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Aly-Khan Rajani, Cônsul Geral do Canada (Beatriz Waehneldt/M&E)

RIO DE JANEIRO – A retomada do voo direto entre Rio de Janeiro e Toronto pela Air Canada abre espaço para ampliar o fluxo de turistas, negócios, estudantes e intercâmbios entre Brasil e Canadá, segundo o cônsul-geral do Canadá no Rio de Janeiro, Aly-Khan Rajani. Em entrevista concedida ao Mercado & Eventos durante o evento que marcou o retorno da ligação aérea, realizado nesta quarta-feira (28), o diplomata apontou o crescimento do número de canadenses que chegam diretamente à capital fluminense e afirmou que a conectividade pode contribuir para aproximar os dois mercados em diferentes setores da economia.

A Air Canada retomou a rota entre o Galeão e o Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto, com três frequências semanais. A operação é sazonal e está programada até 27 de março de 2027. O voo começou a ser operado com o Boeing 787-9 e terá o Boeing 777-300ER entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, ampliando a oferta durante parte da temporada.

Durante a entrevista, Rajani destaca que a ligação direta atende tanto ao turismo quanto às relações entre empresas e instituições dos dois países. Para ele, a possibilidade de viajar sem uma conexão intermediária facilita deslocamentos de curta duração e contribui para ampliar as relações entre brasileiros e canadenses.

“Em 2023, por exemplo, 16 mil canadenses vieram diretamente para o Rio, sem parar em outro destino. Três anos depois, hoje já estamos em 39 mil visitantes chegando ao Rio, o que representa um aumento de 136%. Quando olhamos para os números, percebemos que existe muita demanda para viajar entre os dois países e visitá-los. Isso também é uma indicação de que existem muitos laços entre as pessoas.”

O cônsul ressalta que os números consideram apenas os passageiros que chegam diretamente ao Rio e não incluem visitantes que utilizam outros pontos de entrada, como São Paulo. Na cerimônia, ele também mencionou os milhares de canadenses que chegam ao Brasil por outras cidades e seguem posteriormente para o Rio.

Turismo entre Brasil e Canadá ganha novas oportunidades

O turismo entre Brasil e Canadá é apenas uma das áreas beneficiadas pela retomada da conexão aérea. Rajani aponta petróleo e gás, minerais críticos, energia e indústrias criativas como setores nos quais há potencial para ampliar as relações comerciais. “Essas indústrias são enormes nos dois lugares. Ter essas conexões com maior frequência durante a alta temporada permite que as pessoas atravessem rapidamente e de forma eficiente, sem precisar parar em outro destino no caminho, o que, no fim, leva várias horas”, pontua.

A avaliação ocorre no momento em que a Air Canada amplia a oferta da ligação Rio-Toronto durante a temporada 2026/2027. A rota tem três operações semanais, com partidas do Rio às quartas, sextas e domingos, conforme a programação divulgada.

O cônsul também projeta crescimento do fluxo de canadenses para o Rio e revela que até agosto de 2026 a cidade já havia recebido 26% mais visitantes canadenses do que durante todo o ano de 2025. “Se isso aconteceu em agosto e ainda temos o restante do ano pela frente, é possível imaginar que, se essa tendência continuar, podemos alcançar números recordes para uma temporada de turismo canadense no Rio”, declara.

O Canadá, para ele, pode ampliar sua presença entre os brasileiros não apenas como destino turístico, mas também para educação, negócios e intercâmbio. “Os nossos valores, aquilo que defendemos no Canadá e no Brasil, é muito semelhante. Acreditamos nos direitos humanos, na democracia, em fazer bons negócios, em apoiar uns aos outros e em fazer nossas economias crescerem”, afirma.

A diversificação comercial também representa uma oportunidade para os dois países. “O fato de existir outro voo e outro destino que conecta, na minha opinião, as duas cidades mais populares de nossos respectivos países é uma grande vitória para os dois países”, acrescenta. O aeroporto de Toronto funciona como um dos principais pontos de conexão da Air Canada, permitindo que passageiros que saem do Rio sigam para outros destinos da rede da companhia.

Canadá mira turismo, estudantes e negócios

Questionado sobre quais mercados o Canadá pretende desenvolver nos próximos anos, Rajani cita diferentes perfis de viajantes brasileiros. “Se alguém quiser ter uma experiência de esportes de inverno, as montanhas são excelentes tanto no oeste quanto no leste do Canadá. Se quiser fazer turismo de vinho, ele existe na Colúmbia Britânica, em Ontário e em vários outros destinos. Além disso, nossa população de estudantes continua crescendo”, explica.

“Quando pensamos em educação de qualidade, em um ambiente seguro e confortável, no qual os estudantes podem ser eles mesmos, aprender, crescer e trabalhar em inglês, mas também encontrar uma comunidade de língua portuguesa nos principais centros, acredito que o Canadá é um destino para brasileiros se sentirem em casa longe de casa.”

No setor corporativo, Rajani volta a mencionar petróleo e gás, especialmente em Alberta, além da mineração e dos minerais críticos. Ele relaciona esses segmentos às atividades desenvolvidas no entorno do Rio de Janeiro e em diferentes regiões do Canadá. “Nosso potencial é enorme. Os perfis que estamos procurando não estão restritos a um único mercado. Estamos buscando uma parcela ampla de brasileiros porque realmente acredito que o Canadá tem muito a oferecer”, destaca.

Cônsul aponta falta de conhecimento sobre oportunidades

Apesar do potencial de aproximação, Rajani considera que Brasil e Canadá ainda precisam ampliar o conhecimento sobre as oportunidades existentes em cada mercado. A falta de informação sobre setores, empresas e competências disponíveis nos dois países limita o desenvolvimento de novas parcerias.

Rajani defende ainda a troca de conhecimento entre empresas. “Quando conseguimos entender que existem tecnologias utilizadas por empresas canadenses para fazer mineração offshore que podem beneficiar o Brasil, e vice-versa, começamos a construir essas sinergias. Acredito que precisamos conhecer melhor as propostas de valor de cada país e isso funciona nos dois sentidos.”

“Os brasileiros adoram assistir a filmes, estão comprando filmes e procuram destinos para filmar. Essa é outra área em que Toronto é um destino importante, por exemplo. E isso é apenas uma entre muitas possibilidades. Se conseguirmos, nos dois lados, ampliar nossas campanhas para compartilhar informações e conhecimento, acredito que o potencial é enorme.”

Ao falar sobre o destinos canadenses, Rajani revela que tem um carinho especial por Vancouver, cidade onde nasceu. “A combinação de poder esquiar nas montanhas, praticar yoga e encontrar qualquer tipo de gastronomia, com uma mistura de culturas tão rica e diversa, proporciona uma experiência muito ampla”, conta.

Rajani cresceu em Edmonton, estudou em Toronto e trabalhou em Ottawa por mais de duas décadas, além de ter viajado por destinos como Halifax e Winnipeg. “Cada cidade tem uma característica tão única que, se ninguém dissesse que essas cidades pertencem ao mesmo país, seria fácil acreditar que elas poderiam pertencer a outro. A singularidade não está apenas na experiência turística, mas também na experiência pessoal que as pessoas têm quando visitam diferentes cidades”, relata.