve, na cidade de Belém, sua primeira construção colonial alicerçada em um forte de madeira e palha, no início do século XVII, que tinha como objetivo proteger a cidade de Belém contra invasões e ataques indígenas, por terra e pela Baía do Guajará. Foi a partir do Forte do Presépio, que partiram as primeiras ruas e demais construções do núcleo inicial da capital. Em 1962 foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Ver-o-peso
Criado na metade do século 17 como um posto de fiscalização e tributação para controlar a entrada e saída de mercadorias da Amazônia, o Ver-o-peso se transformou em um mercado histórico, que se estende por um complexo arquitetônico e paisagístico de 25 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas, incluindo o Boulevard Castilhos França, o Mercado de Carne e o Mercado de Peixe, o casario, as praças do Relógio e Dom Pedro II, a doca de embarcações, a Feira do Açaí e a Ladeira do Castelo. O Ver-o-Peso foi
Mangal das Garças
Criado pelo Governo do Pará em 2005 para preservar a vegetação e a fauna da Floresta Amazônica, o Parque Naturalístico Mangal das Garças é resultado da revitalização de uma área de cerca de 40 mil m² às margens do Rio Guamá, no centro histórico de Belém. Uma área alagada no passado que se tornou um destino com uma infraestrutura com lagos, mirantes, borboletário e restaurantes, além de abrigar diversas espécies de animais, como aves, quelônios e répteis. O nome do local se refere à presença das garças no mangue do Rio Guamá, às margens do parque.
Casa das 11 Janelas
Construído no século XVIII como casa de descanso do engenho Domingos da Costa Bacelar, o Espaço Cultural Casa das Onze Janelas se tornou, respeitando a construção arquitetônica, um espaço museológico de arte contemporânea na região Norte e Nordeste. A edificação, que conta com restaurante e espaço multicultural, faz parte do conjunto histórico denominado Feliz Lusitânia, núcleo inicial da cidade de Belém do Pará.
Estação das Docas
O local, inaugurado em 2000, é um dos cartões-postais mais visitados do Estado do Pará e recebe em média 1,5 milhão de visitantes por ano. A Estação das Docas é um dos complexos turísticos que mais refletem a região amazônica, através de gastronomia, cultura, moda e eventos em 32 mil m² divididos em três armazéns e um terminal de passageiros. O complexo possui ainda o Teatro Maria Sylvia Nunes e o anfiteatro do Forte de São Pedro Nolasco.
Círio de Nazaré
Todos os anos, no mês de outubro, Belém reúne milhões de pessoas para uma manifestação religiosa católica que homenageia Nossa Senhora de Nazaré por 15 dias, num período denominado de quadra nazarena. Em 2024, o Círio de Nazaré chegou à 232ª edição, confirmando sua posição como uma das maiores celebrações religiosas do Brasil com a presença de mais de 2 milhões de pessoas no domingo, dia 13, quando acontece a principal procissão que leva a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré da Catedral Metropolitana por 3,6 km até a Basílica de Nazaré.
Pelo segundo ano consecutivo, o Ministério do Turismo promoveu a Casa do Turismo. Localizada em um ponto privilegiado da procissão, o espaço proporcionou uma visão exclusiva da passagem da Santa, marcando um momento de devoção e prestígio para as autoridades e personalidades presentes. Além de parlamentares e convidados, o ministro do Turismo, Celso Sabino, recebeu influenciadores digitais e outras figuras públicas, destacando a importância da festa para o turismo, fomentando o turismo religioso do Brasil para o mundo, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Iphan e declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
“O Círio de Nazaré é um símbolo de fé e união, e a Casa do Turismo é um espaço importante para celebrarmos o papel do turismo religioso, que movimenta a economia e fortalece a nossa cultura. O turismo religioso no Brasil tem um enorme potencial, e eventos como este demonstram sua relevância para todo o país”, afirmou o ministro do Turismo, Celso Sabino.
De acordo com o aeroporto internacional de Belém, mais de 10 mil pessoas desembarcaram na cidade entre sexta-feira e sábado de manhã, mais que o dobro do movimento de um dia normal, com expectativa de um fluxo significativo de turistas.







