Copa do Mundo leva EUA a retirarem caução de até US$ 15 mil para 5 países; veja quais escaparam
Decisão de Trump ocorre em meio a críticas sobre restrições migratórias nos EUA (Divulgação/Library of Congress)

Às vésperas da Copa do Mundo de 2026, o governo dos Estados Unidos anunciou a suspensão da exigência de caução para turistas de cinco países africanos que desejam entrar no país para acompanhar o torneio. A medida representa uma flexibilização incomum na política migratória da gestão de Donald Trump, marcada por restrições mais rígidas à entrada de estrangeiros.

A decisão, divulgada nesta quarta-feira (13) pelo Departamento de Estado norte-americano, beneficia cidadãos da Argélia, Cabo Verde, Costa do Marfim, Senegal e Tunísia — todos classificados para a próxima edição da Copa, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México.

Até então, os viajantes desses países estavam sujeitos ao pagamento de depósitos de até US$ 15 mil, equivalentes a cerca de R$ 75 mil, como garantia de retorno ao país de origem após o vencimento do visto. O valor seria devolvido caso o visitante cumprisse todas as exigências migratórias estabelecidas pelas autoridades norte-americanas.

Para obter a isenção, no entanto, os turistas precisarão comprovar a compra de pelo menos um ingresso para partidas da Copa do Mundo de 2026. Além disso, será necessário aderir ao sistema Fifa Pass, mecanismo criado para acelerar o agendamento e o processamento de vistos relacionados ao evento esportivo.

“Os Estados Unidos estão entusiasmados em organizar a maior e melhor Copa do Mundo da Fifa da história”, afirmou a secretária adjunta de Estado para Assuntos Consulares, Mora Namdar. “Estamos isentando a exigência de visto para torcedores qualificados que compraram ingressos para a Copa do Mundo e optaram pelo sistema Fifa Pass, que permite agendamentos de visto mais rápidos a partir de 15 de abril”.

A Fifa também celebrou o anúncio e destacou a cooperação entre a entidade e o governo norte-americano. Em nota, a organização afirmou que a decisão demonstra “colaboração contínua com o governo dos EUA e a força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo da Fifa, a fim de realizar um evento global de sucesso, recordista e inesquecível”.

Brasil não é afetado

O Brasil não integra a lista de 50 países submetidos à política de caução implementada pelos EUA no ano passado. Assim, brasileiros continuam sem a necessidade de realizar qualquer depósito adicional para entrada no país.

A medida criada pela gestão Trump atingiu nações consideradas de “alto risco migratório”, sob a justificativa de elevados índices de permanência irregular após o vencimento dos vistos temporários. Os valores exigidos variavam entre US$ 5 mil, US$ 10 mil e US$ 15 mil, conforme análise individual dos casos.

Segundo autoridades norte-americanas ouvidas sob condição de anonimato no início de abril, estimava-se que cerca de 250 torcedores da Copa seriam diretamente impactados pela exigência da fiança.

Pressão internacional e críticas

A suspensão da caução ocorre em meio a críticas internacionais sobre as políticas migratórias adotadas pelos Estados Unidos durante a preparação para a Copa do Mundo. Organizações de direitos humanos, entidades civis e representantes do setor de turismo têm alertado para possíveis impactos negativos na imagem do torneio e no fluxo de visitantes estrangeiros.

Entre as medidas mais controversas anunciadas pelo governo norte-americano estão a proibição de entrada de viajantes do Irã e do Haiti — ainda que jogadores, técnicos e integrantes das delegações estejam liberados —, além de restrições parciais impostas a cidadãos da Costa do Marfim e do Senegal.

O governo também avalia novas exigências relacionadas ao monitoramento de redes sociais de viajantes estrangeiros. Paralelamente, agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) chegaram a ser mobilizados em aeroportos durante períodos de paralisação parcial da máquina federal.

O cenário levou a Anistia Internacional e dezenas de organizações de direitos civis dos Estados Unidos a emitirem um “alerta de viagem para a Copa do Mundo”, orientando turistas estrangeiros sobre o atual ambiente migratório do país.

Turismo e hotelaria demonstram preocupação

As restrições de entrada também têm gerado apreensão no setor turístico norte-americano. Neste mês, a Associação Americana de Hotéis e Alojamentos (American Hotel & Lodging Association) afirmou que barreiras relacionadas a vistos e incertezas geopolíticas estão reduzindo a demanda internacional para a competição.

Segundo a entidade, o ritmo de reservas para o período da Copa do Mundo está abaixo das projeções iniciais. Entre os principais motivos apontados pelos viajantes estão os longos prazos para obtenção de vistos, o aumento de taxas consulares e dúvidas sobre os processos de imigração adotados pelos Estados Unidos.