
A Azul Linhas Aéreas concluiu uma etapa central de seu processo de reestruturação financeira ao obter a aprovação do conselho de administração para a efetivação de sua oferta pública de distribuição primária de ações ordinárias e preferenciais. A operação, protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no fim de dezembro de 2025, movimenta R$ 7,44 bilhões e marca um dos maiores aumentos de capital da história recente da companhia.
De acordo com fato relevante divulgado na noite de terça-feira (6), o aumento de capital será realizado por meio da emissão de 723.861.340.715 novas ações ordinárias (ON), ao preço unitário de R$ 0,00013527, e o mesmo volume de ações preferenciais (PN), ao valor de R$ 0,01014509 por papel, conforme já havia sido anunciado ao mercado.
Do montante total captado, R$ 7,34 bilhões correspondem às ações preferenciais, enquanto cerca de R$ 97,9 milhões referem-se às ordinárias. Com a operação, o capital social da Azul passa a ser de R$ 14.573.410.376,60, dividido em 1.450.747.686.304 ações, sendo 725.990.305.836 ordinárias e 724.757.380.468 preferenciais, todas nominativas, escriturais e sem valor nominal.
Prioridade a acionistas e incentivo adicional
A oferta foi estruturada com prioridade para os atuais acionistas da companhia, enquanto a tranche institucional foi destinada a investidores profissionais. Como incentivo adicional, a Azul concedeu aos subscritores um bônus de subscrição para cada ação integralizada, seja ordinária ou preferencial. Cada bônus garante o direito de subscrever novas ações da companhia em uma data futura, ampliando o potencial de participação acionária.
A operação faz parte da estratégia da companhia para fortalecer seu balanço, reduzir o endividamento — especialmente em dólar — e converter credores em acionistas. O movimento é considerado essencial para viabilizar a saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), iniciado no ano anterior.
Diluição expressiva preocupa acionistas
Apesar do reforço de caixa, a operação traz como contrapartida uma diluição considerada significativa para os acionistas existentes. Em relatório divulgado após o anúncio, o Bradesco BBI destacou que a magnitude da emissão resulta em uma diluição massiva da participação dos investidores atuais, reflexo direto do volume elevado de novos papéis colocados no mercado.
Mudança de ticker e novos lotes de negociação
O processo de reestruturação acionária também implicou mudanças operacionais no pregão da B3. Desde 23 de dezembro de 2025, as ações da companhia passaram a ser negociadas sob o código AZUL54, correspondente a um lote padrão de 10 mil ações.
As ações preferenciais objeto da oferta começam a ser negociadas em 8 de janeiro de 2026. Na mesma data, as ações ordinárias passam a ser negociadas sob o código AZUL53, com um lote padrão ainda maior, de 1 milhão de ações. Esses papéis tendem a permanecer no pregão, já que a companhia planeja eliminar sua estrutura de ações preferenciais e migrar integralmente para ações ordinárias.
Conversão de ações e plano de recuperação judicial
No início de dezembro, a Azul obteve a aprovação da Justiça dos Estados Unidos para seu plano de recuperação judicial. Entre os principais pontos do plano estão a conversão de grande parte da dívida pré-existente em ações e a autorização para a captação de recursos por meio da emissão de novos papéis.
Em linha com esse processo, o conselho de administração convocou uma assembleia geral extraordinária e uma assembleia especial para o dia 12 de janeiro de 2026. Na pauta, está a proposta de extinguir as ações preferenciais e converter todo o capital da companhia em ações ordinárias.
Pela proposta, cada ação preferencial (AZUL4) será convertida em 75 ações ordinárias (AZUL3). Segundo comunicado ao mercado, a relação de troca foi definida com base na equivalência econômica entre os dois tipos de ações. Enquanto as preferenciais garantem prioridade no recebimento de dividendos, as ordinárias asseguram direito de voto em assembleias. Com a conversão, a Azul pretende simplificar sua estrutura societária e alinhar sua governança ao novo momento da companhia.
Para que a mudança seja aprovada, será necessário o aval de dois grupos distintos: os detentores de ações preferenciais, que precisam aprovar a conversão, e os acionistas ordinários, que devem confirmar a decisão nas assembleias marcadas para a mesma data.







