
SÃO PAULO – Enquanto o turismo brasileiro discute formas de ampliar sua participação na economia nacional, representantes das principais companhias de cruzeiros que atuam no país também defenderam uma agenda de longo prazo para transformar o Brasil em um destino mais competitivo no cenário internacional.
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Durante painel realizado no Fórum LIDE de Turismo, executivos do setor afirmaram que o país reúne todos os ingredientes para crescer, mas continua perdendo espaço para mercados concorrentes devido a custos elevados, entraves regulatórios e limitações de infraestrutura.
O presidente da CLIA Brasil, Marco Ferraz, chamou atenção para o baixo nível de penetração dos cruzeiros no mercado brasileiro. Segundo ele, apenas 0,35% da população do país faz uma viagem de cruzeiro por ano, contra 6% nos Estados Unidos e mais de 5% na Austrália.
“Se o Brasil chegar a 1% de penetração, triplica o número de cruzeiristas”, afirmou.
Ferraz destacou ainda que a indústria global segue em forte expansão, com previsão de superar 40 milhões de passageiros nos próximos anos e investimentos bilionários em novas embarcações. Apesar disso, o Brasil receberá apenas oito navios na próxima temporada de cabotagem, número ainda distante do potencial do país.
“Falta competitividade” no setor de cruzeiros
Presidente-executivo para as Américas da Costa Cruzeiros, Dario Rustico foi direto ao apontar o principal desafio do setor. “Hoje falta competitividade”, afirmou.
Segundo o executivo, operar um cruzeiro de sete noites no Brasil custa entre 40% e 50% mais do que em destinos concorrentes como Caribe, Mediterrâneo e Ilhas Canárias.
Rustico listou uma série de fatores que encarecem a operação no país, entre eles taxas portuárias, custos trabalhistas, combustível, burocracia, exigências regulatórias e limitações de infraestrutura. “Os navios são ativos democráticos. Se ganhamos o business case, recebemos mais navios. Se perdemos, os navios vão para outro lugar”, disse.
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O executivo também criticou a sazonalidade da operação brasileira, defendendo o fim do conceito de “temporada” no país. “Não tem temporada no Caribe, não tem temporada na Europa e não tem temporada na Ásia. Nós temos condições de ter navios o ano inteiro”, afirmou.
MSC reforça aposta no Brasil
Representando a MSC Cruzeiros, o diretor-geral da companhia no Brasil, Adrian Ursilli, destacou que o país continua sendo prioridade para investimentos da empresa, mesmo diante dos desafios. A MSC terá cinco navios operando na América do Sul na próxima temporada, incluindo embarcações inéditas na região.
Segundo Ursilli, os cruzeiros funcionam como “polinizadores do turismo”, levando visitantes a destinos que posteriormente recebem novas viagens terrestres.
“Muitos brasileiros não conhecem o próprio Brasil. Eles descem em Búzios, Salvador, Rio de Janeiro ou Balneário Camboriú e depois querem voltar para permanecer mais tempo”, afirmou.
O executivo também ressaltou que o setor de cruzeiros depende diretamente do fortalecimento da aviação, da hotelaria e da infraestrutura turística. “Ar, terra e mar estão totalmente interligados”, disse.
Oportunidades desperdiçadas
Representando a Norwegian Cruise Line Holdings (NCL), que não opera cruzeiros regulares no Brasil, Estela Farina afirmou que o país continua desperdiçando oportunidades de crescimento. “É frustrante não ter navios aqui oferecendo as belezas brasileiras”, declarou.
Segundo ela, o Brasil possui destinos altamente valorizados pelos turistas internacionais, como a Amazônia, mas ainda enfrenta problemas operacionais que já deveriam ter sido solucionados há anos.
Farina citou o caso de Búzios como exemplo do papel dos cruzeiros no desenvolvimento turístico. “Búzios entrou no mapa turístico brasileiro por meio dos cruzeiros”, afirmou.
Liderança e planejamento
Ao encerrar sua apresentação, Dario Rustico também defendeu a criação de um plano nacional para o turismo, com metas claras e coordenação entre governo e iniciativa privada.
“Temos todos os ingredientes na mesa. O que falta é liderança, ambição e uma visão de desenvolvimento”, disse.
Para o executivo, o Brasil conhece seus desafios e também as oportunidades disponíveis. O próximo passo, segundo ele, é transformar o potencial em execução. “Precisamos de alguém para cozinhar todos os ingredientes que estão na mesa”.







