
LONDRES – A Mobility está reposicionando sua atuação no mercado de locação de veículos. A empresa, que nasceu como broker, quer se consolidar como um hub de inteligência e distribuição, conectando agentes de viagens, locadoras e outros parceiros por meio de tecnologia.
A mudança foi apresentada por Oskar Kedor e Michelle Tonon durante a WTM London 2026, com o lançamento de uma nova funcionalidade que permite às locadoras acompanhar toda a produção gerada pela plataforma.
“Deixamos de ser broker para ser um hub de inteligência”, resumiu Kedor. A proposta é ampliar o papel da Mobility na cadeia de distribuição: além de intermediar reservas, a plataforma pretende oferecer dados e ferramentas para que as locadoras acompanhem seus resultados e utilizem o ambiente como canal de acesso ao mercado.
Com a novidade, as empresas de locação poderão visualizar quanto cada uma está produzindo dentro da plataforma. O próximo passo é permitir que também posicionem suas ofertas diretamente no ambiente, em um modelo de distribuição comparado pelos executivos ao funcionamento de marketplaces como Amazon e Mercado Livre.
Segundo Kedor, 90% dos negócios da Mobility estão concentrados no segmento internacional. Embora o desempenho de 2026 não tenha alcançado todas as expectativas iniciais, o executivo vê oportunidades de expansão em diferentes frentes, como integrações via API, mercado corporativo e operadoras.
A empresa também avalia que há espaço para crescer em um segmento com poucos concorrentes dedicados exclusivamente à distribuição B2B de locação de veículos. Somente durante o primeiro dia da WTM London, a Mobility realizou mais de 30 reuniões com parceiros e locadoras, incluindo conversas com operações de diferentes países. A estratégia é ampliar o relacionamento diretamente com unidades e franqueados de redes internacionais, que nem sempre encontram na estrutura centralizada o atendimento de que precisam.
Tecnologia como motor de eficiência em 2027
Para 2027, a Mobility projeta crescimento de 20% ‘em reais’, patamar que Oskar considera atingível diante das oportunidades em desenvolvimento. A companhia também trabalha para ampliar a eficiência operacional e avançar na integração tecnológica com parceiros.
Michelle Tonon destaca que a tecnologia deixou de ser o principal gargalo da empresa. O desafio agora é evoluir processos internos e conectar melhor os diferentes elos da cadeia, especialmente as locadoras, para aprimorar a experiência do cliente desde a pesquisa até a retirada do veículo.
“A tecnologia não é mais o gargalo da empresa. O que queremos agora é ter um ganho de eficiência com a tecnologia”, afirmou Michelle.
Entre as iniciativas estão ferramentas de inteligência artificial e buscas conversacionais, que devem tornar a experiência do agente de viagens mais simples e natural. A Mobility já trabalha com integrações que permitem ao profissional consultar informações por meio de plataformas de IA, além de desenvolver soluções para ampliar a presença e o suporte aos agentes.
A tecnologia também é vista como uma forma de levar atendimento a profissionais e empresas que a equipe não consegue alcançar presencialmente. A proposta é combinar automação, informação e suporte humano, sem fazer com que o agente tenha a sensação de estar conversando apenas com um robô.
Atendimento a diferentes perfis e novos serviços
Outro foco é ampliar a oferta para atender diferentes perfis de clientes. A empresa está estruturando soluções para locadoras boutique e demandas de passageiros VIP, que exigem um atendimento mais especializado. Até então, esse tipo de operação dependia de um executivo de contas dedicado; o objetivo agora é levar essas opções para dentro da plataforma.
A Mobility também prepara novidades na área de transfers. A proposta é digitalizar esse serviço e disponibilizar novas opções globalmente. Segundo os executivos, dois serviços devem ser incorporados em breve, permitindo, entre outras possibilidades, associar transfers às reservas aéreas realizadas pela plataforma.
Para Kedor e Michelle, tudo isso faz parte de uma mudança mais ampla: deixar de atuar apenas como intermediária de reservas e assumir um papel de parceira tecnológica e comercial de agentes e locadoras. A expectativa é que a combinação de inteligência, distribuição e eficiência abra novas oportunidades de crescimento nos próximos anos.
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