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Marina Marinho, presidente do Fornatur – Fornatur quer ampliar ações conjuntas entre estados em conectividade, promoção e inteligência turística (Ana Azevedo-M&E)

RIO DE JANEIRO – O Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo (Fornatur) pretende ampliar a integração entre estados para avançar em conectividade aérea, promoção internacional, interiorização e roteiros integrados, segundo a presidente da entidade, Marina Dias, em entrevista ao Mercado & Eventos.

Para Marina, a atuação conjunta é necessária para enfrentar desafios que não podem ser solucionados individualmente pelos governos estaduais. A conectividade aérea, por exemplo, depende da articulação entre estados, União, companhias aéreas, aeroportos e trade turístico. “O Fornatur tem um papel muito importante nessa articulação”, afirma

Um dos obstáculos para a manutenção de novas rotas é garantir demanda durante todo o ano. Por isso, Marina defende que os estados não se limitem à negociação de voos, mas também trabalhem na promoção dos destinos, na estruturação de produtos turísticos e na utilização de informações de mercado. “Conectividade não pode ser uma disputa entre estados. Precisamos pensar a malha aérea brasileira de maneira integrada”, acrescenta.

Fornatur relaciona conectividade a custos e infraestrutura

A redução do custo das passagens e a infraestrutura aeroportuária também aparecem entre os pontos que exigem articulação. “Precisamos discutir custos operacionais, combustível, infraestrutura, taxas, concorrência e aumento da oferta”, aponta e completa dizendo que “quanto mais conectividade e mais opções o passageiro tiver, maior a possibilidade de termos um ambiente competitivo.” A presidente da Fornatur também ressalta a necessidade de investimentos nos aeroportos que atendem à aviação regional.

O aumento da oferta de voos para o interior é outra frente da estratégia. Marina avalia que o turismo precisa ser trabalhado para além das capitais e dos destinos que já concentram demanda: “O Brasil tem uma diversidade extraordinária no interior: turismo de natureza, cultura, gastronomia, turismo religioso, eventos, negócios, geoturismo, experiências rurais e turismo de base comunitária.” A estruturação desses produtos e a criação de um calendário permanente, de acordo com Marina, podem contribuir para reduzir a sazonalidade e criar demanda para novas conexões aéreas. “Não basta criar uma rota; precisamos criar motivos para que as pessoas utilizem essa rota durante todo o ano”, ressalta.

A criação de roteiros integrados aparece como uma possibilidade para conectar experiências de diferentes estados. “O turista não olha necessariamente para os limites geográficos entre dois estados. Ele quer viver experiências. Podemos conectar gastronomia, cultura, patrimônio, natureza e história de diferentes estados em um mesmo produto turístico”, explica. Marina também cita a estratégia de cooperação entre estados do Nordeste como uma referência que pode ser considerada por outras regiões, a construção de agendas conjuntas pode ampliar a capacidade de negociação e promoção dos destinos.

Dados devem orientar decisões dos estados

A inteligência turística é outro eixo defendido pela presidente do Fornatur, que acredita que os estados precisam ampliar o uso de informações para definir políticas públicas, investimentos e estratégias de promoção. “Hoje não podemos pensar política pública de turismo sem dados. Precisamos saber quem está chegando, de onde vem, quanto tempo permanece, quanto gasta, o que procura, como se desloca e quais experiências deseja encontrar”, sustenta.

Essas informações podem ser utilizadas tanto na promoção quanto nas negociações de novas rotas aéreas e na definição de investimentos. A proposta é ampliar o compartilhamento de dados entre os estados, em parceria com o Ministério do Turismo, a Embratur, universidades, observatórios e empresas do setor.

A presidente também relaciona a inteligência de dados ao crescimento do turismo internacional e defende investimentos em conectividade doméstica e internacional, infraestrutura, qualificação profissional, sinalização, serviços multilíngues e experiências voltadas a diferentes perfis de visitantes. “O crescimento do turismo internacional é uma oportunidade extraordinária, mas também aumenta nossa responsabilidade”, observa. O objetivo, de acordo com Marina, não deve ser apenas aumentar o número de estrangeiros que chegam ao Brasil, mas fazer com que o movimento alcance mais territórios e permaneça por mais tempo nos destinos.

A interiorização do turismo é tratada pela presidente da Fornatur como uma estratégia que deve considerar não apenas a chegada de visitantes, mas também a permanência da renda nas comunidades. Nesse contexto, Marina cita o artesanato, a gastronomia, a agricultura familiar, a contratação de guias locais e o turismo de base comunitária como atividades capazes de inserir moradores na cadeia econômica gerada pela atividade turística. “O turismo precisa melhorar a vida de quem mora no destino. Esse deve ser sempre o nosso ponto de partida.”

Sustentabilidade, inclusão, diversidade e participação feminina devem estar incorporadas às políticas públicas e aos espaços de decisão, de acordo com Marina. Entre as medidas citadas estão a troca de boas práticas entre estados e o estímulo a políticas de turismo sustentável e responsável. “Temos mulheres extremamente qualificadas conduzindo secretarias, empresas, entidades e projetos em todas as regiões do Brasil. Precisamos dar visibilidade a essas trajetórias e abrir cada vez mais espaços”, completa.

Parceria com Ministério do Turismo e Embratur

A articulação com o Ministério do Turismo e a Embratur também integra a estratégia apresentada. Marina avalia que cada instituição possui uma função específica na promoção do país e defende maior alinhamento entre as três frentes: “A Embratur possui inteligência dos mercados internacionais, capacidade de promoção e relacionamento com operadores e companhias aéreas. Os estados possuem os destinos, os produtos e o conhecimento de cada território. O Ministério do Turismo tem a capacidade de coordenar políticas nacionais e estruturar programas.”

O próximo passo é ampliar o compartilhamento de informações, antecipar agendas, definir mercados prioritários em conjunto e incluir mais destinos brasileiros nas ações de promoção internacional. Para os próximos anos, a presidente da Fornatur defende a manutenção dos mercados que já enviam visitantes ao Brasil e a busca por novos emissores.

Ao falar sobre o que pretende deixar à frente do Fornatur, Marina coloca a integração institucional entre os estados como uma das principais metas. “Quero ajudar a construir pontes. Entre os estados, entre as regiões e entre os governos e o setor turístico”, resume.