Brasil
País supera previsões e atinge 9,3 milhões de turistas internacionais (Acervo Setur-RJ)

O Brasil encerrou 2025 com um desempenho que poucos esperavam. Foram 9,3 milhões de turistas internacionais, um salto de 37,1% em relação ao ano anterior e bem acima das previsões feitas até pouco tempo atrás. A meta de 8 milhões, que só deveria ser alcançada em 2027, ficou para trás dois anos antes. O dado muda o patamar do país no turismo global e, ao mesmo tempo, abre uma nova fase de análise: crescer é importante, mas entender de onde vem esse crescimento virou prioridade.

Além do fluxo recorde, o impacto financeiro também chamou atenção. O turismo internacional gerou US$ 7,9 bilhões em receitas, avanço de 7,14%. Na prática, mais visitantes e mais dinheiro circulando. Um resultado que reforça o peso do setor na economia e consolida o Brasil como o principal destino receptor da América do Sul.

Os números que reposicionam o Brasil no turismo internacional fazem parte da 7ª edição da Revista Tendências do Turismo, que chega nesta quarta-feira (25) ao mercado com uma mudança importante. Produzida pela Embratur e pelo Ministério do Turismo, a publicação passa a contar também com a participação da Braztoa, que traz o olhar direto das operadoras para dentro da análise.

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O peso da América do Sul no crescimento

Se tem um ponto central para entender 2025, ele passa pela América do Sul. Sozinha, a região respondeu por 64% de todos os turistas que chegaram ao Brasil. Um aumento de 8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

A Argentina puxou esse movimento. O país foi responsável por 36% do total de visitantes, com crescimento de 73%. Chile, Paraguai e Uruguai também aparecem no topo da lista. Juntos com os Estados Unidos, esses cinco mercados concentraram 65% de todo o fluxo internacional.

Esse cenário reforça uma característica já conhecida, mas que agora se intensifica: o Brasil depende cada vez mais dos vizinhos. Ao mesmo tempo em que isso garante volume, também cria um risco. Qualquer oscilação econômica nesses países impacta diretamente o resultado brasileiro.

Menos Europa proporcionalmente, mais diversidade em crescimento

Mesmo com a força sul-americana, outros mercados continuam relevantes. Europa e América do Norte tiveram crescimento em números absolutos, 20% e 7% respectivamente. Ainda assim, perderam participação no total.

No recorte geral, América do Sul, Europa e América do Norte concentraram 94% das chegadas internacionais. Um número alto que mostra concentração, mas também espaço para expansão em outras regiões.

Países como China, Colômbia e até mercados menos tradicionais começaram a aparecer com mais força nas buscas por viagens ao Brasil. Não são protagonistas ainda, mas indicam uma possível diversificação no médio prazo.

Como o turista chega e por onde entra

O avião segue sendo o principal meio de acesso ao Brasil. Em 2025, 66% dos turistas chegaram por via aérea, um crescimento de 33,2% em relação ao ano anterior. Já o transporte terrestre respondeu por 31%, com forte influência da sazonalidade, especialmente no verão.

São Paulo e Rio de Janeiro continuam como principais portas de entrada, concentrando juntos mais da metade das chegadas. Estados do Sul também ganham relevância, impulsionados pela proximidade com países vizinhos.

Mas existe um ponto importante aqui. Entrada não significa destino final. Ainda há uma lacuna na leitura sobre para onde o turista realmente vai depois de desembarcar. Dados de busca ajudam a dar pistas, mas não fecham essa conta.

O que o mundo procura no Brasil

Quando o assunto é interesse internacional, o Rio de Janeiro segue isolado na liderança. A cidade concentra 26% das buscas por hotéis feitas no exterior. Bem atrás aparecem São Paulo, Florianópolis, Búzios e Foz do Iguaçu.

O ranking confirma algo que o mercado já sente há anos. O Brasil ainda é vendido, principalmente, por poucos cartões-postais. E isso vale também para os atrativos. Cristo Redentor e Pão de Açúcar continuam no topo, seguidos pelas Cataratas do Iguaçu e destinos de natureza.

Ao mesmo tempo, alguns lugares começam a crescer em ritmo mais acelerado. Maragogi, Chapada Diamantina e Arraial do Cabo são exemplos de destinos que vêm ganhando espaço na busca internacional.

Turismo mais caro e mais rentável

Outro dado que ajuda a entender o momento é o comportamento da hotelaria. A diária média subiu de US$ 181 para US$ 196 em 2025, um aumento de 8,3%. Isso impactou diretamente a receita por quarto disponível, que também cresceu.

A ocupação, por outro lado, ficou praticamente estável, em torno de 62%. Ou seja, o crescimento da receita veio muito mais pelo aumento de preço do que por volume de ocupação.

Na prática, o turismo brasileiro ficou mais caro e mais rentável. Um movimento comum em momentos de alta demanda, mas que exige atenção para não afastar determinados perfis de viajantes.

2026 começa com ajuste, não com queda

Depois de um ano fora da curva, a tendência para 2026 é de desaceleração. Mas isso não significa crise. Pelo contrário, o cenário é de normalização.

As projeções variam. Algumas indicam queda de até 9,4% no número de turistas, enquanto outras apontam crescimento de até 6%. A diferença está, principalmente, na expectativa sobre os países vizinhos.

A possível redução no fluxo de argentinos e chilenos pesa nas estimativas mais conservadoras. Por outro lado, mercados de longa distância, como Estados Unidos e Europa, tendem a crescer.

Sinais do início de 2026

Os primeiros dados do ano ajudam a equilibrar essa leitura. O Brasil recebeu 2,6 milhões de turistas internacionais no primeiro bimestre. É o segundo melhor resultado da história para o período, atrás apenas de 2025.

Além disso, as reservas de voos internacionais cresceram 16% no primeiro trimestre. O país concentra 40% de todos os bilhetes emitidos para a América do Sul, reforçando sua liderança regional. Ou seja, mesmo com ajustes pontuais, o interesse pelo Brasil segue alto.

Mais do que números, um reposicionamento

O que os dados de 2025 e as projeções de 2026 mostram vai além de crescimento ou queda. Existe uma mudança de posição. O Brasil deixou de ser promessa e passou a ser protagonista no turismo da região. Mas, junto com isso, vem um desafio mais complexo. Entender melhor quem chega, para onde vai e quanto gasta.

Sem isso, o risco é continuar comemorando recordes sem transformar volume em estratégia. E talvez esse seja o ponto mais importante agora. O turismo brasileiro já provou que pode crescer. A próxima etapa é fazer esse crescimento valer mais.