Levantamento mostra que 76% já deixaram de viajar nas férias por desorganização financeira
Mais da metade relata dificuldades após o descanso, e 38% recorrem ao parcelamento no cartão (Reprodução/Freepik)

Organizar as férias coletivas segue sendo um obstáculo para grande parte dos brasileiros. Pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box revela que 76% da população já deixaram de viajar no período de recesso por falta de planejamento financeiro. O levantamento foi realizado entre 11 e 15 de novembro de 2025, com 1.152 entrevistas online em todo o país.

Embora 71% dos entrevistados afirmem que costumam programar o orçamento para as férias coletivas, os dados indicam um descompasso entre intenção e prática. Segundo a pesquisa, 18% dos consumidores dizem gastar conforme conseguem, sem planejamento prévio, o que contribui para o impacto negativo no período pós-viagem.

Após o descanso, 51% relatam enfrentar dificuldades financeiras, enquanto 49% afirmam já ter se endividado em razão de despesas realizadas durante as férias coletivas. Entre os que pretendem reduzir gastos em relação a anos anteriores, a principal prioridade é o pagamento de dívidas, citado por 49%, seguido da intenção de evitar excessos, mencionada por 23%.

“O desejo de descansar é legítimo, mas ainda falta organização financeira consistente. Planejar férias vai além de definir um valor para gastar: envolve entender o impacto dessas escolhas no orçamento dos meses seguintes”, afirma Rodrigo Costa. Segundo ele, a antecipação de decisões reduz o uso excessivo do crédito e ajuda a preservar a saúde financeira no início do ano seguinte.

Em relação aos planos para o período, descansar em casa aparece como a principal escolha, com 26%, seguido por viajar, com 22%, e visitar parentes em outras cidades, com 17%. Apenas 34% afirmam se organizar com mais de três meses de antecedência, enquanto 40% dizem que pretendem recorrer ao crédito para custear as próximas férias coletivas.

Entre os que viajam, os destinos nacionais concentram a preferência, citados por 91% dos entrevistados. As praias lideram as escolhas, com 49%, seguidas por áreas de campo e natureza, com 15%, e grandes cidades, com 10%. O preço é o principal critério na definição do destino, apontado por 26%, à frente do clima, com 24%, e da companhia, com 21%.

“Antecipar decisões, comparar preços e definir limites claros de gastos são atitudes simples que fazem diferença no orçamento. Férias bem planejadas não precisam gerar dívidas”, orienta Costa. Ele também destaca o uso estratégico do 13º salário e a preferência por pagamentos à vista como formas de reduzir o impacto financeiro no início de 2026.

O cartão de crédito parcelado é a forma de pagamento mais utilizada durante as férias coletivas, mencionada por 38% dos entrevistados. Em seguida aparecem o pagamento à vista via PIX ou transferência bancária, com 31%, e o uso do 13º salário, com 15%. Os dados reforçam que, para o mercado de turismo, planejamento e educação financeira seguem sendo fatores centrais para ampliar o acesso às viagens no período de recesso sem comprometer o orçamento das famílias.