
A aparição de um tubarão-tigre próximo a um barco de pescadores na Ilha do Cardoso, em Cananéia, no litoral de São Paulo, reacendeu a atenção para a presença desses animais na costa brasileira. Embora encontros e mordidas sejam considerados eventos raros, especialistas e órgãos públicos recomendam que turistas observem a sinalização das praias, prefiram áreas protegidas por guarda-vidas e evitem situações que podem aumentar a possibilidade de interação com animais marinhos.
A presença de tubarões no mar faz parte da dinâmica dos ecossistemas costeiros e, por si só, não significa que uma praia ofereça risco elevado aos banhistas. No litoral de São Paulo, mais de 50 espécies já foram registradas, segundo o biólogo marinho Eric Comin, citado em reportagem de A Tribuna sobre o caso ocorrido em Cananéia. De acordo com o especialista, os registros aumentaram, entre outros fatores, pela maior quantidade de celulares e drones utilizados próximos à faixa de areia, que permitem identificar animais que anteriormente poderiam passar despercebidos.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também destaca que a chance de uma pessoa ser mordida por um tubarão é muito baixa. Em publicação sobre esses animais, o órgão cita uma estimativa de uma chance em 11,5 milhões de sofrer uma mordida enquanto se está no mar. Ainda assim, a recomendação para quem viaja para destinos litorâneos é não ignorar os avisos locais. O comportamento preventivo começa antes mesmo de entrar na água.
Cuidados com tubarões começam antes do banho de mar
A primeira orientação para o turista é verificar as condições da praia escolhida. O Ministério do Turismo recomenda que visitantes deem preferência a locais com guarda-vidas e observem as placas e bandeiras de segurança, inclusive aquelas que indicam risco de afogamento ou de interação com animais.
A sinalização deve ser considerada uma orientação de segurança, e não apenas uma informação complementar. Em Pernambuco, por exemplo, o poder público mantém ações específicas de prevenção em áreas onde há registros de incidentes com tubarões. O Governo do Estado já adotou medidas como reforço de placas, patrulhamento e orientação aos banhistas.
Outra recomendação é perguntar aos guarda-vidas qual é o trecho mais indicado para o banho. O Corpo de Bombeiros Militar da Bahia orienta que os banhistas nadem próximos aos profissionais e procurem informações sobre o melhor ponto para entrar na água. A corporação também recomenda evitar pedras, estacas e piers.
Para reduzir a possibilidade de encontro com tubarões, o International Shark Attack File, ligado ao Museu de História Natural da Flórida, orienta que o banho seja feito em grupo, próximo à costa e fora dos períodos de amanhecer e entardecer. A recomendação também é evitar áreas onde haja cardumes ou pessoas pescando.
O mesmo órgão recomenda evitar o uso de joias ou objetos brilhantes durante o banho e reduzir movimentos excessivos na água. A orientação considera que reflexos podem se assemelhar ao brilho de escamas de peixes e que agitação excessiva pode chamar a atenção de animais.
O que fazer ao avistar um tubarão?
Caso o turista perceba um tubarão próximo, a orientação não é tentar se aproximar para fotografar ou filmar. A recomendação é manter a calma, evitar movimentos bruscos e deixar a água lentamente.
O Governo do Rio de Janeiro, em orientação divulgada após o aparecimento de um tubarão na Barra da Tijuca, recomendou que banhistas mantenham a calma, nadem devagar em direção à areia e procurem sair da água. O Estado também indicou que os frequentadores evitem áreas com cardumes ou atividade de pesca, além de priorizarem locais com guarda-vidas.
O International Shark Attack File segue orientação semelhante: diante da aproximação de um animal, a pessoa deve manter contato visual, afastar-se lentamente e, se possível, sair da água.
O comportamento também deve levar em consideração que nem todo avistamento representa uma tentativa de ataque. Segundo o biólogo Eric Comin, citado na reportagem sobre o episódio de Cananéia, as aparições em áreas rasas ou canais de navegação podem estar relacionadas à busca por alimento e à reprodução.
“Antigamente, um tubarão nadando a 50 metros da praia passava completamente despercebido. Hoje, com o uso massivo de drones recreativos ao longo de toda a faixa de areia paulista e celulares com alta resolução, quase toda aproximação do animal é gravada e viraliza nas redes sociais imediatamente. Com isso, o compartilhamento rápido de imagens permitiu que pesquisadores usem relatos de banhistas e mergulhadores locais como dados oficiais para mapear as espécies”, comenta o biólogo.
Além dos tubarões, turistas devem ficar atentos às condições do mar
A prevenção durante uma viagem à praia não deve se concentrar somente nos tubarões. Correntes de retorno, por exemplo, estão entre os riscos que podem levar a afogamentos. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná explica que essas correntes se formam quando a água que chega à costa retorna ao mar por um ponto específico, criando um fluxo que pode puxar o banhista mesmo em áreas rasas.
Por isso, o turista deve evitar entrar no mar em áreas sem supervisão e respeitar as bandeiras e demais sinalizações. O Corpo de Bombeiros do Paraná recomenda que os banhistas utilizem trechos delimitados e com presença de guarda-vidas, enquanto áreas sinalizadas como não indicadas para banho devem ser evitadas.
O Ministério do Turismo também orienta que, caso uma pessoa seja surpreendida por uma correnteza, mantenha a calma, tente flutuar e peça ajuda. Se outra pessoa estiver em perigo, a recomendação é não entrar na água para tentar realizar o salvamento sem treinamento: deve-se lançar um objeto flutuante e chamar um profissional.
O Ministério do Turismo orienta que crianças nunca entrem sozinhas no mar e que os responsáveis permaneçam atentos mesmo quando há guarda-vidas no local. Também é necessário considerar outros animais marinhos. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná alerta para ocorrências envolvendo águas-vivas e caravelas, que podem provocar dor e lesões por meio das toxinas liberadas pelos tentáculos.
Informação deve fazer parte do planejamento da viagem
Em destinos com registros conhecidos de interação com tubarões, consultar previamente as orientações das autoridades locais pode ajudar o turista a decidir onde e quando entrar no mar. No Recife, por exemplo, ações educativas da prefeitura orientam frequentadores sobre práticas mais seguras e reforçam a necessidade de respeitar as regras estabelecidas para determinados trechos da orla.
A recomendação também vale para quem pratica surfe, mergulho, pesca ou outros esportes náuticos. Nessas atividades, o visitante pode permanecer mais tempo na água e se afastar da faixa protegida por guarda-vidas, tornando ainda mais importante conhecer previamente as condições e restrições do local.
O registro de um tubarão não significa, portanto, que o turista precise abandonar atividades no litoral. A principal orientação é adequar o comportamento às condições de cada praia, respeitar as áreas interditadas, seguir as instruções dos profissionais e evitar situações que possam aumentar a possibilidade de uma interação.
No caso de um encontro com o animal, a melhor conduta é não tentar alimentá-lo, persegui-lo ou tocá-lo. O turista também deve evitar transformar o avistamento em uma tentativa de aproximação para obter imagens. A prioridade deve ser deixar a área com segurança e comunicar a ocorrência aos responsáveis pelo monitoramento da praia.
*Com informações de A Tribuna.







