Egito: garrafa com bilhete encontrada no deserto após 49 anos leva exploradores até a família de geofísico
Garrafa perdida no deserto do Egito por quase 50 anos ajuda a localizar família em Malta (IA/M&E)

Sabe aquela brincadeira de escrever um bilhete, colocá-lo dentro de uma garrafa e deixá-la seguir viagem? No Egito, uma história real mostrou que uma mensagem pode atravessar décadas antes de chegar ao seu destino. Uma garrafa encontrada no deserto quase 50 anos depois de ter sido deixada no local levou exploradores até a família de um geofísico maltês, em uma investigação que conectou o país africano à ilha de Malta, na Europa.

O bilhete foi escrito em maio de 1977 por Tom Moran, que trabalhou no Egito como geofísico para uma companhia norte-americana de exploração de petróleo. Ele morreu em 1998, aos 54 anos, sem saber que a mensagem deixada durante sua passagem pelo país seria encontrada décadas depois.

A descoberta ocorreu na região de Wadi Jadid, no Deserto Ocidental do Egito. O guia beduíno Suleiman Zidan encontrou a garrafa parcialmente coberta pela areia durante uma expedição por uma área rochosa. Dentro do recipiente havia um papel com o nome de Moran, a referência “Party 6305” e informações relacionadas a um endereço em Malta.

Intrigado com as anotações, Suleiman contou com a ajuda do primo, Ayman Zidan, para identificar o autor. Os dois enviaram uma fotografia do bilhete ao jornal maltês Times of Malta, dando início a uma busca que reuniu registros públicos e informações compartilhadas nas redes sociais.

A investigação avançou com a consulta a registros de Malta, que ajudaram a relacionar o endereço mencionado na mensagem ao município de Marsaskala. Posteriormente, uma publicação em um grupo comunitário levou os exploradores até Carmen Rossiter, irmã de Tom Moran. Ao receber a fotografia do documento, ela reconheceu a caligrafia do irmão.

Egito além das pirâmides: exploração no deserto

Egito: garrafa com bilhete encontrada no deserto após 49 anos leva exploradores até a família de geofísico
Guia beduíno encontrou garrafa no deserto do Egito e iniciou uma busca que atravessou fronteiras (Ana Azevedo/M&E)

O Egito é conhecido pelas pirâmides de Gizé, pelos templos de Luxor e pelos sítios arqueológicos ligados à civilização dos faraós. O país também recebe visitantes interessados em paisagens desérticas, formações geológicas e expedições por áreas afastadas dos principais centros urbanos.

O Deserto Ocidental reúne oásis, formações rochosas e vestígios de antigas rotas comerciais. Em determinadas regiões, operadores especializados organizam passeios em veículos 4×4, visitas a oásis e acampamentos no deserto.

A descoberta da garrafa ocorreu durante uma atividade de exploração. Suleiman e Ayman percorrem a região para mapear antigas rotas utilizadas por caravanas de camelos, e foi durante uma dessas expedições que encontraram o recipiente. A localização do objeto, porém, não significa que o ponto esteja aberto à visitação ou faça parte de um roteiro turístico regular.

Além da garrafa, os exploradores encontraram outros objetos nas proximidades, incluindo caixas metálicas e um antigo tanque de água de aço. O papel permaneceu dentro do recipiente de vidro, que ajudou a protegê-lo do contato direto com o ambiente. Não há, contudo, uma análise laboratorial publicada que determine exatamente quais fatores permitiram sua conservação durante tantas décadas.

Uma mensagem de viagem que atravessou gerações

Escrever um bilhete durante uma viagem pode ser uma forma de registrar uma experiência ou guardar a lembrança de um lugar. Colocar a mensagem em uma garrafa acrescenta uma incógnita: quem vai encontrá-la e quanto tempo levará até que isso aconteça?

No caso de Tom Moran, a mensagem escrita em 1977 permaneceu no deserto até ser encontrada por exploradores que percorriam antigas rotas de caravanas. O nome e as referências anotadas no papel permitiram iniciar uma investigação que atravessou fronteiras e terminou com o reconhecimento da caligrafia pela irmã do autor.