
A poucos meses da Copa do Mundo FIFA 2026, os Estados Unidos enfrentam um problema que vai além da burocracia: a percepção de que viajar para o país ficou mais caro e complicado. Entre taxas ainda não implementadas e novas exigências anunciadas, o cenário tem gerado insegurança em turistas internacionais e preocupação no setor de turismo.
Taxa de US$ 250 ainda não começou
Um dos pontos mais comentados é a chamada “Visa Integrity Fee”, de US$ 250. Apesar de já aprovada, a cobrança ainda não começou. Na prática, o custo do visto de turismo continua em US$ 185, sem alteração até agora.
A questão é que a informação circula de forma confusa, criando a impressão de que entrar nos EUA ficou mais caro. E isso pesa. Mesmo sem mudança real, o impacto na decisão de viagem já começa antes do embarque.
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Caução de até US$ 15 mil entra no radar
Além da taxa, uma nova medida chama atenção. O governo americano anunciou que vai exigir uma caução de até US$ 15 mil para solicitantes de visto de turismo e negócios de cerca de 50 países. O Brasil não está na lista.
A regra funciona como uma garantia: o viajante deposita o valor e recebe o dinheiro de volta se cumprir as condições do visto e deixar o país dentro do prazo. Caso contrário, perde a quantia. A medida começa a valer a partir de abril e tem como objetivo reduzir o número de pessoas que permanecem nos EUA além do período permitido.
Os países incluídos são: Argélia, Angola, Antígua e Barbuda, Bangladesh, Benin, Butão, Botswana, Burundi, Cabo Verde, República Centro-Africana, Costa do Marfim, Cuba, Djibuti, Dominica, Fiji, Gabão, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Quirguistão, Malawi, Mauritânia, Namíbia, Nepal, Nigéria, São Tomé e Príncipe, Senegal, Tadjiquistão, Tanzânia, Togo, Tonga, Turcomenistão, Tuvalu, Uganda, Vanuatu, Venezuela, Zâmbia, Zimbábue, além dos novos países adicionados: Camboja, Etiópia, Geórgia, Granada, Lesoto, Ilhas Maurício, Mongólia, Moçambique, Nicarágua, Papua Nova Guiné, Seychelles e Tunísia.
Mesmo sendo direcionada a países específicos, o anúncio reforça a sensação de que entrar no país está mais difícil.
Copa pode ter visto mais rápido
Na contramão dessa percepção, autoridades afirmam que o processo pode ser até mais rápido para quem vai assistir aos jogos. Torcedores com ingressos terão prioridade na marcação de entrevistas para o visto. Na prática, isso significa menos tempo de espera e mais previsibilidade para quem já decidiu viajar. A ideia é evitar gargalos e garantir que o fluxo de turistas acompanhe a demanda do evento.
Além disso, viajantes de países que fazem parte do programa de isenção seguem utilizando autorização eletrônica, com aprovação mais ágil e validade de até dois anos.
Medidas em discussão preocupam o setor em ano de Copa
Nos bastidores, a U.S. Travel Association tenta evitar que novas exigências compliquem ainda mais o cenário. Entre as propostas em análise está a possibilidade de exigir histórico de redes sociais de viajantes, o que ainda não foi implementado.
A avaliação é: qualquer barreira extra, mesmo que pontual, pode afastar turistas. O receio é que o excesso de exigências acabe pesando mais na decisão do que o próprio interesse em visitar o país.
O maior risco é a percepção errada
A soma de medidas, anúncios e discussões cria um efeito colateral difícil de controlar. Mesmo quando regras não mudam, a percepção de que mudaram já influencia decisões. E isso acontece no pior momento possível.
Com a promessa de ser a maior Copa da história, os Estados Unidos correm contra o tempo para alinhar discurso e prática. Porque, no fim, não basta facilitar a entrada. É preciso deixar claro que ela continua acessível e que o país segue preparado para receber visitantes do mundo todo.

*Com informações de Costar







