
O encerramento de uma grande operação turística costuma marcar o fim de uma mobilização que envolve meses de planejamento, logística e atendimento aos viajantes. Mas, para um grupo de empresas do setor, o término das atividades relacionadas à Copa do Mundo representou também o início de uma nova etapa. Equipamentos utilizados durante toda a operação foram destinados à Vivenda da Criança, organização social que atua no atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, em uma iniciativa que busca ampliar o impacto social do projeto mesmo após o fim do evento esportivo.
A ação foi realizada pelo Pra Cima Brasil, iniciativa criada para coordenar serviços de hospitalidade e viagens durante a Copa do Mundo. O projeto reuniu as operadoras Agaxtur, Ambiental, Globalis e Queensberry, em parceria com a Golden Goal, empresa especializada em gestão de projetos ligados ao esporte.
Ao término da operação, o grupo decidiu destinar à instituição parte da estrutura utilizada durante o período do evento. Entre os equipamentos doados estão monitores, tablets, impressora e outros itens empregados na operação diária do programa. Também foram encaminhados os kits que permaneceram disponíveis após a conclusão das atividades.
Projeto amplia uso dos recursos após o encerramento da operação
A iniciativa segue uma tendência observada em diferentes segmentos da indústria do turismo e dos eventos, que buscam encontrar novos destinos para estruturas temporárias utilizadas em grandes operações. Em vez de encerrar o ciclo dos equipamentos com o fim da Copa, as empresas optaram por direcionar esses recursos para uma organização que desenvolve atividades educacionais e sociais.
Com a doação, a Vivenda da Criança passa a contar com reforço em sua infraestrutura tecnológica, permitindo ampliar o suporte às atividades realizadas com crianças e adolescentes atendidos pela instituição.
Além dos equipamentos eletrônicos, o excedente dos kits distribuídos durante a operação também foi incorporado ao projeto social, ampliando o aproveitamento dos materiais utilizados ao longo da iniciativa.
Cooperação entre operadoras marcou atendimento durante a Copa
O Pra Cima Brasil foi estruturado a partir de um modelo colaborativo entre quatro operadoras de turismo. A proposta reuniu experiências complementares nas áreas de atendimento, logística e gestão operacional para atender clientes que viajaram ao maior evento esportivo do mundo.
Durante a Copa, o projeto concentrou esforços para oferecer suporte aos passageiros, integrando equipes e compartilhando processos operacionais entre as empresas participantes.
Com o encerramento da operação, a estrutura utilizada deixou de atender apenas às demandas do evento esportivo para ganhar uma nova função voltada ao desenvolvimento social.
Legado social ganha espaço entre estratégias do turismo
Nos últimos anos, temas relacionados à sustentabilidade e ao impacto social passaram a ocupar espaço crescente nas estratégias de empresas ligadas ao turismo. O conceito de legado, antes associado principalmente às obras e investimentos em infraestrutura, passou a incluir também iniciativas capazes de beneficiar comunidades após o encerramento de grandes eventos.
Organizações internacionais, entre elas a ONU Turismo, defendem que o crescimento do setor esteja alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estimulando práticas que conciliem desenvolvimento econômico, responsabilidade social e benefícios para os destinos turísticos.
Nesse cenário, ações de reaproveitamento de equipamentos e estruturas utilizadas em operações temporárias têm ganhado espaço como alternativa para ampliar o alcance dos investimentos realizados durante grandes eventos internacionais.
Doação busca ampliar oportunidades para crianças e adolescentes
Segundo as empresas envolvidas, a escolha da Vivenda da Criança ocorreu pela atuação da organização no atendimento a jovens em situação de vulnerabilidade social. Com a chegada dos novos equipamentos, a expectativa é fortalecer as atividades desenvolvidas pela instituição e ampliar o acesso dos atendidos a recursos tecnológicos.
Para Sylvio Ferraz, vice-presidente da BeFly e representante da Queensberry no Pra Cima Brasil, o conceito de legado vai além da realização da operação durante a Copa.
“Grandes operações não precisam terminar quando o evento acaba. O verdadeiro legado acontece quando conseguimos transformar uma estrutura que cumpriu sua missão em uma oportunidade para gerar impacto positivo na vida de outras pessoas. O turismo tem um enorme potencial de conectar pessoas, culturas e experiências, mas também pode contribuir para fortalecer comunidades. Esse é um compromisso que faz parte da forma como enxergamos nosso papel no setor”, afirma.
A iniciativa reforça uma discussão que tem ganhado espaço dentro da cadeia do turismo sobre o destino das estruturas utilizadas em grandes eventos. Em vez de serem desmobilizados sem nova utilização, equipamentos e materiais podem ser incorporados a projetos sociais, educacionais e comunitários, prolongando os benefícios gerados pelos investimentos realizados.
Ao direcionar computadores, tablets, monitores e outros equipamentos para uma organização que atua diretamente com crianças e adolescentes, o Pra Cima Brasil amplia o alcance da operação realizada durante a Copa e demonstra como recursos originalmente destinados ao atendimento de viajantes podem contribuir para fortalecer iniciativas voltadas à inclusão social.







