
Elon Musk apresentou, na quinta-feira (15), um novo modelo do Tesla Roadster equipado com propulsores, durante um evento da SpaceX, no Texas. Descrito pelo empresário como um carro “voador”, o veículo trouxe novamente ao debate os desafios para desenvolver meios de transporte capazes de se deslocar pelo ar e as possíveis aplicações dessas tecnologias em diferentes setores, incluindo o turismo.
A apresentação, no entanto, não significa que o Roadster esteja pronto para operar como transporte aéreo de passageiros. O desenvolvimento de veículos desse tipo enfrenta obstáculos técnicos e regulatórios. Paralelamente, empresas trabalham em aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, conhecidas como eVTOLs, que estão sendo desenvolvidas para transportar passageiros em trajetos urbanos e regionais.
Para o turismo, essas iniciativas levantam questões sobre o acesso a destinos afastados dos grandes centros, o deslocamento entre aeroportos e hotéis e a infraestrutura necessária para receber novas modalidades de transporte.
1. Destinos remotos podem ganhar novas conexões
O acesso a regiões afastadas dos grandes centros é um dos pontos em discussão no desenvolvimento da mobilidade aérea. Em destinos onde o deslocamento por estrada exige várias horas, aeronaves capazes de pousar e decolar verticalmente poderão criar alternativas de transporte, desde que existam condições operacionais para atender os passageiros.
No turismo, a tecnologia pode ser considerada para conectar aeroportos a ilhas, áreas rurais e regiões com acesso terrestre limitado. A implantação, porém, depende de estudos de demanda, custos, segurança e disponibilidade de pontos de pouso. A possibilidade de atender esses destinos não significa que todas as localidades poderão receber esse tipo de operação.
2. Transfer entre aeroporto e hotel pode mudar

O transporte entre aeroportos, hotéis e centros urbanos está entre as aplicações previstas para os eVTOLs. Em São Paulo, a Eve Air Mobility apresentou ao Ministério de Portos e Aeroportos uma estimativa de 12 minutos para o trajeto entre a Zona Sul da capital e o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Atualmente, o percurso pode levar de uma a duas horas de carro, segundo o ministério.
A estimativa considera uma operação futura, ainda sujeita às etapas necessárias para a entrada em serviço das aeronaves. Caso esse modelo de transporte seja implantado, poderá criar uma alternativa para passageiros que precisam conectar voos, chegar a hotéis ou se deslocar entre diferentes pontos de uma cidade.
Para o turismo, a integração com os serviços terrestres será determinante. O passageiro precisará chegar ao ponto de embarque, transportar a bagagem e completar o trajeto até a hospedagem. A organização desses deslocamentos fará parte da estrutura necessária para incorporar a nova modalidade às viagens.
3. Infraestrutura turística terá de acompanhar a tecnologia
A operação de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical exige mais do que o desenvolvimento dos veículos. Entre as necessidades estão os vertiportos, estruturas destinadas a pousos, decolagens e apoio às operações, além de fornecimento de energia, protocolos de segurança e integração com o controle do espaço aéreo.
Em setembro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos reuniu representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e da Eve para discutir as condições necessárias à implantação da tecnologia no Brasil. O encontro também envolveu representantes de outros órgãos federais, incluindo o Ministério do Turismo.
Para destinos turísticos, a implantação de pontos de pouso precisará considerar a localização, a demanda e a conexão com os serviços existentes. Em regiões com restrições ambientais ou ocupação urbana consolidada, a escolha dos locais também será uma questão a ser avaliada.
4. Carro voador e aeronave elétrica são tecnologias diferentes
Apesar de serem frequentemente apresentados como “carros voadores”, o Tesla Roadster e os eVTOLs têm propostas distintas. Durante o evento de 15 de outubro, o modelo da Tesla realizou manobras aéreas com propulsores de ar comprimido, em uma demonstração transmitida pela internet. A apresentação não demonstrou capacidade de realizar trajetos regulares transportando passageiros.
Os eVTOLs, por sua vez, são aeronaves projetadas para decolar e pousar verticalmente. O desenvolvimento dessa categoria está relacionado à mobilidade aérea urbana e regional, com possíveis aplicações no transporte de passageiros. Para entrar em operação comercial, os modelos precisam cumprir os requisitos de certificação e segurança da aviação civil.
A distinção é importante para o setor turístico porque as aplicações, a infraestrutura e as regras de operação não são as mesmas. A demonstração da Tesla chama a atenção para as possibilidades da engenharia, mas não comprova que veículos com essa configuração possam substituir transfers ou voos comerciais.
5. Quando essas tecnologias poderão chegar ao turismo?
No caso do Roadster, Elon Musk afirmou que a produção do veículo começará em 2028. A data, no entanto, não representa uma previsão de início de serviços de transporte aéreo para turistas. A demonstração apresentada pela Tesla teve como foco o veículo esportivo e suas manobras, não uma operação de mobilidade aérea comercial.
Para os eVTOLs, as previsões apresentadas pela Eve e pela Anac indicam a possibilidade de início das primeiras operações comerciais no Brasil em 2028, após a conclusão do processo de certificação. O cronograma depende do cumprimento das exigências regulatórias e da preparação da infraestrutura necessária.
A entrada dessas aeronaves no mercado poderá ampliar as alternativas de deslocamento, mas o alcance da tecnologia no turismo dependerá de fatores como preço das viagens, capacidade de transporte, frequência das operações e integração com outros meios de mobilidade.
Mobilidade aérea entra no planejamento do turismo
A apresentação do Tesla Roadster recoloca os veículos voadores no debate público, enquanto o desenvolvimento dos eVTOLs avança em direção a aplicações de transporte de passageiros. No Brasil, as discussões conduzidas pelo governo federal indicam que a implantação dessa modalidade envolve não apenas fabricantes, mas também reguladores, operadores aeroportuários e responsáveis pela infraestrutura.
Para o turismo, os possíveis efeitos estão relacionados ao acesso a destinos remotos, à conexão entre aeroportos e hotéis e à necessidade de adaptar a infraestrutura para receber novas operações. A disponibilidade comercial, os custos e as condições de segurança serão determinantes para definir onde e como essas tecnologias poderão ser utilizadas.







