As inovações da newsletter refinam a entrega de informações consolidadas para o mercado (Visit Brasil/Divulgação)
As inovações da newsletter refinam a entrega de informações consolidadas para o mercado (Visit Brasil/Divulgação)

A imagem do Brasil no turismo internacional ganhou novos indicadores positivos em 2026. São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília subiram no Índice Global de Atratividade das Cidades Turísticas, enquanto as chegadas internacionais por via aérea cresceram 11,5% nos primeiros sete meses do ano. No turismo de negócios, outro levantamento coloca o país como o 10º maior mercado mundial de viagens corporativas e eventos, com previsão de movimentar US$ 35,8 bilhões até dezembro.

Os números fazem parte da edição de agosto da Dadosfera, newsletter de inteligência da Embratur dedicada ao acompanhamento do turismo internacional. O boletim passou por uma reformulação e agora concentra mais análises sobre comportamento dos viajantes, mercados emissores, conectividade aérea, segmentos turísticos e percepção do Brasil na imprensa estrangeira.

São Paulo, Rio e Brasília sobem no ranking mundial

Um dos dados que mais chama atenção na nova edição é o avanço de três capitais brasileiras no Índice Global de Atratividade das Cidades Turísticas, produzido pela Yanolja Research.

São Paulo aparece agora na 29ª colocação, depois de ocupar o 40º lugar. O Rio de Janeiro também avançou, passando da 58ª para a 52ª posição. O movimento mais expressivo, entretanto, foi registrado por Brasília, que saltou da 103ª para a 53ª colocação.

O levantamento considera aspectos relacionados ao engajamento e às menções das cidades nas redes sociais, indicador que passou a ter peso crescente na formação da imagem dos destinos e na descoberta de lugares pelos viajantes.

Para Bruno Reis, presidente da Embratur, os dados ajudam a transformar informações dispersas em uma leitura mais objetiva do cenário internacional.

“A nova configuração da Dadosfera disponibiliza para o setor um mapeamento preciso das tendências, das dinâmicas do mercado aéreo e do comportamento dos turistas.”

Segundo ele, o objetivo é oferecer uma ferramenta de consulta para que destinos e empresas possam acompanhar as mudanças do mercado.

“É uma ferramenta de consulta periódica para que destinos e operadores baseiem suas estratégias e compreendam de forma técnica o posicionamento do Brasil no cenário internacional.”

Receitas chegam a US$ 6,54 bilhões até julho

O desempenho do turismo internacional também aparece nos números financeiros. Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil acumulou US$ 6,54 bilhões em receitas provenientes de visitantes estrangeiros.

A nova seção chamada “Raio-X do Receptivo” detalha o comportamento das entradas no país e mostra uma diferença importante entre os meios de acesso.

As chegadas por via aérea cresceram 11,5% no acumulado do ano e ultrapassaram 3,6 milhões de entradas. O resultado acompanha a ampliação da conectividade internacional e teve aumentos relevantes em alguns estados.

O Rio Grande do Norte registrou crescimento de 129% nas entradas aéreas, seguido por Alagoas, com 90%, e Pernambuco, com 79%.

O cenário terrestre, por outro lado, aparece como um ponto de atenção no levantamento. O desempenho registrado no primeiro trimestre ainda influencia o resultado acumulado de 2026.

A análise também acompanha a evolução dos principais mercados emissores. Entre os 24 países e mercados analisados pela publicação, 19 apresentam tendência favorável nas chegadas ao Brasil em comparação com 2025.

Turismo de aventura ganha espaço entre os viajantes

A Dadosfera também amplia a análise para segmentos específicos do turismo. Entre eles está o turismo de aventura, área na qual o Brasil possui uma oferta extensa de natureza, trilhas, esportes e experiências ao ar livre.

Dados da GlobalData indicam que 22% dos viajantes globais têm o turismo de aventura como motivação. Na América Latina, o segmento movimenta cerca de US$ 39 bilhões, segundo números da Adventure Travel Trade Association, a ATTA.

Outro indicador citado na publicação aponta o crescimento do mercado global de experiências de viagem. De acordo com dados da Phocuswright, esse mercado avançou 17% em 2024.

A combinação desses números coloca experiências e atividades como um dos segmentos acompanhados pela inteligência de mercado da Embratur.

Brasil deve entrar no top 10 do turismo de negócios

O turismo MICE, que reúne viagens corporativas, reuniões, incentivos, congressos e eventos, aparece como outro destaque da edição de agosto.

O relatório anual da Global Business Travel Association, a GBTA, projeta que o Brasil será o 10º maior mercado mundial de viagens de negócios em 2026.

A estimativa é de movimentação de US$ 35,8 bilhões no ano. O crescimento previsto é de 13,8% em relação ao ano anterior.

Entre os 15 principais mercados avaliados pelo estudo, o Brasil apresenta a maior taxa de expansão projetada.

O dado amplia a leitura sobre o papel do país no turismo internacional. Além das viagens de lazer, o mercado corporativo representa uma frente relevante para destinos que trabalham com centros de convenções, hotéis, companhias aéreas, espaços para eventos e serviços voltados ao público empresarial.

Nova análise acompanha a presença do Brasil na imprensa estrangeira

Outra mudança incorporada à Dadosfera está na seção “Saiu na Mídia”. A proposta deixou de ser apenas um registro de publicações sobre o Brasil e passou a incluir uma leitura mais analítica da cobertura internacional.

O monitoramento acompanha como destinos brasileiros aparecem na imprensa estrangeira e também observa a maneira como veículos internacionais apresentam países concorrentes.

A estratégia permite identificar temas que despertam interesse fora do Brasil e oportunidades de exposição dos destinos nacionais.

Para Bruno Reis, a reorganização da newsletter está relacionada justamente à necessidade de transformar o volume de informações disponíveis em dados que possam ser utilizados pelo setor.

“A nova configuração da Dadosfera disponibiliza para o setor um mapeamento preciso das tendências, das dinâmicas do mercado aéreo e do comportamento dos turistas.”

O presidente da Embratur também relaciona esse acompanhamento ao impacto econômico do turismo. “Isso significa melhoria nos negócios e na economia do país.”