
O mercado brasileiro tem ganhado relevância crescente para o turismo e para a economia canadense, reflexo de uma relação bilateral que se intensifica ano após ano. Dados apresentados por autoridades e representantes do setor revelam um cenário de forte demanda, avanço no fluxo aéreo e novas oportunidades tanto para o Brasil quanto para o Canadá. O tema voltou ao centro das discussões durante o evento em que a Air Canada marcou seu retorno ao Rio de Janeiro, com a rota Rio–Toronto.
Segundo o cônsul do Canadá no Rio, François Jubinville, a conexão entre os dois países vive um momento de expansão sustentado pelo comércio, investimento e intercâmbio educacional. Mais de 500 empresas canadenses operam no Brasil, enquanto o país figura entre os principais investidores estrangeiros no Canadá. Esse ambiente fortalece a circulação de executivos, estudantes e turistas, estimulando a ampliação das operações aéreas.
O fluxo estudantil, em particular, segue como um dos pilares dessa aproximação. Há 22 anos, o Canadá mantém a liderança como destino preferido de brasileiros que estudam no exterior. Mais de 130 mil brasileiros já escolheram o país como lar acadêmico ou profissional, criando uma rede permanente de conexões entre as duas nações.
Do ponto de vista turístico, a Embratur aponta crescimento de 9% no mercado canadense para o Brasil somente neste ano. Para os próximos meses, a tendência é ainda mais acelerada: a demanda brasileira pelo Canadá deve avançar cerca de 20%, impulsionada pelo interesse crescente em destinos de inverno, pela diversidade de atrações e pela expectativa para a Copa do Mundo FIFA de 2026, que terá Toronto e Vancouver entre as sedes.
A circulação de canadenses no Brasil também deve aumentar. Projeções da Embratur indicam que destinos como o Rio de Janeiro podem receber até o dobro de visitantes vindos do Canadá, reflexo da melhora da conectividade e do esforço conjunto de promoção turística.
Para a Air Canada, esse avanço do mercado brasileiro confirma a importância estratégica do país dentro da malha global da companhia. “O Brasil é um mercado muito importante para a Air Canada, e a inclusão do Rio vem para complementar o que já temos”, afirmou Rocky Lo, diretor-executivo de Vendas Internacionais. Ele destaca que Toronto funciona como um hub capaz de distribuir brasileiros para diversos continentes. “Vemos clientes seguindo para Europa, Estados Unidos e Ásia via Toronto. Esse trajeto permite não apenas visitar o Canadá, mas acessar outros destinos.”
O diretor-geral da Air Canada no Brasil, Giancarlo Takegawa, reforça a expectativa otimista para o fluxo no sentido contrário. Segundo ele, o aumento da conectividade pode praticamente dobrar o número de canadenses que visitam o Rio de Janeiro. A estratégia também inclui ampliar o alcance da malha internacional para os brasileiros. “A Air Canada quer conectar brasileiros ao mundo através do nosso hub global em Toronto, permitindo viagens para a Europa, os Estados Unidos e a Ásia. Queremos focar bastante no voo do Rio e nos voos para Montreal para explorar outros mercados”, afirma.
A combinação de demanda crescente, conectividade e planejamento integrado entre companhias aéreas, governos e aeroportos deve sustentar um ciclo de expansão no tráfego entre Brasil e Canadá nos próximos anos. Para ambos os países, o momento é de oportunidades.







