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Scott Kirby propõe mudanças tributárias enquanto enfrenta críticas sobre sua remuneração (Reprodução/Getty Image)

O CEO da United Airlines, Scott Kirby, defende a criação de um imposto nacional sobre grandes patrimônios e uma tributação sobre heranças que poderia se aproximar de 100% em determinados níveis. Após declarações feitas em entrevistas ao The New York Times e à Bloomberg Television nesta semana, o executivo provocou críticas de políticos e usuários nas redes sociais nos Estados Unidos, que destacaram a remuneração de Kirby, enquanto a companhia enfrenta pressão sobre custos e resultados.

A discussão sobre a tributação das grandes fortunas ganha espaço após Scott Kirby, CEO da United Airlines, defender mudanças no sistema tributário dos Estados Unidos. “Deveríamos ter um imposto nacional sobre a riqueza, não funcionaria por estado porque as pessoas simplesmente se mudariam. E acho que deveríamos ter impostos sobre heranças que chegassem perto de 100% em algum nível. Eu pagaria”, declara em entrevista ao The New York Times, publicada nesta segunda (18).

O CEO argumenta que a atual estrutura tributária permite que pessoas com grandes patrimônios acumulem recursos por meio da valorização de investimentos sem necessariamente pagar impostos sobre todo esse crescimento. Para ele, a mudança deveria atingir principalmente a valorização dos ativos e, ao mesmo tempo, reduzir a carga sobre os rendimentos do trabalho.

Hoje, quarta-feira (21), Kirby volta a defender a proposta durante entrevista à Bloomberg Television. “Não é uma defesa de política pública, mas acho que o conceito básico é uma questão de justiça. Se você é rico o suficiente, pode ter renda passiva, simplesmente fazer um investimento, e as leis são estruturadas de uma maneira que você literalmente nunca paga impostos sobre todo esse crescimento que pode acontecer. E isso me parece injusto”, afirma.

Scott Kirby: imposto sobre riqueza e críticas à remuneração

De acordo com a declaração de procuração de 2026 da United Airlines, Kirby recebe aproximadamente US$ 32,3 milhões em remuneração total referente ao ano fiscal de 2025. O valor inclui salário, ações e incentivos vinculados ao desempenho. A remuneração equivale a cerca de 334 vezes os US$ 96.670 correspondentes à remuneração mediana dos funcionários da companhia, segundo o mesmo documento citado pela Fox Business.

O governador da Louisiana, Jeff Landry, questiona a posição de Kirby em uma publicação nas redes sociais e afirma que o executivo poderia contribuir diretamente caso considere a medida necessária. “Que audácia de um cara que nem construiu a United e ganha US$ 32 milhões por ano. Se ele acredita tanto nisso, poderia simplesmente fazer um pagamento aqui. Vamos ver se ele coloca seu dinheiro onde está sua boca”, escreve Landry.

Kirby também é questionado sobre a possibilidade de utilizar parte de sua própria fortuna para distribuir recursos aos funcionários da United que recebem salários menores. O executivo rejeita essa possibilidade: “É claro que não. Mesmo que Elon Musk decidisse fazer isso, e ele é trilionário, não seria suficiente para fazer diferença. O sistema mais justo é alguma forma de tributar esse crescimento da riqueza, seja por meio de um imposto sobre a riqueza ou de outra maneira, e reduzir os impostos sobre a renda”, acrescenta.

A proposta de Kirby também recebe críticas de Harmeet K. Dhillon, procuradora-geral adjunta da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A manifestação ocorre após a declaração do CEO e faz referência à experiência da funcionária em voos da companhia. “O Wi-Fi não funcionou nos meus dois últimos voos”, escreve Dhillon em uma publicação no X (Antigo Twitter). A manifestação associa a discussão tributária a questões relacionadas ao serviço oferecido pela companhia aérea. O comentário ocorre em meio a outras críticas nas redes sociais direcionadas a Kirby.

Alguns usuários afirmam que deixariam de voar com a United por causa das declarações do executivo. Outros pedem que o CEO concentre sua atenção em preços, pontualidade e atendimento aos passageiros. Um dos comentários questiona a estrutura tarifária da companhia e afirma: “Que tal começarmos não cobrando US$ 500 por rotas domésticas básicas de duas horas?”

CEO da United Airlines também defende cobrança por assentos

A discussão sobre tributação ocorre paralelamente a comentários de Kirby sobre as estratégias comerciais da United Airlines. Na entrevista ao The New York Times, o executivo defende a cobrança adicional por determinados assentos. “Há alguns clientes que querem sentar na janela ou em um assento melhor, e isso custa dinheiro para ser oferecido”, explica. A provocação causou críticas de consumidores nas redes sociais, principalmente quando relacionada ao debate sobre o preço final das passagens aéreas.

As declarações de Kirby acontecem ainda em um momento de pressão financeira para a United Airlines, que prevê resultados abaixo das expectativas dos analistas para o quarto trimestre de 2026, em meio ao aumento das despesas com combustível. Segundo os dados apresentados pela Bloomberg, a United estima lucro ajustado de entre US$ 0,50 e US$ 1,50 por ação no quarto trimestre.

A expectativa média dos analistas estava em US$ 1,88 por ação. No trimestre anterior, as despesas com combustível da companhia aumentam 61,6%, chegando a US$ 4,84 bilhões. O avanço dos custos reduz a margem de lucro da empresa e adiciona outro elemento ao cenário enfrentado pela companhia aérea.

Além da questão tributária, Kirby também defende a adoção de um serviço nacional obrigatório nos Estados Unidos. O executivo afirma que os americanos deveriam assumir maior responsabilidade diante dos desafios de longo prazo do país. “Precisamos parar de empurrar alguns dos nossos problemas para a próxima geração. Tenho sete filhos. Eu me importo com o que o país será para eles”, declara.

*Com informações de Fox Business e Bloomerang.