Yuan supera euro e já é a 2ª moeda nas reservas internacionais do Brasil em 2025
Banco Central amplia aposta na moeda chinesa e pressiona hegemonia do dólar (freepik)

O Banco Central confirmou uma mudança histórica na composição das reservas internacionais brasileiras: o yuan, moeda chinesa, já é a segunda mais importante no cofre do país, superando o euro e ficando atrás apenas do dólar. O movimento consolida a aproximação financeira entre Brasília e Pequim e pressiona a hegemonia da moeda americana entre emergentes.

Até 2019, a participação do yuan era marginal, representando pouco mais de 1% das reservas. Em 2022, ultrapassou o euro pela primeira vez (5,37% contra 4,74%). Em 2025, mesmo sem dados oficiais atualizados, analistas confirmam que a moeda chinesa se consolidou como segunda âncora cambial brasileira.

O avanço foi impulsionado por três fatores: o acordo de swap cambial de R$ 157 bilhões firmado entre Brasil e China em maio; a expansão do comércio bilateral, com mais de 40% das transações já realizadas em yuan; e a busca por maior proteção em meio à volatilidade global.

Pressão geopolítica

Embora o dólar siga dominante, representando cerca de 80% das reservas brasileiras, a ascensão do yuan tem impacto político imediato. Para Washington, o Brasil reforça os laços com Pequim em um momento de disputas globais; para Bruxelas, o recado é de perda de relevância, já que até o euro ficou para trás.

O movimento também reflete a agenda dos BRICS, que defendem maior independência do sistema financeiro dominado pelos EUA e exploram meios alternativos de pagamento, em meio ao uso crescente de sanções econômicas como arma política.

O que muda para o Brasil

Na prática, a presença do yuan nas reservas amplia a margem de negociação com a China, reduz custos cambiais para exportadores e fortalece setores que já recebem pagamentos na moeda. Por outro lado, o país se torna mais exposto à política monetária de Pequim, já que o renminbi ainda não é plenamente conversível.

Especialistas avaliam que o Brasil avança em direção a uma “desdolarização parcial”, mas alertam que a mudança pode ser tanto uma oportunidade de autonomia quanto uma nova forma de dependência.