
O turismo de natureza passou a ocupar o centro de uma articulação nacional que reúne organizações ambientais, associações do setor turístico, coletivos e representantes empresariais. Nesta quinta-feira (15), durante o Fórum de Turismo de Observação de Vida Silvestre (TOVS), realizado dentro do evento Avistar, em São Paulo, o grupo lança o manifesto “Turismo de Natureza no Brasil: Conservação, Desenvolvimento e Orgulho Nacional”.
A iniciativa é liderada pelo Instituto Semeia e busca inserir o turismo de natureza como prioridade nos debates das eleições de 2026. O objetivo é apresentar a candidatas e candidatos dos poderes Executivo e Legislativo propostas voltadas à valorização dos parques e áreas protegidas como instrumentos de desenvolvimento econômico, conservação ambiental e fortalecimento regional.
O texto parte do entendimento de que o Brasil reúne condições para ampliar sua participação no mercado global de ecoturismo e turismo de natureza, especialmente diante da dimensão de seus parques nacionais e áreas protegidas. As entidades argumentam que transformar esse potencial em resultados econômicos depende de planejamento público, investimentos e integração entre políticas ambientais, turísticas e econômicas.
O turismo é um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira, de acordo com a carta. Em 2025, o país recebeu cerca de 9,3 milhões de turistas internacionais, que deixaram aproximadamente US$ 7,9 bilhões em receitas turísticas. Dentro desse cenário, o turismo de natureza e o ecoturismo ampliam participação e passam a ser tratados pelas entidades como “vocações genuínas do país”.
O manifesto também destaca os números relacionados aos parques nacionais. De acordo com o texto, essas unidades registraram 13,6 milhões de visitas em 2025 e sustentaram 219,6 mil postos de trabalho. A projeção apresentada pelas organizações aponta potencial para alcançar 19,7 milhões de visitas anuais até 2030, com geração estimada de R$ 20 bilhões em impacto econômico por ano.
Turismo de natureza como política pública

As entidades defendem que o crescimento do turismo de natureza exige medidas estruturantes. Entre as propostas citadas estão a criação e gestão adequada de parques e áreas protegidas, metas sustentáveis de visitação, investimentos em infraestrutura, fortalecimento de serviços turísticos, mecanismos modernos de financiamento e capacitação contínua de gestores, empreendedores e comunidades do entorno.
O documento também propõe maior integração entre turismo, meio ambiente e economia, além da conexão dos parques às rotas turísticas nacionais e regionais. Outro ponto destacado é a necessidade de ampliar parcerias entre governos, iniciativa privada e organizações da sociedade civil. “O desenvolvimento só será verdadeiramente sustentável se fortalecer a nossa identidade cultural e histórica, envolvendo as comunidades do entorno e garantindo a inclusão socioeconômica de quem vive e protege essas regiões”, afirma o documento.
A diretora executiva do Instituto Semeia, Renata Mendes, declara que outros países já tratam os parques nacionais e Áreas Protegidas como ativos estratégicos para crescimento econômico e posicionamento internacional. “Falamos da África do Sul, Chile, Costa Rica e Estados Unidos, por exemplo. Com vontade política é possível transformar nosso patrimônio em vetor de desenvolvimento socioeconômico e de fortalecimento do orgulho nacional”, afirma.
O texto da carta manifesto também cita exemplos internacionais para sustentar a defesa da pauta, argumentando que o Brasil precisa transformar sua condição de “potência ambiental” em estratégia permanente de governo. A eleição de novas lideranças nacionais e estaduais em 2026 representa oportunidade para consolidar esse debate nas políticas públicas.
Manifesto seguirá em circulação até o fim de maio
As lideranças envolvidas na iniciativa informam que o documento continuará sendo apresentado ao longo do ano em eventos ligados ao turismo e ao meio ambiente. A estratégia também inclui agendas com candidatas e candidatos das eleições de 2026. O manifesto permanece aberto para adesão de novas organizações até o fim de maio. As entidades interessadas podem solicitar participação por meio de formulário disponibilizado pelo movimento. O documento já reúne 19 organizações signatárias, dentre elas:
- Abeta – Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura
- Abrasparques – Associação Brasileira de Operadores de Parques Naturais e Urbanos
- Aliança Bike – Associação Brasileira do Setor de Bicicletas
- Braztoa – Associação Brasileira das Operadoras de Turismo
- CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo / Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade (Cetur)
- Coletivo Muda
- Entre Parques
- Gear Tips Outdoor
- Grande Reserva da Mata Atlântica
- Instituto Aupaba
- Instituto Serra do Curral
- Onçafari
- Projeto Parques Nacionais
- Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso
- SAVE Brasil
- Sindepat – Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas / Comitê de Parques Naturais
- SOS Mata Atlântica
- TOVS – Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre
- WWF Brasil
A presidente da Associação Nacional de Turismo de Observação de Vida Silvestre, Roséli Azi Nascimento, afirma que o turismo de natureza reúne diferentes agendas econômicas, sociais e ambientais. “Essa é uma agenda capaz de unir conservação da biodiversidade brasileira, valorização de comunidades tradicionais e crescimento econômico em territórios urbanos e rurais, focando no empreendedorismo da cadeia produtiva do turismo, com benefícios diretos para todo o país, inclusive posicionando o Brasil como protagonista mundial em sustentabilidade e ecoturismo”, declara.
O manifesto ainda reforça o papel das áreas protegidas para conservação da biodiversidade, regulação climática e proteção de recursos hídricos. O texto menciona que a visitação em parques proporciona educação ambiental, lazer e contato com a natureza em um cenário de urbanização crescente. Na carta, as entidades afirmam que o turismo de natureza pode funcionar como vetor de fortalecimento das economias locais, com geração de emprego, renda e estímulo às cadeias produtivas ligadas aos destinos turísticos.







