
O primeiro movimento nacional organizado de soft power, conceito que mede a capacidade de um país influenciar e atrair outras nações por meio de sua cultura, valores e imagem projetada, em vez do uso da força, foi lançado nesta terça-feira (12) no Pier Mauá (Rio de Janeiro). O Brasil Para o Mundo (BPOM) é uma iniciativa da sociedade civil, e fundado pelo advogado e professor de Direito Victor Drummond. A atriz Glória Pires foi anunciada como a primeira embaixadora do movimento.
Já em sua estreia, contou com sete mesas de debates e participantes como:
- Eduardo Chaves, do Brand Finance Brasil
- André Sturm, diretor do MIS e ex-secretário de Cultura de São Paulo
- Sérgio Sá Leitão, ex-ministro da Cultura
- a coreógrafa Deborah Colker
- e os atores Mateus Solano e Murilo Rosa.
Representando o setor de turismo e audiovisual, a apresentadora, empresária e especialista em turismo cinematográfico Tatiana D’Angello, Diretora de Marketing e Inovação da Federação de Convention & Visitors Bureaux do Estado do Rio de Janeiro, participou da mesa de abertura “Audiovisual e o Poder Suave (Soft Power) Brasileiro”, ao lado de Marcelo Bechara, Diretor de Relações Institucionais do Grupo Globo.
Justos destacam o poder do audiovisual como ferramenta estratégica para ampliar o soft power brasileiro, além de ressaltar a importância de setores como gastronomia, moda, arte, música e esporte na construção de símbolos capazes de atrair turistas e investimentos.
Com ampla experiência na área, já foi Chefe da Film Commission do Estado do Rio e atualmente integra a Petrópolis Film Commission, defendendo a união entre audiovisual e turismo. “O Rio tem uma Film Commission superativa e já registramos mais autorizações de gravação do que Paris. Isso impulsiona e impacta diretamente o turismo. A criação de uma Film Commission brasileira é fundamental para atrair, facilitar e incentivar produções audiovisuais internacionais”, afirmou.
Segundo Tatiana, o Brasil precisa contar mais histórias universais que emocionem, utilizando as cidades como cenários e valorizando a diversidade cultural. Já Marcelo Bechara reforçou que o audiovisual deve ser política de Estado: “Quanto ao estereótipo do brasileiro, acho que a gente não pode ter medo de ser quem somos. Temos que mostrar nossa essência. Somos muitas coisas e, no meio disso, as pessoas vão entender o que temos de bom e de ruim.”
O BPOM mira avanços ambiciosos já nos seus primeiros meses de atuação. Por meio da articulação com o setor produtivo, valorização da cultura e diálogo com representantes de Estados, o movimento busca estimular uma mudança estrutural e comportamental na forma como somos percebidos no exterior. Na prática, o BPOM planeja organizar missões internacionais, que abram canais de interlocução entre representantes do setor produtivo e
artistas brasileiros com seus respectivos setores em países do exterior. Também estão previstas a criação de um curso de especialização de “soft power” numa universidade no Rio e de um prêmio para reconhecer iniciativas de divulgação da imagem do Brasil ao redor do mundo. As primeiras rodadas de negociação com consulados e câmaras de comércio internacionais já começaram a ocorrer.
Mesmo sendo uma das nações culturalmente mais ricas do planeta, o Brasil ainda ocupa uma posição modesta nos principais rankings de soft power global. No principal deles, o Global Soft Power Index 2025, elaborado pela consultoria Brand Finance, o país aparece na 31ª posição entre 193 nações, repetindo o desempenho dos últimos dois anos. Apesar do reconhecimento em esportes e sermos eleitos o povo mais divertido do mundo, seguimos
distantes dos primeiros lugares em influência internacional. No pilar Cultura e Patrimônio, o país de Guimarães Rosa, Caetano Veloso, Tom Jobim, Fernanda Torres e Tarsila do Amaral ocupa apenas a 15ª posição.
‘MUDANÇA URGENTE’
“No momento em que somos covardemente assediados e pressionados pelos Estados Unidos, torna-se ainda mais urgente promovermos o país contemporâneo, plural, inovador e comprometido com soluções criativas e sustentáveis que somos. Já passou da hora de o mundo conhecer um Brasil que pensa, cria, transforma e lidera”, sintetizou o fundador do BPOM, Victor Drummond. Países como Estados Unidos, França, Japão e Coreia do Sul investem há décadas em políticas estratégicas de imagem, cultura e diplomacia como ferramentas de projeção
internacional. Conhecendo o poder suave, países conseguem demonstrar aos outros e às pessoas que vale a pena conhecer seu território e cultura, comprar e consumir seus produtos e pagar por seus serviços, unindo indústrias bastante significativas, desde a indústria cultural, passando pela exportação de produtos do agronegócio, pelo uso de estruturas de turismo e muito mais.
Confira a programação do BPOM no Rio Innovation Week, que acontece até dia 15 de agosto:
Dia 13 de agosto (quarta-feira)
- Palco Rio Pop Tech, às 13h30 – Carreiras, Marcas e Rebranding
● Márcio Kieling (ator, trader e influenciador) e Pocah (cantora), com mediação de Victor Drummond
Dia 14 de agosto (quinta-feira)
- Palco Planetiers, às 16h – Entretenimento como Ação: Comunicação, Regeneração e Liderança Climática
● Mateus Solano, ator e ativista climático, e Francisco Brasileiro (produtor criativo e empreendedor ESG), com mediação de Victor Drummond
- Palco Rio Pop Tech, às 17h30 – Inteligência Artificial, Direitos Autorais e Ética
● Tatiana Roque, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação do RJ, Sérgio Sá Leitão, do Lide Cultural e ex-Ministro da Cultura, e o ator Mateus Solano, com mediação de Victor Drummond
- Palco Rio Pop Tech, às 18h30 – BPOM e o Rio de Janeiro como Porta de Entrada para o Brasil
● Deborah Colker, bailarina e coreógrafa, e Lucas Padilha, secretário Municipal de Cultura do RJ, com mediação de Victor Drummond
Dia 15 de agosto (sexta-feira)
- Palco Cine Space, às 13h30 – Construção de Marcas: Personalidades, Empresas e Marca-País
● Murilo Rosa, ator, cantor e empreendedor, e Eduardo Chaves, do Brand Finance Brasil, com mediação de Victor Drummond
- Palco Cine Space, às 14h30 – A Bilateralidade na Construção do Soft Power
● André Sturm, diretor do MIS e ex-secretário de Cultura de São Paulo, e Ariel Quirino, CEO Agência AriPrensa, empresário cultural, com mediação de Victor Drummond







