
A preparação dos serviços de transporte para atender o público LGBTQIA+ precisa acompanhar o avanço das iniciativas de turismo inclusivo no estado de São Paulo. O alerta é da tg.mob, empresa de transporte corporativo associada à Câmara LGBT, que defende a capacitação de motoristas e a adoção de práticas de atendimento que contemplem toda a jornada do turista, desde a chegada ao aeroporto até os deslocamentos entre hotéis, eventos e atrações. A discussão ganha espaço após a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo divulgar um mapeamento que identificou iniciativas voltadas ao segmento em 30 municípios.
O levantamento, realizado com 72 cidades, apontou que 95,8% delas têm interesse em participar de capacitações e projetos relacionados ao turismo LGBTQIA+. Outras 16 cidades já planejam desenvolver ações no segmento e, entre os 26 municípios que ainda não possuem iniciativas identificadas, 24 demonstraram interesse em começar. A Setur-SP também apresentou uma cartilha de boas práticas com orientações sobre respeito ao nome social e aos pronomes, prevenção de situações discriminatórias e procedimentos de atendimento.
A necessidade de preparar os profissionais também aparece nos dados sobre o comportamento dos viajantes e o transporte durante as viagens. Segundo pesquisa do IEMI – Inteligência de Mercado, realizada a pedido da Câmara LGBT, o turismo LGBTQIA+ movimentou R$ 33,4 bilhões em viagens de lazer no Brasil. Apesar do volume de consumo, 44% dos entrevistados afirmaram já ter enfrentado situações de atendimento desconfortável ou preconceituoso em hotéis e restaurantes.
Para Leandro Pimenta, CEO da tg.mob, as políticas de inclusão não podem ficar restritas aos estabelecimentos de hospedagem e alimentação.
“O turista não deixa de ser cliente durante o deslocamento. O atendimento que ele recebe dentro de um veículo também faz parte da experiência da viagem. Por isso, é importante que os profissionais estejam preparados para atender diferentes perfis de passageiros, respeitando suas individualidades e evitando situações de constrangimento ou discriminação”, afirma.
Transporte inclusivo depende de capacitação e respeito aos passageiros
No transporte, o atendimento inclusivo envolve medidas como respeitar o nome social e os pronomes utilizados pelos passageiros, evitar comentários ou perguntas sobre relacionamentos e identidade de gênero, tratar casais e famílias LGBTQIA+ sem distinções e saber como agir diante de episódios de discriminação ou assédio. Também inclui orientar os motoristas sobre a importância da discrição e do respeito à privacidade durante os trajetos.
A tg.mob desenvolve ações de capacitação de motoristas, campanhas de combate ao assédio sexual e participa de iniciativas voltadas ao público LGBTQIA+. Em julho, a empresa foi a transportadora oficial da LGBT+ Turismo Expo, considerada o maior evento B2B de turismo LGBTQIA+ da América Latina. A companhia também participou da Conferência Internacional da Diversidade, que reúne representantes do turismo, empresas e organizações ligadas à inclusão.
“A capacitação precisa ir além de uma orientação pontual. É necessário que as empresas incorporem essas práticas à rotina das equipes, desde a contratação e o treinamento até o atendimento ao cliente. No transporte, o motorista representa a empresa durante todo o trajeto e precisa saber como agir diante de diferentes situações”, acrescentou Pimenta.







