
SÃO PAULO – A nova linha de crédito de R$ 5,5 bilhões do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC) foi recebida com otimismo pelas companhias aéreas. Durante participação no Seminário LIDE Turismo, realizado nesta quarta-feira (10), os CEOs da Latam Brasil e da Azul defenderam a iniciativa e afirmaram que os recursos podem ajudar o setor a enfrentar o aumento dos custos operacionais sem comprometer investimentos e conectividade.
As declarações ocorreram poucas horas após a formalização dos pedidos de acesso ao programa por Gol, Azul, Latam e Abaeté. Operada pelo BNDES, a linha foi estruturada pelo Ministério de Portos e Aeroportos como uma forma de reforçar a liquidez das empresas em um momento marcado pela alta do combustível, volatilidade cambial e desafios financeiros acumulados desde a pandemia.
Para o CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, o programa representa a oportunidade de finalmente utilizar o FNAC para um propósito alinhado à sua criação: apoiar o desenvolvimento da aviação nacional.
“Quando o FNAC foi criado, muitos anos atrás, a intenção sempre foi que ele fosse utilizado para o desenvolvimento da aviação. O fato é que ele nunca foi utilizado dessa forma. Nem aeroportos nem companhias aéreas tiveram acesso a esses recursos”, afirmou.
Segundo o executivo, as discussões sobre o uso do fundo para apoiar financeiramente o setor vêm acontecendo há bastante tempo e ganharam força diante da pressão provocada pela disparada dos custos operacionais.
“O uso do FNAC para ajudar no financiamento das companhias aéreas durante essa crise de custos é uma muito boa ideia. A gente torce para que isso seja implementado e possa acontecer no curto prazo”, revelou em coletiva.
Cadier destacou que a principal pressão sobre as empresas continua sendo o combustível de aviação. Segundo ele, o custo do querosene praticamente dobrou em comparação aos níveis históricos observados antes das recentes turbulências internacionais.
“Nós pagávamos em média cerca de US$ 90 por barril de combustível. Esse valor chegou a US$ 180. Estamos falando de praticamente o dobro do custo”.
De acordo com o CEO da Latam, aumentos dessa magnitude impactam diretamente a estratégia das companhias, exigindo revisão constante de frequências, expansão de rotas e políticas tarifárias.
“Quando isso acontece, você repensa a malha, repensa quantas frequências vai operar em cada mercado e também precisa revisar preços para compensar parte desse aumento”.
Apesar do cenário desafiador, Cadier afirmou que a Latam segue expandindo suas operações e não retirou nenhuma cidade de sua malha aérea, embora o ritmo de crescimento tenha sido ajustado diante da nova realidade de custos.
Na Azul, a avaliação é semelhante. O CEO John Rodgerson afirmou que a companhia acompanha as discussões sobre o FNAC há anos e vê a medida como um importante instrumento para dar estabilidade financeira ao setor.
“Estamos muito animados. Estamos trabalhando no FNAC há alguns anos e agora ele está chegando perto de se concretizar”, celebrou.
Segundo Rodgerson, um dos principais desafios da aviação brasileira é a dificuldade de acesso a capital em momentos de instabilidade econômica, cenário que torna mecanismos de financiamento ainda mais relevantes. “O grande problema do setor é a falta de liquidez e a falta de capital de giro em momentos como este. O FNAC pode dar o fôlego necessário para que as empresas continuem crescendo”.
Para o executivo, a nova linha de crédito pode ajudar as companhias a atravessar um período marcado por uma combinação de fatores externos que fogem ao controle das empresas, como conflitos geopolíticos, oscilações cambiais e eventos climáticos extremos.
“Tem guerra, tem aumento de custos, tem situações como a de Porto Alegre. Tudo isso afeta a operação. Esse tipo de instrumento nos dá confiança para continuar investindo”, concluiu.
Embora as empresas ainda aguardem a operacionalização definitiva da linha de crédito, os comentários dos dois executivos demonstram que o setor vê o FNAC como uma ferramenta estratégica para preservar investimentos, manter a conectividade aérea e garantir condições para que a aviação continue expandindo sua contribuição para o turismo e para a economia brasileira.







