Qual o melhor meio de pagamento para o setor de hotelaria? Esse foi a pergunta que os painelistas Annie Morrissey, da Atlantica Hotels, Luiz Daniel Guijarro, da Accor Hotels e Cesar Nunes, do Royal Palm Plaza, buscaram responder durante debate no 2º Fórum Costa Brava. “Normalmente, essa decisão depende da cultura da empresa. Se comparado com o sistema de faturamento, a utilização do cartão de crédito é mais fácil. As redes hoteleiras tem mais controle dos gastos e pode limitar os gastos por perfil de hóspede”, afirmou Patrícia Thomas, executiva da Academia de Viagens Corporativas e mediadora do painel.

Na rede Atlantica, a gestão por faturamento ainda representa de 40% e 50% dos negócios. No entanto, Annie Morrissey ressaltou a necessidade de mudança de mentalidade dos hotéis para essa migração de processo. “Falta informação de qualidade sobre o assunto e as empresas de cartões de crédito ainda precisam oferecer condições de negociação interessantes”, explicou a vice-presidente da Atlantica Hotels. A forma de pagamento, inclusive, influencia na negociação de eventos no Royal Palm Plaza. “Especialmente para esse segmento já disponibilizamos o cartão de crédito”, comentou Cesar Nunes, diretor comercial do Royal Palm Plaza.

Para Daniel Guijarro, diretora adjunto de vendas da Accor para América Latina, o uso do cartão de crédito já é uma tendência dentro da rede. Os empreendimentos de categoria mais econômica, Ibis e Formule 1 já trabalham nesse sistema. “As empresas TMCs são grandes aliadas dos grupos hoteleiros e podem contribuir para a consultoria para o cliente e na migração do cartão de crédito como meio de pagamento”, justificou, mencionando mais uma vez que o uso desse sistema pode ser controlado.

A tarifa dinâmica para a hotelaria também foi discutida pelos palestrantes. Segundo Patricia Thomas, essas tarifas variam de acordo com a ocupação dos hotéis. Portanto, é necessário acompanhar a performance de determinando empreendimento por até seis meses para oferecer a melhor tarifa disponível no momento. “Na verdade, precisamos saber as expectativas de volumes de vendas para estabelecer essas tarifas. Temos condições de negociar valores para diferentes tipos de categorias de apartamentos”, comentou Annie Morrissey. Cesar Nunes e Daniel Guijarro, por sua vez, reforçaram a necessidade na antecipação de reservas para a oferta de tarifas mais competitivas. “O planejamento é fundamental”, completou Guijarro.

Oferta e ocupação – A hotelaria brasileira está passando por uma desaceleração. “As cidades vem registrando taxas de ocupação mais baixas se comparadas ao ano passado. E isso é saudável, porque trabalhamos com um cenário de negociação mais favorável”, disse Annie Morrissey, lembrando que essa situação só não é realidade no Rio de Janeiro. A oferta de novos hotéis na cidade do Rio de Janeiro, inclusive, deverá crescer 18% até 2015. Enquanto a capital mineira aumentará em 78% seu número de leitos, em São Paulo esse incremento será de apenas 2%.

Leila Melo, de Campinas