Air Canada
Companhias canadenses reduzem capacidade aos EUA enquanto demanda por viagens recua (Divulgação/Air Canada)

Companhias aéreas canadenses estão reduzindo a oferta de voos para os Estados Unidos em meio à queda na demanda por viagens ao país. A Air Canada cancela cinco rotas para 2027, enquanto WestJet e Air Transat também diminuem ou encerram operações em destinos norte-americanos. O movimento ocorre diante da redução das viagens de canadenses aos EUA, da valorização dos custos das viagens e de mudanças na procura por destinos internacionais.

A Air Canada, companhia aérea de bandeira do Canadá e maior empresa do país em tamanho de frota e volume de passageiros, retira cinco rotas com destino aos Estados Unidos de sua programação para 2027. As informações são baseadas em dados da Cirium, empresa de análise e dados da aviação. As rotas afetadas ligam cidades canadenses a Seattle, Boston, Nashville, Raleigh-Durham e Charleston. São elas:

  • Montréal-Trudeau International Airport (YUL) – Seattle–Tacoma International Airport (SEA);
  • Billy Bishop Toronto City Centre Airport (YTZ) – Boston Logan International Airport (BOS);
  • Vancouver International Airport (YVR) – Nashville International Airport (BNA);
  • Vancouver International Airport (YVR) – Raleigh–Durham International Airport (RDU);
  • Toronto Pearson International Airport (YYZ) – Charleston International Airport (CHS).

Segundo o levantamento, três dessas operações já estavam suspensas e tinham previsão de retorno em maio de 2027. É o caso dos voos entre Montréal e Seattle, Vancouver e Nashville e Vancouver e Raleigh-Durham. Agora, porém, as operações são retiradas da programação.

O serviço entre Toronto e Charleston também estava suspenso e deveria ser retomado em abril do próximo ano. A Air Canada confirma a suspensão sazonal da rota. A ligação havia sido inaugurada em março de 2024 e era a única operação da companhia entre o Canadá e Charleston, na Carolina do Sul, destino procurado por canadenses durante o inverno.

A taxa de ocupação da rota também aparece entre os indicadores relacionados ao desempenho do serviço. De acordo com dados citados pelo site Simple Flying, os voos entre Toronto e Charleston registraram ocupação média de 66,5% entre março de 2024 e julho de 2026. No primeiro ano da operação, o índice foi de 67,8%, enquanto em 2025 caiu para 62,1%, mesmo com a redução do número de voos e da capacidade.

Em paralelo aos cortes, a Air Canada anuncia a retomada de uma ligação entre Toronto e Louisville, no estado norte-americano do Kentucky. O serviço para o Louisville Muhammad Ali International Airport (SDF) não era operado pela companhia desde 2002.

Demanda por viagens aos Estados Unidos recua entre canadenses

A redução da oferta ocorre em um momento de queda nas viagens de canadenses aos Estados Unidos. Dados da agência de estatísticas do governo canadense indicam que o número de viagens transfronteiriças realizadas por canadenses no último mês ficou 29% abaixo do registrado dois anos antes, em 2024.

No recorte por meio de transporte, as travessias terrestres diminuíram 31%, enquanto as viagens aéreas recuaram 19%. O cenário é associado a fatores políticos e econômicos. A relação entre os governos dos Estados Unidos e do Canadá passa por um período de tensão, enquanto a perda de poder de compra do dólar canadense também aumenta o custo de uma viagem aos Estados Unidos.

O dólar canadense começou 2026 cotado em aproximadamente US$ 0,729 e chegou a cerca de US$ 0,71 em outubro, segundo os dados apresentados na reportagem. Para os viajantes, a desvalorização significa que despesas realizadas em dólar americano pesam mais no orçamento.

Outro fator citado é a reação de parte dos canadenses às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de o Canadá se tornar o “51° estado”. A fala ocorre em um contexto que também inclui a imposição de tarifas sobre produtos canadenses. De acordo com a OAG, empresa de inteligência da aviação, as companhias canadenses reduziram em quase 10% a capacidade de voos para os Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026. A redução representa aproximadamente 450 mil assentos.

A diminuição da oferta para os Estados Unidos não significa apenas uma redução geral das operações internacionais das companhias canadenses. Parte da capacidade é direcionada para outros mercados, principalmente destinos europeus e caribenhos.

Segundo a OAG, a capacidade entre o Canadá e a Costa Rica cresceu 15% no primeiro trimestre de 2026. Para o México, o aumento foi de 5%. A empresa relaciona o movimento a uma “mudança na demanda por viagens de lazer a partir dos tradicionais destinos de sol dos EUA”.

O redirecionamento ocorre enquanto as companhias ajustam suas redes de acordo com a procura dos passageiros. Com menos canadenses viajando para os Estados Unidos, as empresas passam a concentrar parte da capacidade em mercados que apresentam crescimento na demanda.

WestJet e Air Transat também reduzem operações nos Estados Unidos

A WestJet, segunda maior companhia aérea do Canadá, elimina dez rotas para os Estados Unidos ao longo de 2026, segundo dados da Cirium citados pelo Simple Flying. Edmonton é uma das cidades mais afetadas. A partir do aeroporto internacional da cidade, a empresa interrompe operações para Atlanta, Nashville, Chicago, Seattle e San Francisco. Os serviços entre Edmonton e Nashville e entre Edmonton e Chicago funcionaram durante apenas uma temporada.

A companhia também encerra três rotas entre Vancouver e os Estados Unidos: Boston, Nashville e Lihue, no Havaí. Com a decisão, Vancouver fica sem ligação direta com Lihue. Além disso, a WestJet deixa de operar a rota sem escalas entre Toronto Pearson e Los Angeles em abril e interrompe, em maio, o serviço entre Winnipeg e Nashville.

Outra companhia canadense que reduz sua atuação no mercado norte-americano é a Air Transat. A empresa, com sede em Montréal, encerra todos os seus voos para os Estados Unidos até meados de junho. Antes do encerramento, a operação havia sido reduzida a dois destinos: Fort Lauderdale e Orlando, ambos na Flórida. Os voos entre Montréal e Orlando terminam em 3 de maio. Já as operações de Québec e Montréal para Fort Lauderdale são encerradas entre maio e junho.

*Com informações de News Week.