
O World Travel & Tourism Council (WTTC) alertou que mudanças propostas no Electronic System for Travel Authorization (ESTA) dos Estados Unidos podem reduzir de forma significativa a demanda por viagens internacionais ao país, em um contexto já marcado por retração do turismo receptivo devido a políticas de entrada adotadas pelo governo americano. As alterações estão em análise pela U.S. Customs and Border Protection e ampliam a coleta de dados pessoais de viajantes isentos de visto.
Segundo pesquisa do WTTC, conduzida entre 23 de dezembro de 2025 e 2 de janeiro de 2026 com mais de 4.500 viajantes de países do Visa Waiver Program, 34% dos entrevistados afirmaram que seriam menos propensos a visitar os Estados Unidos nos próximos dois a três anos caso as mudanças entrem em vigor. Apenas 12% disseram que a proposta aumentaria a probabilidade de viagem.
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O levantamento incluiu viajantes do Reino Unido, Alemanha, França, Japão, Austrália, Espanha, Itália, Holanda e Coreia do Sul. Dois terços dos respondentes já conheciam as propostas, o que, segundo o WTTC, demonstra que o simples sinal regulatório já afeta a intenção de viagem.
Revisões do ESTA
As revisões do ESTA preveem a ampliação das informações exigidas, com possibilidade de inclusão de identificadores de redes sociais e outros dados pessoais. Para o conselho, as medidas podem reforçar a percepção de que os Estados Unidos se tornaram um destino menos acessível em um cenário de crescente competição global por turistas.
A World Tourism Network (WTN) afirmou que os resultados refletem uma crise mais ampla no turismo receptivo do país. Em nota, a entidade declarou que “o WTTC está tomando as medidas necessárias para reagir às políticas de Trump que estão literalmente destruindo o turismo de entrada nos Estados Unidos, especialmente a partir da Europa”.
A WTN acrescentou que o estudo não contempla países que enfrentam proibições diretas de entrada, além de taxas adicionais de visto e exigência de depósitos de segurança que podem chegar a US$ 15 mil para determinadas nacionalidades. Segundo a entidade, essas medidas afetam de forma mais intensa mercados emergentes e destinos de longa distância.
Modelagem econômica do WTTC, realizada em parceria com a Oxford Economics, estima que, em um cenário de alto impacto, os Estados Unidos podem perder até 4,7 milhões de chegadas internacionais em 2026, queda próxima de 24% em relação às projeções de referência. O impacto pode resultar em mais de 150 mil empregos perdidos no setor de viagens e turismo e em bilhões de dólares a menos em gastos de visitantes.
O efeito também atinge o segmento de reuniões, incentivos, conferências e exposições. De acordo com a World Tourism Network, organizadores internacionais têm redirecionado eventos para a Europa, Ásia e Oriente Médio. “Grandes congressos, programas de incentivo e encontros internacionais estão sendo transferidos porque os Estados Unidos deixaram de ser percebidos como um destino fácil, neutro ou previsível para eventos globais”, afirmou a entidade.
Respondentes da pesquisa indicaram ainda que as mudanças propostas no ESTA não aumentariam a sensação de segurança pessoal e poderiam reforçar a imagem de um país menos aberto ao turismo internacional. Diante do cenário, WTTC e WTN defendem que o governo americano reavalie as políticas de entrada e retome o diálogo com a indústria global de viagens.
As entidades alertam que a combinação de exigências mais rígidas, custos elevados e restrições de acesso pode gerar danos reputacionais de longo prazo ao turismo dos Estados Unidos, em um momento considerado crítico para a recuperação global do setor, geração de empregos e competitividade internacional.







