
A emissão de passaportes brasileiros no exterior aumentou 26% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior. De janeiro a junho, a rede consular emitiu 188.928 documentos, segundo dados divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) na quinta-feira (6). Em julho, foram registrados mais de 33 mil pedidos, o maior volume para um único mês.
O aumento da demanda foi acompanhado pela ampliação gradual do projeto de impressão centralizada dos passaportes pelo Itamaraty. Até este ano, as cadernetas eram enviadas pela Casa da Moeda do Brasil, enquanto a impressão dos dados pessoais e da fotografia era realizada nos postos consulares. Com o novo modelo, a impressão dos dados do documento também passou a ser feita pela Casa da Moeda nos postos participantes do projeto.
A expansão acompanha uma tendência observada nos últimos anos. Em 2024, a rede consular brasileira emitiu 195.658 passaportes. Em 2025, o total chegou a 274.429 documentos, avanço de 40% em comparação com o ano anterior.
Impressão centralizada
O projeto de impressão centralizada foi desenvolvido em 2025 e começou a operar em caráter piloto em abril de 2026 nos consulados-gerais de Boston e Nova York. Segundo o Itamaraty, a iniciativa foi planejada antes das restrições orçamentárias registradas neste ano e não está relacionada a elas.
A partir de julho, o sistema foi ampliado para os 11 postos consulares brasileiros nos Estados Unidos, além de unidades na Europa e na África. Nos demais consulados da rede, a impressão dos passaportes continua sendo realizada localmente.
Emissões de passaportes também crescem no Brasil

Considerando as emissões realizadas no país, a Polícia Federal expediu 1,43 milhão de passaportes entre janeiro e junho de 2026, alta de 21% em relação aos 1,18 milhão registrados no mesmo período de 2025.
Apesar do avanço, o resultado ainda ficou abaixo do recorde para um primeiro semestre, registrado em 2019, antes da pandemia de Covid-19, de acordo com dados do Sistema Nacional de Passaportes.
Divergência sobre impacto do orçamento
A explicação do Itamaraty para a ampliação da impressão centralizada difere da avaliação do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty).
Enquanto o ministério afirma que o projeto foi concebido antes das restrições orçamentárias e que nenhum posto ficou sem estoque de material para emissão dos documentos, o sindicato sustenta que a escassez de recursos se agravou nos últimos três anos, afetando tanto os servidores quanto a estrutura do MRE.
Segundo o Sinditamaraty, a entidade alertou a administração do ministério sobre a necessidade de buscar reforço orçamentário junto aos ministérios do Planejamento, da Fazenda e da Gestão.
O Itamaraty informou que adotou medidas de contingência para garantir a continuidade dos serviços, acrescentou que as encomendas de material à Casa da Moeda foram retomadas após o período de restrições orçamentárias e afirmou que não há previsão de interrupção da emissão de passaportes na rede consular.







