
O Irã afirmou nesta sexta-feira (20) que pode atacar destinos turísticos frequentados por americanos e israelenses em qualquer parte do mundo. A declaração foi feita por porta-vozes militares e ocorre em meio à escalada do conflito com Israel e Estados Unidos, iniciado em 28 de fevereiro. A ameaça surge como resposta a ataques que atingiram lideranças políticas e militares iranianas, ampliando o risco de impactos no turismo internacional e na segurança global.
Segundo o porta-voz do Exército iraniano, Sardar Shekarchi, “de agora em diante, centros turísticos e de lazer ao redor do mundo serão inseguros para os inimigos”. A declaração foi divulgada pela agência estatal ISNA e ocorre após ofensivas que, segundo Teerã, resultaram na morte de integrantes do governo e comandantes militares.
O militar também afirmou que o país monitora autoridades e forças adversárias. “Estamos de olho em seus covardes funcionários e comandantes, seus pilotos e seus soldados, e não demorará muito para que os arrastemos para fora de seus esconderijos e abrigos, em total humilhação e desonra, para infligir a punição que suas ações malditas merecem”, declarou.
A ameaça inclui, de forma ampla, “parques, áreas recreativas e destinos turísticos” em diferentes regiões, sem detalhamento de locais específicos, o que amplia a incerteza no cenário internacional e dificulta a avaliação de risco por autoridades e empresas do setor de viagens.
Escalada do conflito e impacto nas lideranças iranianas

As declarações ocorrem cerca de três semanas após o início dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro. As ofensivas atingiram instalações militares, energéticas e lideranças políticas do país.
Entre os mortos estão integrantes de alto escalão, incluindo figuras ligadas à inteligência e à segurança nacional. O ministro da Inteligência, Esmail Khatib, está entre as vítimas mencionadas em comunicados oficiais iranianos, assim como outros comandantes militares.
No mesmo contexto, o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que os adversários buscam desestabilizar o país ao atingir sua liderança. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, ele declarou que os ataques foram baseados na “ilusão” de que a morte de líderes levaria à queda do governo.
Khamenei também afirmou que a população iraniana respondeu ao conflito com mobilização interna. Segundo o texto, os cidadãos construíram uma “frente defensiva nacional” e responderam aos ataques. O líder não é visto em público desde que assumiu o cargo após a morte de seu pai, Ali Khamenei, morto em ataques aéreos no início da guerra.
Ações militares ampliam tensão regional
Além das declarações, o conflito segue com desdobramentos militares. O Irã lançou novos ataques contra Israel e também contra instalações energéticas em países do Golfo. Há registros de ações contra refinarias e infraestrutura petrolífera, incluindo ataques com drones.
Essas ações ocorrem em paralelo a datas relevantes no calendário regional, como o Nowruz, o Ano Novo persa, e o período de encerramento do Ramadã. As celebrações foram impactadas pelo cenário de segurança e pelos desdobramentos militares. A intensificação das ofensivas levanta preocupações sobre a possibilidade de expansão do conflito para outros territórios e sobre o uso de ataques fora do Oriente Médio como instrumento de pressão estratégica.
Mercado de energia reage à instabilidade

O conflito já apresenta reflexos no mercado global de energia. O preço do petróleo tipo Brent subiu para cerca de US$ 108 por barril durante os confrontos, ante aproximadamente US$ 70 antes do início da guerra.
A elevação está relacionada a riscos no fornecimento, especialmente diante de movimentações no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Interrupções ou ameaças à navegação na região têm impacto direto nos preços internacionais.
Além disso, ataques a instalações energéticas em países do Golfo contribuem para a volatilidade e aumentam a preocupação com o abastecimento global, com efeitos indiretos sobre custos de transporte, alimentos e combustíveis.
Reforço militar dos EUA e movimentação internacional
Os Estados Unidos ampliaram a presença militar no Oriente Médio. De acordo com autoridades americanas, foram mobilizados navios de assalto anfíbio e cerca de 2.500 fuzileiros navais adicionais para a região. O envio ocorre após deslocamentos anteriores de forças militares e faz parte de uma estratégia de contenção diante da escalada do conflito. Apesar disso, o governo americano afirmou não ter planos imediatos de envio de tropas terrestres ao Irã.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também ajustou sua atuação. Parte do efetivo foi retirada do Iraque e transferida para a Europa após ataques contra bases que abrigavam tropas internacionais. Essas movimentações indicam um aumento da atenção internacional ao conflito e reforçam o cenário de instabilidade geopolítica.
Possíveis impactos no turismo e na mobilidade global
A ameaça direta a destinos turísticos introduz um novo elemento de risco para o setor de viagens. Embora não haja indicação de alvos específicos, a menção a locais de lazer e turismo amplia a preocupação de governos e empresas do setor.
Companhias aéreas, operadoras e gestores de viagens tendem a monitorar o cenário e podem revisar rotas, políticas de segurança e recomendações a viajantes, dependendo da evolução do conflito. Além disso, a percepção de risco pode influenciar decisões de turistas e empresas, afetando fluxos internacionais e a demanda por determinados destinos.
A ameaça do Irã de atingir destinos turísticos amplia o alcance potencial do conflito e introduz novos riscos para a mobilidade internacional. Em paralelo à escalada militar e aos impactos no mercado de energia, o cenário reforça a preocupação com segurança global e possíveis efeitos sobre o fluxo de viagens. O desenvolvimento das tensões nas próximas semanas deve orientar decisões de governos e do setor privado diante de um ambiente de incerteza.
*Com informações de AP News.







