
A combinação entre o avanço do conflito no Oriente Médio, a disparada no preço do combustível de aviação e o risco de uma nova greve de caminhoneiros no Brasil já começa a mudar, na prática, a forma como empresas organizam suas viagens corporativas em 2026. O alerta vem da R3 Viagens, agência especializada no segmento, que aponta aumento de tarifas, revisão de rotas e mais cautela na tomada de decisão.
Segundo a empresa, o impacto deixou de ser pontual e passou a influenciar diretamente o planejamento financeiro. Com o querosene de aviação saltando de uma faixa entre US$ 85 e US$ 90 para níveis próximos de US$ 150 a US$ 170, companhias aéreas já repassam parte desse custo ao passageiro, principalmente em voos de longa distância.
Ao mesmo tempo, a instabilidade em regiões estratégicas tem levado empresas aéreas a cancelar voos, reduzir frequências e redesenhar suas malhas. O efeito é direto para quem viaja a trabalho: mais conexões, menos previsibilidade e custos maiores.
Rotas mais longas e hubs alternativos entram no radar
Com o redesenho das rotas, destinos e conexões também entram em revisão. Trechos que antes passavam por regiões do Oriente Médio agora são evitados ou ajustados, o que muda o tempo total de viagem e, muitas vezes, o custo final.
Na prática, hubs considerados mais estáveis, como Lisboa, Paris e Istambul, ganham protagonismo. A escolha nem sempre é a mais rápida, mas tende a ser mais segura e previsível.
Esse movimento mostra uma mudança importante de lógica. A rota mais barata no momento da compra pode não ser a melhor decisão quando se considera risco de cancelamento, perda de conexão e impacto na agenda do executivo.
Compra antecipada e controle viram prioridade
Outro ponto que volta com força é o comportamento de compra. Em um cenário mais volátil, emitir passagens em cima da hora passa a custar ainda mais caro.
A recomendação tem sido ampliar a antecedência, principalmente em rotas internacionais. Em muitos casos, sair de uma média de 15 a 20 dias para algo entre 60 e 90 dias pode gerar economia relevante no orçamento anual.
Além disso, empresas começam a olhar com mais atenção para desvios de política, como upgrades não autorizados ou compras fora dos canais oficiais. Pequenos desvios, somados, acabam pesando no resultado.
Tecnologia entra como peça central na decisão
Para lidar com esse cenário mais complexo, cresce o uso de dados e tecnologia na gestão de viagens. Ferramentas de inteligência artificial e análise de dados ajudam a identificar padrões de consumo, prever aumento de custos e ajustar políticas internas.
Na prática, isso significa sair de decisões isoladas e caminhar para uma gestão mais estruturada. Em vez de reagir ao problema, a ideia é antecipar movimentos e reduzir riscos.
Segundo a R3, relatórios automatizados e análises frequentes permitem que áreas como financeiro, RH e compras tenham uma visão mais clara do que está acontecendo e consigam agir com mais rapidez.
Pressão também vem de dentro do Brasil
Além do cenário internacional, o ambiente interno também preocupa. A possibilidade de uma nova greve de caminhoneiros reacende o risco de desabastecimento e problemas logísticos, como já aconteceu em 2018.
Esse tipo de situação impacta diretamente o transporte terrestre, aeroportos e até a operação de voos, criando um efeito em cadeia que pode afetar viagens já planejadas.
2026 exige menos improviso e mais estratégia
Para a R3, não dá mais para tratar viagem corporativa como algo operacional. O tema entra de vez na estratégia das empresas.
“Quando somamos conflito geopolítico, combustível caro e risco logístico, a diferença entre ter ou não uma política bem estruturada impacta diretamente o caixa”, afirma o CEO Roberto Ruiz Júnior.
Na leitura da empresa, companhias que conseguirem organizar melhor suas políticas, antecipar compras e usar dados de forma inteligente devem atravessar esse período com menos impacto.
Do outro lado, quem continuar no improviso pode sentir o efeito no orçamento já nos próximos meses.







