Juarez Cintra:
Juarez Cintra: “Com a alta do dólar, muito pacotes turísticos sofreram desvalorização”

Um ano ruim. Esta é a definição do presidente do Grupo Ancoradouro, Juarez Cintra Filho, em referência a 2014 que, basicamente, reflete o descontentamento do mercado com as vendas e a comercialização de produtos turísticos no cenário nacional. A queda do segmento corporativo que representa cerca de 70% da movimentação de passageiros em aeronaves e a desvalorização do real foram, junto com a Copa e Eleições, os grandes vilões para a economia do turismo este ano.

Mesmo assim, o ano deve apresentar crescimento para a consolidação dentro do grupo Ancoradouro – que na contramão da queda de passageiros, deve fechar o ano com um incremento de 4% em faturamento. “Mesmo tendo um número menor de passageiros embarcados, o aumento do ticket médio nos deu essa possibilidade de crescimento e fecharemos o ano positivamente bem”, disse em entrevista ao M&E.

Cintra destacou ainda o acréscimo em vendas de lazer, que soma mais de 15% dentro da operadora e o mercado de cruzeiros que, segundo ele, não sofreu com o desaquecimento da economia. “Com a alta do dólar, muito pacotes turísticos sofreram desvalorização. Porém, o mesmo não aconteceu com os cruzeiros. Eles continuaram a vender, não sentiram a instabilidade do dólar. Esse ano já atingimos mais de R$ 27 milhões em vendas”, disse.

Economia – Ainda em maio deste ano, o executivo – escreveu em seu blog – que o mercado sofria com o terror do efeito copa. “Operadoras com queda de 50%, companhias aéreas com redução de vendas entre 35% e 42% em relação ao mesmo período de 2013, e um grande GDS com 35% a menos de booking”, salientou o executivo antecipando o fechamento do cenário econômico do ano.

Cintra atribui, é claro, o desaquecimento comercial aos grandes eventos e a mudança de comportamento de consumo, onde nos meses bons [na média] foram ruins e meses inexpressivos, como janeiro, por exemplo, passaram a contar com uma fatia maior na balança dos players deste mercado. “O problema foi que com a realização destes eventos, os executivos deixaram de viajar e o corporativo parou o mercado de turismo no país”, afirmou.

Expectativa – Depois das eleições e da previsão de fechamento fiscal mais próxima da realidade, as empresas do segmento turístico no país já acreditam que 2015 será melhor que o ano corrente. “Ainda não há uma definição assertiva sobre o corpo de ministros, mas há uma mudança significativa na equipe econômica. porém, é necessário que haja autonomia para o trabalho”, pontuou Cintra.

De acordo com o executivo, a austeridade e o controle da inflação também são fatores determinantes para que o ano seja de crescimento e a demanda reprimida de viagens volte à escala normal. “Hoje o empresariado ainda não consegue observar o crescimento. Mas, em virtude de 2014, o próximo ano não tem como ser pior”, ressaltou. Cintra disse ainda que a preocupação com a economia do país ainda dificulta a captação de investimentos internacionais o que emperra o crescimento econômico.

Luciano Palumbo