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Turbulência nos voos muda a função do concierge corporativo (Freepik)

Quem ainda associa concierge corporativo a reservas em restaurantes caros ou experiências exclusivas está olhando para um cenário que já ficou para trás. Hoje, o que mais pesa no dia a dia desse serviço são os imprevistos, e eles vêm, principalmente, em voos.

Um levantamento da Biosfera Copastur mostra que 77% das solicitações feitas ao concierge estão ligadas a emergências em viagens aéreas. A base considera mais de 9 mil atendimentos realizados em um período de seis meses.

Isso significa que o concierge virou uma espécie de “central de crise” para executivos em trânsito. Alterações de voos de última hora, conexões perdidas, reacomodações urgentes e suporte logístico são hoje a maior parte da demanda.

“A análise mostra que o concierge está sendo usado como uma central de resolução ágil para logística e vida prática, solucionando contratempos em viagens e deslocamentos de executivos(as), e não apenas para experiências de alto padrão”, afirma Edmar Mendoza.

Luxo perde espaço para urgência em voos

Os números ajudam a entender essa virada. Pedidos ligados a restaurantes e compra de ingressos somam 20% das demandas. Já solicitações voltadas a viagens de lazer representam apenas 1%.

O dado escancara uma mudança de comportamento. O executivo que antes acionava o concierge para facilitar experiências agora recorre ao serviço para evitar prejuízos, atrasos e desgaste em agendas cada vez mais apertadas. No fim, a prioridade deixou de ser conforto e passou a ser controle da operação.

Com a malha aérea pressionada, aumento de conexões e operações no limite em muitos aeroportos, a chance de algo sair do planejado cresceu. Quando isso acontece, cada minuto conta, principalmente para quem viaja a trabalho. Um atraso de horas pode significar reuniões perdidas, contratos adiados e custos extras que se acumulam rapidamente.

Voos: a nova função do concierge corporativo

O concierge virou um braço operacional das empresas. Ele atua para garantir que o colaborador chegue ao destino, mesmo quando o planejamento inicial falha. Isso envolve desde remarcações rápidas até reorganização completa da viagem, incluindo hospedagem, transporte terrestre e novos voos. Tudo em tempo real, muitas vezes enquanto o problema ainda está acontecendo.

Esse suporte funciona como uma retaguarda estratégica, que assume a tomada de decisão em momentos críticos. O viajante deixa de lidar sozinho com filas, aplicativos e centrais de atendimento e passa a ter alguém resolvendo tudo nos bastidores.

Esse movimento também acompanha uma preocupação maior das empresas com segurança e rastreabilidade. Saber onde está o funcionário e conseguir agir rápido em caso de problema deixou de ser diferencial e virou necessidade básica. Em um cenário global mais instável, essa visibilidade virou peça-chave.

Crescimento acelerado à vista

Para 2026, a empresa projeta ao menos 22.500 atendimentos no concierge corporativo, um crescimento de 25%. Em um cenário mais otimista, esse número pode chegar a 26.100 solicitações, o que representaria um salto de 45%.

O avanço não vem apenas do aumento das viagens e voos, mas da complexidade delas. Mais deslocamentos, mais conexões e menos margem para erro criam um ambiente onde o suporte contínuo se torna indispensável. Além disso, empresas têm buscado eficiência operacional, e evitar falhas logísticas virou parte dessa equação.

Quando viajar vira gestão de risco

O dado mais interessante desse levantamento não é só o percentual alto de emergências. É o que ele revela sobre o momento atual das viagens corporativas. Viajar a trabalho sempre exigiu planejamento. Agora, exige também resposta rápida.

O concierge deixou de ser um serviço de conveniência para se tornar uma ferramenta estratégica. Ele reduz impacto financeiro, evita perda de compromissos e, principalmente, tira do executivo o peso de resolver problemas no meio do caminho. O serviço passa a proteger não só a viagem, mas o próprio negócio.