Leila Minatogawa, diretora de relações estratégicas do Grupo TGK Travel (Felipe Abílio/M&E)
Leila Minatogawa, diretora de relações estratégicas do Grupo TGK Travel (Felipe Abílio/M&E)

A África do Sul e a América Latina estão entre os destinos que registraram maior procura pelos clientes da TGK em 2026. A operadora também ampliou a presença do Brasil em seu portfólio, em um ano marcado por incertezas relacionadas ao dólar, à Copa do Mundo e às eleições. O balanço foi apresentado por Leila Minatogawa em entrevista ao Mercado & Eventos durante a sexta edição do TGK World, realizada em novembro de 2026.

Segundo a executiva, a empresa iniciou o ano considerando os possíveis impactos do calendário sobre as viagens internacionais. A expectativa levou a TGK a reforçar produtos nacionais e buscar alternativas para diferentes perfis de passageiros.

“O ano de 2026 já começou com a expectativa de ser um ano atípico. Sabíamos que teríamos muitos feriados, Copa do Mundo, eleições e a questão do dólar. Então, já vínhamos preparados”, afirmou.

O Brasil, que já fazia parte do portfólio da operadora há quatro anos, ganhou mais espaço neste ano. A empresa decidiu destacar os produtos nacionais durante sua estratégia comercial, com roteiros voltados principalmente à natureza, ao bem-estar e a hospedagens com estrutura.

“Temos muita coisa boa aqui, principalmente produtos ligados à natureza, ao bem-estar e aos refúgios. Entendemos que nosso público quer viajar, se desconectar, estar em contato com a natureza e fazer trilhas, mas também deseja voltar para um hotel com ótima estrutura”, explicou Leila.

A ampliação da oferta brasileira também considera a possibilidade de atender passageiros que buscam alternativas às viagens internacionais. A empresa pretende trabalhar destinos nacionais que combinem atividades ao ar livre e hospedagens voltadas ao descanso.

África do Sul volta a concentrar a procura

Entre os mercados internacionais, a África do Sul foi um dos destaques comerciais da TGK em 2026. De acordo com Leila, o país voltou a concentrar a procura de passageiros interessados em viajar pelo continente africano.

A executiva relaciona o desempenho à maior frequência de voos para o destino, incluindo operações da South African Airways (SAA) e de outras companhias aéreas. Segundo ela, a possibilidade de encontrar mais opções de conexão também contribui para manter a África do Sul entre as escolhas dos brasileiros.

“Neste ano, tivemos um volume muito grande de África. A África do Sul cresceu bastante para a gente. Quando começamos a planejar a expansão do continente africano para outros países, percebemos que houve uma retomada muito forte da procura pela África do Sul”, declarou.

A operadora também busca ampliar a oferta de hospedagem no país. Durante 2026, apresentou entre quatro e cinco hotéis que ainda não são tão conhecidos pelo mercado brasileiro, mas que, segundo a empresa, têm condições de atender aos passageiros que procuram esse tipo de produto.

A América Latina também aparece entre os mercados com avanço na procura. A estratégia da TGK é ampliar os roteiros para além das capitais e incluir regiões do interior dos países, trabalhando em conjunto com órgãos locais de promoção turística.

“Não trabalhamos apenas com as capitais. Procuramos explorar o interior de cada país e apresentar novas regiões aos viajantes”, disse Leila.

A combinação de diferentes localidades em um mesmo roteiro permite ampliar o tempo de permanência e o valor da viagem. A executiva cita passageiros que já visitaram destinos tradicionais da região e agora procuram conhecer outras áreas da América do Sul.

China e Uzbequistão ampliam oferta de grupos

Outra frente de negócios que avançou em 2026 foi a Plural, unidade da TGK dedicada a grupos de lazer e pequenos grupos. A operação trabalha com um calendário anual de saídas para destinos que ainda têm presença limitada no mercado brasileiro.

Entre os roteiros realizados neste ano estão China e Uzbequistão. A proposta é atender viajantes interessados em conhecer países menos tradicionais, mas que muitas vezes encontram dificuldades para organizar uma viagem individualmente.

“Buscamos destinos que não são tão conhecidos pelo mercado brasileiro, mas que têm bom custo-benefício e muita história. Existe um público curioso, que quer conhecer esses lugares, mas às vezes tem receio de viajar”, afirmou.

As saídas contam com guia acompanhante e podem ser organizadas em parceria com agências que desejam montar grupos próprios. O formato permite oferecer maior acompanhamento aos passageiros e trabalhar destinos que exigem planejamento específico.

A Ásia também manteve a procura ao longo do ano, apesar das alterações nas rotas aéreas provocadas pela situação no Oriente Médio. A China, em particular, enfrenta grande fluxo de visitantes, o que exige planejamento das operações locais.

“A China, por exemplo, está muito movimentada, com filas enormes. Trabalhamos com parceiros que tenham flexibilidade local, bom acesso e guias que conheçam o mercado brasileiro. É importante organizar os horários e as visitas para que o passageiro tenha uma boa experiência”, explicou.

TGK prepara novos produtos para 2027

Para 2027, a empresa pretende continuar ampliando o portfólio e buscar destinos que ofereçam alternativas de preço e logística. A avaliação da TGK é que o interesse por viagens permanece entre os consumidores, mesmo diante de períodos de instabilidade econômica.

Leila afirma que a estratégia passa por encontrar opções que atendam passageiros interessados em conhecer novos lugares sem necessariamente optar pelos destinos mais procurados do mercado.

“Precisamos encontrar destinos em que seja possível oferecer um custo médio de viagem interessante. Às vezes, conseguimos apresentar uma experiência muito boa em uma região do mundo por um valor mais equilibrado do que em destinos que estão mais na moda”, afirmou.

A executiva também destaca o trabalho de consultoria como parte da atuação da empresa, com atenção às características de cada passageiro e à construção dos roteiros.

“Nosso luxo é ter uma equipe bem treinada para fazer consultoria, olhar cada reserva como uma pessoa, uma história, uma família, entender alguns pontos e fazer surpresas ao longo da viagem”, concluiu.