Lisboa entra em ranking global dos aeroportos onde é mais fácil perder voos de conexão
Lisboa aparece entre os piores aeroportos do mundo para voos de conexão (Reprodução/Aeroporto de Lisboa)

O Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, apareceu entre os aeroportos do mundo com maior risco de passageiros perderem voos de conexão. O levantamento foi divulgado nesta terça-feira (19) pela AirHelp e colocou o terminal português na 26ª posição do ranking internacional, que analisou 196 aeroportos ao redor do planeta.

Segundo o estudo, o aeroporto da capital portuguesa recebeu nota 4,64 em uma escala que mede o risco operacional para conexões aéreas. A análise leva em conta fatores como atrasos, tempo disponível entre escalas, deslocamentos internos, mudanças de terminal e saturação da infraestrutura aeroportuária.

O relatório aponta que perder um voo de ligação não depende apenas do atraso do passageiro. Em muitos casos, as próprias operações do aeroporto acabam tornando a conexão inviável, especialmente em hubs com grande fluxo internacional e estruturas pressionadas pela alta demanda.

Em nota divulgada à imprensa portuguesa, a AirHelp afirmou que “milhares de passageiros enfrentam conexões demasiado ajustadas em grandes infraestruturas aeroportuárias, onde atrasos, controles, mudanças de terminal ou saturação operativa podem transformar uma escala aparentemente viável numa corrida contra o relógio”.

Lisboa enfrenta pressão crescente com aumento do fluxo internacional

O resultado do levantamento acontece em meio aos recentes problemas operacionais registrados nos aeroportos portugueses, especialmente em Lisboa. Nos últimos dias, passageiros relataram longas filas, atrasos e dificuldades nos controles de fronteira do Aeroporto Humberto Delgado.

Nesta terça-feira, uma falha informática no sistema de controle de fronteiras provocou novos constrangimentos no terminal. Segundo informações da PSP, polícia responsável pela fiscalização aeroportuária em Portugal, o problema teria sido causado pela avaria de um equipamento.

As autoridades afirmaram que a situação foi “muito pontual” e resolvida em menos de 30 minutos, mas o episódio voltou a expor a fragilidade operacional do aeroporto em períodos de grande movimento.

O crescimento do turismo em Portugal nos últimos anos também aumentou a pressão sobre Lisboa, considerada uma das principais portas de entrada da Europa para passageiros vindos da América do Sul, África e outros destinos internacionais.

Além do turismo, a posição estratégica do aeroporto transformou a capital portuguesa em um importante ponto de conexão para voos entre Europa, Brasil e Estados Unidos.

Escalas apertadas aumentam risco para passageiros

De acordo com especialistas do setor aéreo, conexões curtas em aeroportos congestionados elevam significativamente as chances de perda do embarque seguinte. Situações como controle migratório demorado, mudança de portão e inspeções adicionais podem consumir rapidamente o tempo disponível entre os voos.

Em Lisboa, o cenário se agrava nos horários de pico e durante a alta temporada europeia, quando o fluxo de passageiros internacionais cresce de forma expressiva.

A recomendação para quem faz conexão no aeroporto português é evitar escalas muito curtas, principalmente em viagens envolvendo imigração ou troca entre voos domésticos e internacionais.

Outros aeroportos portugueses também aparecem no ranking

Além de Lisboa, outros aeroportos portugueses foram avaliados no estudo da AirHelp. O Aeroporto João Paulo II, nos Açores, e o Aeroporto das Lajes, na Ilha Terceira, apareceram empatados na 44ª posição mundial, ambos com pontuação 5,10, considerados em faixa de risco moderado.

Já o Aeroporto do Porto apresentou um desempenho mais positivo. O terminal apareceu na 87ª posição global, com nota 6,21, sendo considerado uma opção mais segura para passageiros em trânsito.

Segundo a análise, o Porto oferece tempos mínimos recomendados de 35 minutos para conexões domésticas e 70 minutos para voos internacionais, índices considerados mais confortáveis em comparação com Lisboa.

Entre os aeroportos portugueses mais bem avaliados estão ainda o Aeroporto da Madeira, o Aeroporto de Faro e o Aeroporto do Pico, todos com pontuações superiores a 7.

Governo português acompanha crise nos aeroportos

Os problemas enfrentados nos aeroportos portugueses também passaram a gerar repercussão política no país. Recentemente, o primeiro-ministro Luís Montenegro comentou os constrangimentos registrados nos controles de fronteira e admitiu a possibilidade de medidas mais rígidas para enfrentar a situação.

A PSP também divulgou comunicado afirmando que os atrasos observados nos aeroportos portugueses têm relação direta com questões técnicas e informáticas, além do aumento no número de passageiros vindos de fora do Espaço Schengen.

A corporação ainda criticou o que chamou de “desinformação reiterada” sobre o cenário nos terminais portugueses, citando notícias que apontavam esperas de até seis horas nos controles migratórios.

Mesmo assim, passageiros seguem relatando dificuldades frequentes em Lisboa, especialmente em conexões internacionais durante períodos de maior movimento.

O que passageiros devem fazer para evitar perder conexões em Lisboa

Especialistas em aviação recomendam atenção redobrada ao escolher voos com escala em Lisboa. Em viagens internacionais, o ideal é reservar um intervalo maior entre os voos para evitar problemas causados por atrasos operacionais ou filas inesperadas.

Também é importante acompanhar alterações de portão em tempo real, realizar o check-in antecipadamente e priorizar conexões emitidas no mesmo bilhete aéreo, já que companhias costumam oferecer maior suporte em caso de perda de conexão.

Com o verão europeu se aproximando e o aumento esperado no fluxo turístico, a tendência é de que os aeroportos portugueses operem novamente sob pressão nas próximas semanas.

*Com informações de noticiasaominuto