resort
Participantes do 2º Encontro de Gestores de A&B – Gestores discutem gastronomia, ESG e eficiência em encontro da Resorts Brasil (Divulgação/Resorts Brasil)

A área de alimentos e bebidas deixou de ser vista apenas como uma operação de apoio dentro dos resorts brasileiros e passou a ocupar uma posição estratégica na construção de experiências e na geração de resultados. Essa foi uma das principais conclusões do 2º Encontro de Gestores de Alimentos & Bebidas da Resorts Brasil, realizado no Grande Hotel São Pedro, em Águas de São Pedro, no interior de São Paulo.

O encontro reuniu, ao longo de três dias de programação, 52 gestores de mais de 25 empreendimentos associados à entidade. O objetivo foi promover o intercâmbio de experiências e debater os desafios e oportunidades de uma área que, nos últimos anos, assumiu maior relevância para a hotelaria nacional.

Mais do que discutir operações, compras ou processos internos, o evento consolidou entre os participantes uma visão compartilhada de que a gastronomia se tornou uma ferramenta de geração de valor, fortalecimento de marca e construção de experiências para os hóspedes. Na abertura do encontro, a diretora executiva da Resorts Brasil, Juliana Salles, destacou a importância da troca de conhecimento entre os associados e do compartilhamento de experiências em um mercado em constante transformação.

O vice-presidente de Operações da entidade, Felipe de Castro, enfatizou a necessidade de criar espaços de reflexão e discussão em meio às demandas diárias enfrentadas pelos empreendimentos. Já Marcelo Picka Van Roey, conselheiro da Resorts Brasil e diretor-geral dos Grande Hotéis Senac, ressaltou a relevância do associativismo para o desenvolvimento do setor. “Quando compartilhamos conhecimento, fortalecemos processos, ampliamos nossa capacidade de negociação e transformamos experiências individuais em inteligência coletiva para todo o segmento”, afirmou.

A programação técnica da Resorts Brasil começou com discussões voltadas aos temas de suprimentos, eficiência operacional e gestão estratégica. Os participantes debateram o papel da inteligência de dados e da profissionalização dos processos de compras como ferramentas para ampliar a competitividade e a rentabilidade dos empreendimentos.

O tema ganhou novos contornos durante um painel dedicado à visão estratégica do setor de alimentos e bebidas. A discussão reuniu Marcelo Picka Van Roey, Carlos Bernardo, vice-presidente de Operações da Accor Premium, Midscale & Economy Américas, Hebert Holder, fundador da 134 Office, Márcio Muller, gerente de A&B do Transamerica Comandatuba, e Adriano Cossolino, gerente-geral de A&B do grupo Aviva.

O grupo abordou questões relacionadas à rentabilidade, à experiência do cliente, ao posicionamento de marca e à competitividade, defendendo que a gastronomia deixou de ser encarada apenas como um centro de custos e passou a ser um elemento de geração de valor para os empreendimentos.

Gestão de alimentos e bebidas em resorts ganha papel estratégico

Durante o painel, os participantes destacaram o impacto da gastronomia na experiência do hóspede e no desempenho dos empreendimentos. “Hoje, a gastronomia influencia diretamente a satisfação, a fidelização e até mesmo a decisão de retorno dos clientes”, destacou Carlos Bernardo. A afirmação evidencia uma mudança de percepção no setor de hospitalidade. Se antes a área de alimentos e bebidas era considerada apenas um complemento da hospedagem, hoje ela exerce influência direta na construção da experiência do cliente e na decisão de escolha de um empreendimento.

Hebert Holder também chamou atenção para a importância do relacionamento entre marcas e consumidores. “Marcas fortes são aquelas capazes de criar conexões genuínas com as pessoas”, observou. As discussões também abordaram a necessidade de compreender as mudanças no comportamento do consumidor, cada vez mais interessado em experiências personalizadas, autenticidade e conexão com a cultura local.

Outro tema que ocupou espaço central no encontro foi a sustentabilidade. A agenda ambiental e social ganhou destaque nas discussões sobre o futuro da hospitalidade e sobre as transformações pelas quais passa a indústria de viagens. Em sua palestra, Ana Paula Arbache, referência em ESG aplicado à hospitalidade, incentivou os participantes a enxergar as práticas ambientais, sociais e de governança como parte das estratégias de negócio. “ESG é conversa de negócio, de eficiência e de resultado”, afirmou.

A discussão foi ampliada por Ana Rita Cohen, fundadora da Sustainable Kitchens, e pelo chef Fernando Bouzan, responsável pelo restaurante Blaise, localizado no Hotel Rosewood São Paulo. Os participantes apresentaram reflexões sobre desperdício de alimentos, rastreabilidade, valorização de produtores locais e modelos de consumo mais sustentáveis. “Desperdício é falta de criatividade”, resumiu Ana Rita.

Fernando Bouzan apresentou iniciativas relacionadas ao uso de fornecedores locais e ao aproveitamento integral dos alimentos, destacando a importância de estabelecer relações mais próximas entre produtores e consumidores. “O nosso objetivo é ser o único intermediário entre quem produz o alimento e quem está sentado à mesa”, declarou.